

Hugo Motta admitiu a interlocutores viagem a Portugal em jato de Daniel Vorcaro, enquanto relatório da PF aponta pagamento de hospedagem em Lisboa | Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
17 de junho de 2026 – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), admitiu a interlocutores ter viajado para Portugal, em 2024, em um jato de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, a convite do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo a apuração divulgada pela imprensa, Motta também confirmou que o banqueiro pagou diárias de sua hospedagem em um hotel de luxo em Lisboa, conforme apontado pela Polícia Federal.
Em conversas reservadas, o presidente da Câmara afirmou que, na época da viagem, não havia conhecimento de irregularidades envolvendo Daniel Vorcaro. O caso veio à tona após o Supremo Tribunal Federal (STF) retirar o sigilo de documentos enviados pela PF no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga possíveis fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. A Agência Brasil também noticiou que a PF concluiu que Vorcaro pagou diárias de hotel em Lisboa para Motta e Ciro Nogueira em 2024.
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O relatório da Polícia Federal menciona conversas entre Daniel Vorcaro e um auxiliar nas quais o banqueiro teria solicitado a reserva de dois quartos em Lisboa para “Ciro e Hugo”. De acordo com os investigadores, os nomes fariam referência ao senador Ciro Nogueira e ao presidente da Câmara, Hugo Motta.
Segundo a PF, Vorcaro daria a Ciro Nogueira “tratamento privilegiado”, incluindo pagamento de viagens internacionais, hospedagem e refeições em hotéis de luxo. A investigação também aponta que, poucos dias após as mensagens sobre Lisboa, o auxiliar informou a existência de duas suítes no Four Seasons Hotel Ritz Lisbon, unidade cinco estrelas localizada em uma área valorizada da capital portuguesa.
Em um dos trechos do relatório, a PF afirma que o cruzamento de mensagens com documentos obtidos nos e-mails de Vorcaro reforçaria a conclusão de que determinados pagamentos estariam relacionados à hospedagem dos parlamentares.
A informação repassada por Motta a aliados, de que Vorcaro teria bancado apenas duas diárias em Lisboa, diverge dos dados apontados pelos investigadores. No relatório, a Polícia Federal cita pagamento por cinco dias de hospedagem. Já a fatura mencionada no material faria referência a sete dias.
Segundo a apuração, as diárias nesse caso teriam custado 3.155,71 euros, valor equivalente, na cotação da época, a cerca de R$ 18.256,21.
Em conversas reservadas, Motta teria afirmado que “não havia, naquele momento, qualquer informação pública sobre irregularidades envolvendo Daniel Vorcaro”. Aliados do parlamentar sustentam que a viagem ocorreu antes do avanço das investigações que passaram a envolver o banqueiro.
O documento da PF também cita um áudio atribuído a Daniel Vorcaro, no qual o banqueiro pede atenção especial à segurança e à privacidade durante a estadia em Lisboa.
“Leo, preciso muito que você dê uma atenção na questão de segurança. Cidade está lotada, eu tive lá no lugar agora. Tive uma reunião lá no clube. Tem que ter certeza que o lugar em frente ao restaurante também esteja privatizado porque senão dá pra ver tudo lá dentro. Tem que ter alguém lá embaixo, quando você sai do elevador já dá para ver tudo, quem tá, o que está acontecendo”, diz Vorcaro no áudio, conforme trecho citado no relatório.
Para os investigadores, o conteúdo das mensagens, somado aos documentos obtidos nos e-mails do banqueiro, indica elementos coincidentes entre a viagem, as reservas e os pagamentos.
A Operação Compliance Zero investiga possíveis fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. O caso envolve documentos enviados pela Polícia Federal ao STF e tem como um dos principais investigados Daniel Vorcaro.
A retirada do sigilo dos documentos pelo Supremo ampliou o alcance público das informações reunidas pela investigação. O material inclui trocas de mensagens, registros de hospedagem e dados financeiros que, segundo a PF, ajudam a reconstruir a relação entre o banqueiro e agentes políticos.
Até o momento, as informações divulgadas fazem parte de uma investigação em andamento. Eventuais responsabilidades ainda dependem de análise pelas autoridades competentes, pelo Ministério Público e pelo Judiciário.
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