

Cédulas de real e dólar simbolizam a expectativa do mercado financeiro para as decisões de juros do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve | Foto: Ricardo Moraes/Reuters
28 de janeiro de 2026 – O Banco Central do Brasil (BC) e o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, anunciam nesta quarta-feira (28) suas primeiras decisões de política monetária de 2026, em um dia conhecido no mercado como “superquarta”. A expectativa predominante entre analistas e investidores é de manutenção dos juros nas duas maiores economias do continente americano.
Nos Estados Unidos, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) divulga a decisão sobre a taxa básica de juros às 16h. Em seguida, às 16h30, o presidente do Fed, Jerome Powell, concede entrevista coletiva para detalhar os fundamentos da decisão e o cenário econômico avaliado pelo colegiado.
Já no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve anunciar sua decisão por volta das 18h30.
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No cenário doméstico, a taxa Selic está em 15% ao ano desde junho de 2025. O Sistema de Expectativas de Mercado, divulgado semanalmente pelo Banco Central, aponta que a mediana das projeções indica manutenção desse patamar nesta reunião.
Nos Estados Unidos, os juros estão atualmente na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano, após o último corte realizado em dezembro. Dados da ferramenta CME FedWatch mostram que 96,1% dos agentes econômicos apostam na manutenção da taxa, enquanto apenas 3,9% ainda projetam um novo corte.
A expectativa de estabilidade na Selic é reforçada por declarações recentes do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que tem reiterado a dependência dos dados econômicos para eventuais mudanças na política monetária.
Indicadores do mercado de trabalho mostram o desemprego em níveis historicamente baixos, sinalizando uma economia ainda aquecida. Em contrapartida, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) segue em trajetória gradual de convergência para o centro da meta de inflação, enquanto o dólar apresenta sinais de arrefecimento no mercado interno.
Analistas do Santander avaliam que o cenário econômico no início de 2026 permanece bastante semelhante ao observado em dezembro, quando o Copom optou pela quarta manutenção consecutiva da Selic em 15% ao ano.
A decisão do Fed ocorre em meio a um ambiente político turbulento. O banco central norte-americano enfrenta questionamentos sobre sua independência, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionar publicamente investigações e possíveis mudanças na liderança da instituição.
Trump voltou a afirmar que deve anunciar em breve o nome do sucessor de Jerome Powell, cujo mandato se encerra em maio. Além disso, há tensões envolvendo tentativas de afastamento de integrantes da diretoria do Fed, o que aumenta a atenção do mercado para além da política monetária.
Apesar do cenário político, indicadores como as expectativas de inflação e os rendimentos dos títulos de longo prazo dos EUA não apontam, até o momento, para temores relevantes sobre a condução futura da política monetária.
Segundo Tim Duy, economista-chefe para os Estados Unidos da SGH Macro Advisors, “não é possível analisar as ações do próximo presidente do Fed de forma isolada do ambiente econômico ou da dinâmica interna do Fomc”.
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