

Fachada do Banco de Brasília (BRB), instituição que enfrenta crise institucional após desdobramentos do caso Banco Master | Foto: Reuters/Mateus Bonomi
10 de fevereiro de 2026 — O Banco de Brasília (BRB) comunicou ao mercado que o diretor jurídico da instituição, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, apresentou carta de renúncia ao cargo. De acordo com fato relevante divulgado pelo banco público, a saída será efetivada no próximo sábado (14).
A instituição informou que manterá acionistas e o mercado atualizados sobre atos relevantes, reforçando o compromisso com a ética, a responsabilidade e a transparência. Até o momento, o BRB não detalhou os motivos da renúncia nem anunciou o nome de um substituto para a diretoria jurídica.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
A saída de Veloso de Melo acontece em um contexto de forte desgaste institucional enfrentado pelo BRB após o envolvimento no caso do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. O episódio levantou questionamentos sobre operações financeiras realizadas entre as duas instituições e provocou investigações sobre a gestão do banco público.
Nomeado em agosto de 2024 para cumprir o restante do mandato 2022–2024, Jacques Veloso de Melo assumiu oficialmente a diretoria jurídica em dezembro do mesmo ano. Antes disso, já integrava a governança do BRB como membro do Comitê de Auditoria.
Pós-graduado em Direito Tributário pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal e pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET), Melo também atuou no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Além disso, participou de comissões de Direito Tributário e de apoio a advogados iniciantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Paralelamente ao anúncio da renúncia, o BRB informou a posse de Ana Paula Teixeira como diretora executiva de Controles e Riscos (DICOR). Segundo o banco, a executiva possui ampla experiência no setor financeiro, tendo atuado no Banco do Brasil como vice-presidente de gestão de riscos, controles internos, segurança institucional e cibersegurança.
Em fato relevante, o BRB afirmou que a nomeação reforça a governança corporativa, a integridade institucional e o comprometimento com a gestão de riscos e controles internos.
A crise envolvendo o Banco Master ganhou dimensão nacional após investigações apontarem que o BRB investiu bilhões de reais na aquisição de carteiras de crédito da instituição controlada por Daniel Vorcaro. Apurações indicam que essas carteiras haviam sido compradas pelo Master por valores inferiores à metade do preço e, posteriormente, revendidas ao BRB por cifras bilionárias, sem que o pagamento original tivesse sido efetivado.
Além disso, o BRB chegou a negociar a aquisição do Banco Master, operação que acabou vetada pelo Banco Central em setembro de 2025. As investigações apontam transações suspeitas, prejuízos financeiros e impactos negativos sobre fundos de pensão de diversos estados.
Para enfrentar os efeitos da crise, o BRB apresentou ao Banco Central um plano de capital que prevê medidas para reforçar o patrimônio da instituição, caso necessário. O documento foi entregue pessoalmente pelo presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, em reunião realizada na sede do BC, em Brasília.
Embora os valores finais dependam da conclusão das investigações, estimativas do Banco Central indicam que o aporte mínimo pode chegar a R$ 5 bilhões. O Governo do Distrito Federal, acionista controlador do BRB com cerca de 72% do capital, acompanhou a apresentação do plano por meio do secretário de Economia, Daniel Izaias.
Leia também | Tesouro anuncia emissão de novo título de 10 anos no mercado internacional
Tags: Portal Terra Da Luz, BRB, Banco de Brasília, Banco Master, Jacques Maurício Veloso de Melo, renúncia no BRB, crise no BRB, governança corporativa, sistema financeiro, Banco Central, investigação financeira, gestão de riscos, Ana Paula Teixeira, diretoria jurídica, mercado financeiro, bancos públicos, Distrito Federal, economia brasileira