

Fiscalização sanitária intensifica inspeções em bares e eventos para combater a venda de bebidas adulteradas durante o Carnaval | Foto: PABLO JACOB/governo de São Paulo
14 de fevereiro de 2026 – Com a proximidade do Carnaval, autoridades de saúde e órgãos de fiscalização intensificam o alerta sobre o consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. Estados que registraram mortes e casos graves nos últimos meses reforçaram ações preventivas para evitar novas ocorrências durante a folia. Segundo o Ministério da Saúde, em 2025 o Brasil confirmou 76 casos de intoxicação por metanol associados ao consumo de bebidas alcoólicas, além de 25 óbitos.
Outras 29 ocorrências e oito mortes seguem em investigação. Já em 2026, até o dia 3 de fevereiro, foram confirmados sete casos, com outros 13 sob apuração. O metanol é um tipo de álcool extremamente tóxico, capaz de causar cegueira irreversível, falência renal e morte.
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O estado de São Paulo foi o mais atingido. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmou 52 casos de intoxicação por metanol, com 12 mortes registradas em diferentes municípios. Outras quatro mortes ainda estão sendo investigadas.
A secretaria alerta para os riscos do consumo de bebidas alcoólicas adulteradas e recomenda que a população adquira produtos apenas em estabelecimentos regularizados, verificando rótulo, lacre de segurança e selo fiscal. O Centro de Vigilância Sanitária coordena ações com as vigilâncias municipais para inspeção de bares, eventos e vendedores ambulantes.
Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde confirmou oito casos de intoxicação por metanol, incluindo cinco óbitos registrados em 2025. A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária prevê mais de 500 inspeções sanitárias em bares, camarotes, restaurantes e comércio ambulante durante o Carnaval.
Na Bahia, foram confirmados nove casos, com três mortes. A Secretaria da Saúde da Bahia, em parceria com o Ministério da Saúde, reforçou os estoques do antídoto para tratamento da intoxicação e intensificou a fiscalização da venda de destilados.
O Paraná encerrou em novembro de 2025 a sala de situação sobre o tema, após confirmar seis casos, três deles com óbito. Já o Mato Grosso mantém vigilância ativa mesmo sem novos registros recentes, após contabilizar seis casos e quatro mortes entre novembro e dezembro do ano passado.
No Rio de Janeiro, não houve registro de casos ou mortes, mas a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e o Procon colocaram nas ruas o Laboratório Itinerante do Consumidor. O equipamento portátil analisa, em tempo real, bebidas suspeitas em blocos e no Sambódromo.
Em ações recentes, cerca de 26 litros de bebidas falsificadas foram apreendidos. “A venda de bebidas falsificadas é uma prática criminosa que coloca vidas em risco”, afirmou o secretário Gutemberg Fonseca.
O patologista clínico Hélio Magarinos Torres Filho, diretor médico do Richet Medicina e Diagnóstico, explica que o metanol, ao ser metabolizado, gera substâncias altamente tóxicas que afetam principalmente o sistema nervoso.
Os sintomas iniciais incluem dor abdominal, tontura, náuseas, confusão mental e sonolência. Entre seis e 24 horas após a ingestão, podem surgir alterações visuais, convulsões, coma e acidose metabólica grave. Em casos mais severos, o paciente pode evoluir para cegueira irreversível e morte.
“O quadro pode ser confundido com uma ressaca forte, o que atrasa o atendimento. Alterações visuais são sinais de alerta e não devem ser ignoradas”, ressalta o médico.
Autoridades de saúde recomendam consumir apenas bebidas de procedência conhecida, evitar produtos sem rótulo ou vendidos em condições suspeitas e procurar atendimento médico imediato diante de qualquer sintoma incomum após o consumo de álcool.
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Tags: Carnaval, bebidas adulteradas, metanol, intoxicação por metanol, saúde pública, fiscalização sanitária, bebidas alcoólicas, vigilância sanitária, Ministério da Saúde, São Paulo, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso, segurança do consumidor, prevenção, Portal Terra Da Luz