

Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, no centro do debate institucional envolvendo a liquidação do Banco Master | Foto: reprodução
07 de janeiro de 2026 – O ministro Jonathan de Jesus, relator do caso do Banco Master no Tribunal de Contas da União (TCU), decidiu paralisar o pedido de inspeção técnica no Banco Central do Brasil (BC). A informação foi confirmada pelo presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, que também afirmou que não haverá qualquer revisão da decisão que decretou a liquidação da instituição financeira.
“Não vai haver desliquidação”, declarou Vital, ao comentar o andamento do processo que envolve o banco, liquidado após investigações que apontaram indícios de fraudes financeiras.
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A autorização para a inspeção técnica havia aberto uma nova frente de tensão institucional entre o TCU e o Banco Central. A iniciativa partiu de técnicos do próprio tribunal, durante o recesso, com o objetivo de analisar documentos que embasaram a decisão do BC de liquidar o Banco Master.
O Banco Central reagiu reforçando a defesa de sua autonomia técnica, enquanto o episódio reacendeu o debate sobre os limites da atuação do TCU sobre a autoridade monetária, em um contexto em que o caso também é acompanhado pelo Supremo Tribunal Federal e está sob investigação criminal.
Segundo Vital do Rêgo, ele retorna a Brasília na próxima semana para conduzir pessoalmente um processo de mediação. O presidente do tribunal afirmou ainda que mantém contato direto com o relator do caso e que já conversou com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Reuniões conjuntas estão previstas para discutir os próximos passos.
“A autonomia do Banco Central é fundamental, mas o BC não é intocável aos olhos do controle”, afirmou Vital, ao defender a competência constitucional do TCU para fiscalizar órgãos federais.
A decisão inicial de autorizar a inspeção técnica foi formalizada na segunda-feira (5). No despacho, o TCU apontou que a nota técnica enviada pelo Banco Central ao tribunal apresentou apenas a cronologia dos fatos e os fundamentos da liquidação do Banco Master, sem anexar documentos comprobatórios das suspeitas levantadas.
De acordo com o tribunal, a ausência de provas materiais dificultou a verificação direta dos indícios de fraudes e desvios que sustentaram a decisão do BC. Por esse motivo, técnicos solicitaram acesso aos documentos sigilosos diretamente na sede do Banco Central, sem retirada do material.
A inspeção previa analisar alertas emitidos pelo BC ao longo do tempo, medidas de supervisão adotadas, alternativas de mercado consideradas e a possibilidade de uma chamada “saída organizada” antes da decretação da liquidação.
O Banco Master teve sua liquidação decretada após a deflagração da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, em novembro do ano passado. A ação resultou na prisão do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, investigado por fraude financeira e pela suposta venda de títulos de crédito falsos.
Apesar da suspensão da inspeção técnica, o TCU reafirma que possui competência constitucional para fiscalizar o Banco Central. Segundo Vital do Rêgo, os artigos 70 e 71 da Constituição atribuem ao tribunal o controle externo da administração pública federal, incluindo autarquias como o BC.
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Tags: Banco Master, TCU, Tribunal de Contas da União, Banco Central, inspeção no Banco Central, liquidação bancária, sistema financeiro, fiscalização pública, controle externo, autonomia do Banco Central, operação Compliance Zero, Daniel Vorcaro, fraudes financeiras, política econômica, Portal Terra Da Luz