

Congresso Nacional, em Brasília | Foto: reprodução
27 de janeiro de 2026 — Quando Nikolas sai de Minas Gerais e caminha até Brasília, o gesto não pode ser lido como ato impulsivo ou performance vazia. Trata-se de uma engenharia simbólica cuidadosamente construída. O deslocamento físico é apenas a superfície visível de uma estratégia mais profunda: a compreensão de que o poder político não se consolida no destino final, mas no percurso que o antecede.
Essa lógica dialoga diretamente com um princípio central da comunicação contemporânea: as pessoas não se conectam com o ponto de chegada, mas com a caminhada. É no esforço, no sacrifício e na coerência do trajeto que se constrói identificação. O percurso humaniza, legitima e produz sentido.
No marketing político, essa dinâmica é fundamental. Campanhas que surgem apenas no momento final da disputa tendem a soar oportunistas. Já aquelas que constroem presença ao longo do tempo geram confiança. O voto, nesse contexto, deixa de ser um objetivo explícito e passa a ser uma consequência simbólica de um processo bem conduzido.
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Cada passo da caminhada produz narrativa. Cada parada gera conteúdo. Cada obstáculo enfrentado se transforma em prova simbólica de propósito. Não se trata apenas de storytelling, mas de storydoing: a ação concreta se converte em mensagem, e a mensagem se legitima porque nasce da ação.
Sob a ótica da comunicação estratégica, esse tipo de construção ativa identificação emocional antes mesmo da racional. O eleitor não analisa apenas propostas; ele reconhece trajetórias. Ele não escolhe apenas resultados; ele escolhe sentidos. A decisão política, portanto, está profundamente ligada à percepção de coerência entre discurso, ação e percurso.
É nesse ponto que o growth marketing, quando bem aplicado à política, encontra sua forma mais sofisticada. O crescimento não ocorre por imposição de mídia, mas por propagação orgânica. O conteúdo nasce do movimento real, não de peças artificiais. A distribuição acontece porque a narrativa se sustenta sozinha. Cada etapa cria um novo ponto de contato, gerando loops contínuos de atenção e engajamento.
Diferentemente das fórmulas simplificadas frequentemente vendidas no ambiente digital, o growth político eficaz não depende de atalhos. Ele depende de leitura de cenário, timing, consistência simbólica e compreensão profunda do comportamento humano. Crescer, nesse contexto, não é gritar mais alto, mas estar presente de forma estratégica ao longo do caminho.
O eleitor não “compra” a vitória pronta. Ele adere à história que torna aquela vitória legítima. Ele vota no sentido que reconhece como verdadeiro. Por isso, quem entende marketing político, comunicação e growth de forma integrada não corre atrás do voto no momento final. Constrói, passo a passo, a estrada emocional que leva até ele.
Quando o destino é alcançado, a decisão já foi tomada muito antes. O voto apenas acompanha o percurso.
Harley Dias é estrategista político, especialista em Comunicação e Marketing Político. Bacharel em Design, MBA em Marketing Político, especialista em Marketing Digital e mestrando em Comunicação pela Universidad Europea del Atlántico (Espanha). Mais de 25 anos de atuação em campanhas institucionais e eleitorais.
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