

Levantamento aponta queda histórica no desmatamento da Mata Atlântica e reforça importância das políticas de preservação ambiental. | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
14 de maio de 2026 – O desmatamento na Mata Atlântica apresentou queda de 28% em 2025 na comparação com os dados registrados em 2024, segundo levantamento divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica. A área devastada caiu de 53.303 hectares para 38.385 hectares, atingindo o menor índice da série histórica monitorada pelo Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica.
O estudo é desenvolvido desde 2022 em parceria com a MapBiomas e a Arcplan, monitorando a perda de vegetação nativa nos 17 estados abrangidos pelo bioma.
De acordo com os dados, 11 estados registraram redução no desmatamento, com destaque para Bahia e Piauí. Apesar disso, os dois estados continuam entre os maiores responsáveis pela perda florestal no país. A Bahia lidera o ranking com 17.635 hectares desmatados, seguida por Minas Gerais, com 10.228 hectares, Piauí, com 4.389 hectares, e Mato Grosso do Sul, com 1.962 hectares. Juntos, os quatro estados concentraram 89% de toda a área devastada no período analisado.
“Quase toda a destruição registrada pelo sistema (96%) foi convertida para uso agropecuário, grande parte com indício de ilegalidade”, destacou a Fundação SOS Mata Atlântica.
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Outro levantamento divulgado pela entidade, o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, apontou redução ainda mais expressiva nas áreas de florestas maduras. O índice caiu 40%, passando de 14.366 hectares em 2024 para 8.668 hectares em 2025.
O Atlas é realizado em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, responsável pelo monitoramento do bioma desde 1985. Segundo a SOS Mata Atlântica, esta foi a primeira vez em 40 anos que o desmatamento anual ficou abaixo de 10 mil hectares.
A entidade atribui os resultados a ações de fiscalização, pressão da sociedade civil e fortalecimento das políticas ambientais, incluindo a Operação Mata Atlântica em Pé, aplicação de embargos remotos e restrições de crédito em áreas desmatadas ilegalmente.
Apesar da redução histórica, especialistas alertam que o desmatamento ainda representa ameaça significativa ao bioma.
“O desmatamento continua acontecendo e, na Mata Atlântica, cada fragmento perdido faz diferença. O desafio é manter essa trajetória até zerarmos o desmatamento”, afirmou Luis Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica.
A entidade também demonstrou preocupação com mudanças recentes na legislação ambiental aprovadas pelo Congresso Nacional em 2025, entre elas a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Lei da Licença Ambiental Especial.
Segundo Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, as novas regras podem enfraquecer mecanismos de proteção justamente no momento em que os resultados positivos começam a aparecer.
“É uma distorção que leva o Brasil na contramão do Acordo de Paris e potencializa tragédias climáticas. Os números apontam que o desmatamento cai quando a lei é aplicada com rigor e critérios técnicos. Enfraquecer os instrumentos de proteção agora é arriscar o que levamos anos construindo”, declarou.
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Tags: Portal Terra da Luz, Mata Atlântica, desmatamento, meio ambiente, sustentabilidade, Fundação SOS Mata Atlântica, MapBiomas, Inpe, preservação ambiental, mudanças climáticas, Acordo de Paris, bioma brasileiro, fiscalização ambiental, desmatamento ilegal, agropecuária, florestas maduras, biodiversidade, legislação ambiental, crise climática, conservação ambiental, natureza, Brasil sustentável