

O técnico de enfermagem Marcos Vinicius Silva Barbosa de Araújo | Foto: TV Globo/Reprodução
26 de janeiro de 2026 — A Polícia Civil do Distrito Federal detalhou as investigações sobre uma série de crimes cometidos dentro do Hospital Anchieta, em Brasília, que resultaram na morte de três pacientes internados na UTI. Segundo a apuração, um técnico de enfermagem injetou cloreto de potássio e desinfetante diretamente na veia das vítimas, provocando paradas cardíacas sucessivas.
O principal investigado é o técnico de enfermagem Marcos Vinicius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, preso temporariamente. De acordo com a polícia, ele teria contado com a participação de outras duas técnicas de enfermagem, Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, e Amanda Rodrigues de Sousa, de 28, que também estão presas. A polícia apura se há mais vítimas além das três já identificadas.
As investigações começaram após a abertura de uma sindicância interna no hospital, motivada por duas mortes registradas no dia 17 de novembro, quando pacientes sofreram paradas cardíacas em sequência durante a tarde e morreram horas depois.
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As vítimas são Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, internada por constipação, e João Clemente Pereira, de 63, que apresentava tonturas e foi diagnosticado com um hematoma cerebral. A sindicância inicial apontou relação direta entre as mortes e a atuação dos técnicos Marcos Vinicius e Marcela Camilly. Dias depois, imagens de câmeras de segurança da UTI indicaram a presença de uma terceira técnica nos procedimentos.
“Cada vez que ele injetava alguma substância, em segundos os pacientes apresentavam parada cardíaca”, afirmou o delegado Wislley Salomão.
Segundo a investigação, Marcos Vinicius utilizou a senha de médicos ausentes para registrar no sistema a prescrição de cloreto de potássio, substância que não tinha indicação médica para os pacientes. Após buscar o medicamento na farmácia da UTI, ele realizou sucessivas aplicações, provocando paradas cardíacas.
Especialistas explicam que o cloreto de potássio pode causar arritmias graves e levar à parada do coração, dependendo da dose e da velocidade da aplicação. Além disso, a perícia identificou que o técnico também injetou desinfetante nos pacientes, agravando o quadro clínico.
Câmeras de segurança instaladas nos leitos da UTI mostraram que o desinfetante foi aplicado tanto em Miranilde quanto em João Clemente. Após múltiplas tentativas de reanimação, Miranilde morreu ainda no hospital. João Clemente faleceu na madrugada seguinte.
A terceira vítima é Marcos Raymundo Moreira, carteiro, internado no dia 18 de novembro com suspeita de pancreatite. Mesmo sem histórico cardíaco, ele sofreu paradas cardíacas e morreu após receber uma injeção aplicada pelo mesmo técnico, segundo a polícia.
Confrontado com as imagens, Marcos Vinicius teria admitido os crimes em depoimento. As técnicas Marcela e Amanda foram encaminhadas à penitenciária feminina. A polícia afirma que ambas presenciaram as aplicações e não agiram para impedir.
Em nota, o Hospital Anchieta declarou solidariedade às famílias das vítimas e repudiou os atos criminosos, afirmando que se tratam de condutas individuais, praticadas à revelia da instituição. O Conselho Regional de Enfermagem do DF também se manifestou, alertando para que o caso não gere generalizações contra a categoria.
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