

Irã ameaça não assinar acordo com os Estados Unidos após apontar recuo americano em pontos sobre ativos congelados e cessar-fogo no Líbano | Foto: Unsplash/Mostafa Meraji
25 de maio de 2026 – Autoridades iranianas sinalizaram uma mudança de tom nas negociações com os Estados Unidos e ameaçam não assinar o acordo em discussão para reduzir as tensões no Oriente Médio. Segundo informações divulgadas pela emissora Al Jazeera, Teerã acusa Washington de recuar em pontos considerados centrais para o entendimento.
A reação ocorre menos de 24 horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que um acordo estava “em grande parte negociado”. De acordo com a Al Jazeera, uma fonte iraniana apontou divergências sobre o mecanismo para descongelamento de ativos do Irã no exterior e sobre o alcance do cessar-fogo no Líbano.
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O correspondente Ali Hashem, da Al Jazeera, afirmou que uma fonte iraniana bem informada identificou sinais de recuo dos Estados Unidos em dois pontos principais: a forma de liberação dos ativos iranianos e o escopo de um cessar-fogo no Líbano.
“Uma fonte iraniana bem informada me diz que há sinais de recuo dos EUA em duas questões centrais: o mecanismo de descongelamento de ativos iranianos e o escopo de um cessar-fogo no Líbano”, escreveu Hashem em publicação no X.
Segundo o correspondente, o rascunho do acordo inclui um marco para cessar-fogo no Líbano. No entanto, Israel estaria pressionando Washington para inserir uma cláusula que permita operações militares em território libanês sob a justificativa de resposta a “qualquer ameaça”.
Para o Irã, essa movimentação representaria um afastamento de entendimentos mútuos construídos anteriormente durante as negociações.
Mais cedo, o jornal “The New York Times” informou, citando um funcionário sênior da Casa Branca, que Estados Unidos e Irã haviam chegado a um acordo preliminar que previa a reabertura do Estreito de Ormuz.
A passagem marítima é uma das rotas mais importantes do mundo para o comércio de petróleo e está no centro da crise entre Washington e Teerã. Qualquer avanço ou recuo nas negociações envolvendo Ormuz tem impacto direto sobre os mercados globais de energia e sobre a estabilidade regional.
Pouco depois da informação sobre o possível entendimento preliminar, Donald Trump afirmou que não tinha pressa para fechar um acordo. Mais tarde, reforçou que o entendimento “nem chegou a ser totalmente negociado ainda”.
A mudança de tom do presidente americano aumentou a incerteza sobre a viabilidade do acordo e ampliou a pressão sobre os mediadores envolvidos nas conversas.
Enquanto as negociações seguem em ambiente de incerteza, novos ataques israelenses foram registrados no Líbano. Na cidade de Arab Salim, ao menos duas pessoas morreram e outras dez ficaram feridas.
O ataque ocorreu após outro bombardeio que, segundo autoridades de saúde, destruiu um centro de defesa civil na cidade de Nabatieh.
Os episódios reforçam a sensibilidade do tema libanês nas negociações. Para Teerã, a inclusão de cláusulas que permitam novas ações militares sob justificativas amplas poderia esvaziar o alcance de um cessar-fogo e comprometer o equilíbrio do acordo.
A possível recusa do Irã em assinar o texto nos termos atuais evidencia a fragilidade do processo diplomático. Embora Washington e Teerã tenham sinalizado avanços nos últimos dias, os pontos de divergência ainda envolvem temas estratégicos, como ativos congelados, segurança regional, atuação de Israel, cessar-fogo no Líbano e reabertura do Estreito de Ormuz.
A instabilidade nas declarações de Trump também contribui para aumentar a cautela. O presidente americano alternou, nos últimos dias, entre a afirmação de que o acordo estava próximo e a indicação de que ainda não havia entendimento totalmente negociado.
Com isso, o cenário permanece indefinido. O desfecho das conversas dependerá da capacidade dos mediadores de recompor os pontos de consenso e evitar que novas ações militares ampliem a escalada no Oriente Médio.
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