

Filhotes de ave ameaçada nascem em reserva ambiental e simbolizam avanço na preservação da Caatinga | Foto: divulgação
25 de março de 2026 – A Reserva Natural Serra das Almas registrou um feito histórico para a biodiversidade brasileira: a primeira reprodução natural do periquito cara-suja em vida livre na área. O nascimento dos filhotes representa um avanço significativo na conservação da fauna da Caatinga.
Os primeiros filhotes nasceram no dia 17 de março, após monitoramento iniciado em fevereiro, quando pesquisadores identificaram 33 ovos da espécie em caixas-ninho instaladas na reserva. Até então, os registros de nascimento no local eram restritos ao viveiro de aclimatação, etapa anterior à soltura definitiva das aves na natureza.
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A reintrodução dos periquitos na região começou em 2024, por meio do projeto Refaunar Arvorar, desenvolvido pela Associação Caatinga e pela Aquasis, em parceria com o Beach Park.
Considerada uma das aves mais raras do Brasil, a espécie não era registrada na Serra das Almas há cerca de 114 anos. Atualmente, 23 indivíduos adultos vivem soltos na reserva, resultado do trabalho contínuo de reintrodução.
Segundo a analista socioambiental Ariane Ferreira, os resultados surpreenderam positivamente. “A quantidade de ovos foi maior do que esperávamos. Nossa expectativa é que este seja um ano de sucesso e que a população de periquito cara-suja na reserva possa até dobrar já em 2026”, afirma.
O período reprodutivo teve início ainda em 2025, com a formação de casais e comportamento de cópula. As caixas-ninho, que simulam cavidades naturais, foram fundamentais para o sucesso da reprodução.
Apesar do avanço, a equipe segue atenta aos desafios. “Vamos monitorar de perto essa fase porque podem ocorrer perdas naturais. Nem sempre o casal consegue cuidar de todos os filhotes e também existe risco de predação ou até de chuvas que possam inundar as caixas-ninho”, explica Ariane Ferreira.
A gerente do Parque Arvorar, Leanne Soares, destacou a importância do trabalho conjunto. “Estamos muito felizes com os resultados desse projeto. Cuidamos delas aqui com toda a estrutura e carinho, e saber que agora estão por aí, se reproduzindo e voando em seu habitat natural, nos emociona”, afirma.
Para o coordenador do projeto, Fábio Nunes, a reprodução é um indicador essencial de sucesso. “O fato de o cara-suja já estar se reproduzindo na Serra das Almas apenas um ano após sua chegada mostra que a espécie está conseguindo se estabelecer bem nesse novo ambiente”, destaca.
Ele ressalta ainda que os novos filhotes já nascem mais adaptados às condições da Caatinga, o que aumenta as chances de sobrevivência e expansão da população.
A iniciativa integra ações mais amplas de preservação ambiental desenvolvidas pela Associação Caatinga, incluindo educação ambiental, monitoramento da fauna e plantio de espécies nativas.
Segundo Daniel Fernandes, o fortalecimento dessas estratégias é essencial para garantir a sobrevivência de espécies ameaçadas. “As ações de conservação e educação ambiental são fundamentais para preparar a reserva para acolher e manter essas espécies em risco de extinção”, pontua.
O registro da reprodução natural reforça o papel da Serra das Almas como um dos principais refúgios da biodiversidade da Caatinga e símbolo de esperança para a recuperação de espécies ameaçadas.
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