

Navios de carga no Golfo, perto do Estreito de Ormuz, vistos do norte de Ras al-Khaimah, próximo à fronteira com a região administrativa de Musandam, em Omã, em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, nos Emirados Árabes Unidos, 11 de março de 2026 | Foto: REUTERS/Stringer
13 de abril de 2026 – A tensão no Oriente Médio voltou a escalar nesta segunda-feira com a ameaça do Irã de atingir portos no Golfo Pérsico, após os Estados Unidos confirmarem o início de um bloqueio marítimo contra instalações iranianas. A medida ocorre após o fracasso das negociações realizadas no fim de semana no Paquistão.
Em comunicado divulgado pela mídia estatal, as Forças Armadas iranianas adotaram tom firme ao alertar para possíveis retaliações. “A segurança dos portos na região é de todos ou de ninguém”, afirmou o comando militar, classificando a ação americana como “um ato de pirataria”.
A escalada já impacta o mercado internacional. O petróleo Brent registrou alta de cerca de 7% nas primeiras horas do dia, ultrapassando os US$ 100 por barril.
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O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou a delegação de Teerã nas negociações, respondeu diretamente às declarações americanas. “Se você lutar, nós lutaremos”, afirmou, em reação ao posicionamento do presidente dos Estados Unidos.
A Guarda Revolucionária iraniana também reforçou o alerta, informando que qualquer embarcação militar que se aproxime do Estreito de Ormuz poderá ser tratada como violação do cessar-fogo em vigor.
Do lado americano, o presidente Donald Trump endureceu o discurso ao anunciar a medida. “Qualquer iraniano que atirar em nós, ou em embarcações pacíficas, será DESTRUÍDO!”, declarou.
O Comando Central dos EUA confirmou que o bloqueio entrou em vigor às 11h (horário de Brasília) desta segunda-feira, sendo aplicado a embarcações de todas as nacionalidades que tenham origem ou destino em portos iranianos, tanto no Golfo Pérsico quanto no Golfo de Omã.
A restrição, no entanto, não se estende a navios que apenas transitam pelo Estreito de Ormuz com destino a outros países.
As conversas diplomáticas realizadas em Islamabad não chegaram a um consenso, especialmente em relação ao programa nuclear iraniano. Apesar disso, autoridades de Teerã indicaram que houve avanços pontuais.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que “era natural que não se esperasse chegar a um acordo em uma única sessão”. Ele acrescentou: “A diplomacia nunca acaba”.
Ainda assim, o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, sinalizou endurecimento da posição do país ao indicar que o controle sobre o Estreito de Ormuz poderá ser ampliado.
A crise também acende alerta no comércio internacional. A China, principal compradora do petróleo iraniano, manifestou preocupação com os efeitos do bloqueio sobre o fluxo global de energia.
O porta-voz chinês Guo Jiakun pediu moderação entre as partes e destacou a necessidade de contenção diante do risco de agravamento do conflito.
No cenário atual, o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz já apresenta queda significativa. Desde o início do cessar-fogo, apenas cerca de 40 embarcações comerciais cruzaram a região, número bem abaixo da média de 135 navios por dia em períodos de normalidade.
O cessar-fogo vigente, iniciado em 7 de abril, tem prazo previsto até o dia 22, mas especialistas alertam que o acordo pode colapsar diante da crescente tensão militar.
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