

Fumaça é vista após série de ataques em Teerã, Irã, em 1º de março de 2026 | Foto: Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images
21 de junho de 2026 – Delegações dos Estados Unidos e do Irã iniciam neste domingo (21), na Suíça, uma nova rodada de negociações sobre o fim da guerra e a estabilização das tensões no Oriente Médio. As conversas ocorrem após a assinatura de um memorando de entendimento entre os dois países e em meio a preocupações com a continuidade dos ataques no Líbano e a situação no Estreito de Ormuz.
As discussões presenciais são consideradas as primeiras entre autoridades dos dois países desde o acordo preliminar firmado na semana passada. O objetivo é avançar em pontos considerados centrais para a segurança regional, como o programa nuclear iraniano, a navegação no Estreito de Ormuz e os impactos da guerra no Líbano.
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A delegação norte-americana será liderada pelo vice-presidente JD Vance, que afirmou que os negociadores deverão estabelecer a estrutura das conversas. A previsão é que ele permaneça na Suíça por um ou dois dias.
Pelo lado iraniano, a comitiva é liderada por Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento do Irã. Também fazem parte da delegação o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei. Representantes do Paquistão e do Catar participam como intermediadores das negociações.
Um dos principais pontos de tensão é a guerra no Líbano. A continuidade dos ataques na região ameaça fragilizar o cessar-fogo entre forças iranianas e norte-americanas e pode dificultar o avanço de um entendimento mais amplo.
As conversas devem buscar mecanismos para reduzir a escalada militar e estabelecer garantias mínimas de cumprimento do acordo. A preocupação dos mediadores é evitar que novos episódios de violência comprometam a negociação antes mesmo da definição dos detalhes técnicos.
Outro tema sensível é o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás. O Irã afirmou ter fechado a hidrovia, enquanto os Estados Unidos contestaram a efetividade do bloqueio e disseram que navios continuavam passando pela região.
O memorando de entendimento entre EUA e Irã prevê um período inicial de navegação gratuita por 60 dias, enquanto Teerã e países vizinhos do Golfo negociam novas regras para a passagem. Ainda assim, permanecem dúvidas sobre o controle iraniano da rota e sobre eventual cobrança futura de taxas.
O programa nuclear iraniano também estará no centro das discussões. O tema é um dos principais pontos de divergência entre Washington e Teerã e envolve exigências de controle, verificação internacional e limites ao enriquecimento de urânio.
As negociações devem tentar transformar o memorando preliminar em compromissos mais detalhados. Entre os desafios estão a definição de mecanismos de fiscalização, prazos, garantias de cumprimento e eventuais contrapartidas econômicas ao Irã.
Nos Estados Unidos, o entendimento preliminar já enfrenta questionamentos de parlamentares, que cobram mais transparência sobre os termos do acordo e garantias de que o Irã cumprirá eventuais obrigações. Parte das críticas envolve pontos como alívio de sanções, liberação de recursos congelados e mecanismos de verificação.
A negociação também ocorre sob pressão de aliados regionais dos Estados Unidos e de países dependentes da estabilidade do Golfo Pérsico para garantir abastecimento energético e segurança marítima.
Apesar da abertura das conversas, o cenário permanece incerto. A rodada na Suíça deverá servir para organizar os próximos passos e medir a disposição das partes em transformar o acordo preliminar em um pacto mais amplo.
O sucesso das negociações dependerá da capacidade de EUA e Irã de avançar em temas militares, nucleares e econômicos sem provocar nova escalada regional. Até lá, a diplomacia internacional acompanha de perto os desdobramentos em Ormuz, no Líbano e em Teerã.
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