

Donald Trump durante briefing à imprensa no primeiro ano de seu segundo mandato; políticas do presidente influenciam o dólar e os mercados globais | Foto: REUTERS/Nathan Howard
28 de janeiro de 2026 – A bolsa de valores brasileira renovou seu recorde histórico nesta semana ao ultrapassar, pela primeira vez, o patamar dos 183 mil pontos. O avanço ocorre em um cenário internacional favorável aos mercados emergentes, marcado pelo enfraquecimento do dólar e por uma forte recomposição das carteiras globais de investimento, movimento atribuído, em parte, às políticas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O fluxo intenso de capital estrangeiro também tem sido favorecido por indicadores domésticos positivos. A inflação medida pelo IPCA-15 de janeiro desacelerou para 0,20%, abaixo dos 0,25% registrados em dezembro. No acumulado de 12 meses, o índice está em 4,5%, exatamente no teto da meta estabelecida pelo Banco Central.
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Apesar da desaceleração geral, alguns itens voltaram a pressionar os preços. Alimentos e bebidas registraram alta após sete meses consecutivos de queda, com destaque para tomate, batata inglesa, frutas e carnes. Também houve aumento relevante nos preços de planos de saúde e artigos de higiene pessoal.
Ainda assim, a leitura do mercado é de que a inflação caminha de forma gradual para o centro da meta, o que reforça a expectativa de um início do ciclo de corte de juros já em março, mantendo a Selic atrativa para investidores estrangeiros ao longo de 2026.
O enfraquecimento do dólar frente às principais moedas, incluindo as de países emergentes, tem sido associado à instabilidade gerada pelas políticas do governo Trump em seu segundo mandato. Para a comentarista econômica Rita Mundim, o movimento reflete uma perda de hegemonia dos Estados Unidos como principal centro financeiro global.
Os números confirmam essa mudança no fluxo internacional de recursos. Enquanto o índice S&P 500, nos Estados Unidos, avançou cerca de 1%, bolsas de mercados emergentes registraram fortes altas em dólar, como Colômbia (24%), Brasil (15%), Chile (14%) e México (10%).
Na B3, o impacto é visível também no volume financeiro, que saltou de uma média entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões para patamares acima de R$ 30 bilhões por sessão, evidenciando o aumento do interesse estrangeiro pelos ativos brasileiros.
Com a expectativa de redução gradual dos juros a partir de março, o Brasil segue atrativo no radar global, especialmente para investimentos em grandes empresas como Petrobras, Vale e os principais bancos. No entanto, especialistas alertam para desafios fiscais importantes ao longo do ano, sobretudo por se tratar de um período eleitoral.
A combinação entre política monetária e política fiscal será determinante para garantir a convergência da inflação ao centro da meta de 3%. O mercado também deve enfrentar momentos de volatilidade nos próximos meses, à medida que se aproximam as eleições municipais e novos dados fiscais venham a público.
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