

Canetas emagrecedoras proibidas representam risco à saúde pública | Foto: reprodução
26 de janeiro de 2026 — O aumento do uso de canetas emagrecedoras ilegais no Brasil acendeu um alerta entre autoridades de saúde e órgãos de fiscalização. Vendidos sem receita médica, sem controle sanitário e muitas vezes contrabandeados do Paraguai, esses medicamentos já são considerados um problema de saúde pública, diante dos riscos graves que oferecem aos consumidores.
A febre das canetas emagrecedoras ultrapassou as fronteiras brasileiras de forma clandestina. Produtos proibidos no Brasil são facilmente encontrados em Ciudad del Este, no Paraguai, e chegam ao país por meio de contrabandistas que utilizam rotas alternativas e métodos sofisticados para driblar a fiscalização.
Segundo a Receita Federal, em 2024 foram apreendidas cerca de 2.500 unidades desses medicamentos. Já em 2025, o número saltou para 30 mil canetas emagrecedoras, avaliadas em mais de R$ 30 milhões. Especialistas estimam, no entanto, que apenas 5% do volume que entra ilegalmente no país é apreendido, o que indica que o mercado clandestino pode movimentar até R$ 600 milhões.
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As canetas são comercializadas de forma informal: nas ruas, pela internet, em grupos de mensagens e até em anúncios improvisados nas redes sociais. Em flagrantes registrados pelas autoridades, vendedores admitem não exigir receita médica e afirmam adquirir dezenas de caixas por encomenda.
Para burlar a fiscalização, os produtos são escondidos em estofamentos de veículos, fundos falsos, pneus e bagageiros de ônibus. De acordo com a Receita Federal, além da ilegalidade, há o agravante da falta de refrigeração e de condições adequadas de transporte, o que compromete ainda mais a segurança do medicamento.
Os riscos à saúde são reais e já se materializaram em casos graves. Em novembro, uma mulher de 42 anos utilizou uma caneta emagrecedora contrabandeada e, dias depois, apresentou fortes dores abdominais. Ela foi diagnosticada com a síndrome de Guillain-Barré, doença rara e autoimune que pode causar paralisia, e permanece internada em estado grave.
Especialistas alertam que, diante de um efeito colateral, é impossível identificar se a causa está no princípio ativo, em contaminantes, em substâncias desconhecidas ou na má conservação do produto. Em casos extremos, os efeitos adversos podem levar à morte.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça que medicamentos sem registro no Brasil não podem ser comercializados. A única exceção é a importação excepcional por pessoa física, com prescrição médica, exclusivamente para tratamento próprio.
Autoridades sanitárias do Paraguai também emitiram alertas sobre substâncias como a tirzepatida, amplamente utilizada em canetas emagrecedoras ilegais, destacando que não há garantia de composição, qualidade, segurança ou eficácia.
Para investigadores e especialistas, o enfrentamento do problema passa pelo reforço da fiscalização nas fronteiras, integração entre os órgãos sanitários do Brasil e do Paraguai e, principalmente, pela conscientização da população sobre os riscos do uso sem orientação médica.
Embora reconhecidos como um avanço no tratamento da obesidade e do diabetes, os medicamentos só são considerados seguros quando produzidos por laboratórios autorizados e utilizados com acompanhamento profissional.
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