

Segundo a reportagem, ao menos 16 embarcações alvo de sanções dos EUA conseguiram deixar a zona de bloqueio naval | Foto: reprodução
05 de janeiro de 2026 – Mais de dez navios petroleiros venezuelanos romperam o bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos e deixaram as águas da Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A informação foi divulgada pelo jornal americano The New York Times, que aponta um movimento coordenado iniciado no último sábado (3), poucas horas após a ofensiva militar norte-americana em Caracas.
Segundo a reportagem, ao menos 16 embarcações alvo de sanções dos EUA conseguiram deixar a zona de bloqueio naval, apesar das restrições impostas ao petróleo venezuelano. O bloqueio segue em vigor mesmo após a queda de Maduro, conforme reafirmou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no fim de semana.
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O site especializado em rastreamento marítimo TankerTrackers confirmou a movimentação e informou que cerca de 12 petroleiros carregados de petróleo deixaram as águas venezuelanas operando em “modo escuro”, quando os sistemas de rastreamento são desligados para evitar identificação.
De acordo com os dados, as embarcações aproveitaram brechas no monitoramento naval para escapar do bloqueio, numa tentativa de escoar a produção petrolífera do país em meio ao colapso político e institucional provocado pela captura do presidente venezuelano.
No domingo (4), Marco Rubio declarou que os Estados Unidos não pretendem governar diretamente a Venezuela, mas continuarão aplicando a chamada “quarentena do petróleo”, mecanismo já adotado antes da prisão de Maduro. A fala contrasta com declarações do presidente Donald Trump, que afirmou que Washington estaria “no comando” do país durante o período de transição.
Em entrevista ao programa Face the Nation, da emissora CBS, Rubio afirmou que o bloqueio energético será utilizado como instrumento de pressão política. Segundo ele, o objetivo é forçar mudanças estruturais na gestão da indústria do petróleo e combater o tráfico internacional de drogas. “Mantemos essa quarentena e esperamos ver mudanças reais”, disse.
Após a deposição de Nicolás Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente a presidência da Venezuela. A decisão foi tomada pelo Tribunal Supremo de Justiça do país com o argumento de garantir a “continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”.
As Forças Armadas venezuelanas reconheceram oficialmente Rodríguez como presidente interina. Em pronunciamento em rede nacional, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, afirmou que ela permanecerá no cargo por 90 dias, período considerado essencial para reorganização institucional.
Donald Trump afirmou neste domingo que os Estados Unidos estão “no comando” da Venezuela após a captura de Maduro. Questionado sobre o papel de Delcy Rodríguez, o presidente americano disse que Washington lida diretamente com a nova liderança interina, mas evitou detalhar como será conduzida a transição política no país.
“Estamos lidando com as pessoas que acabaram de assumir. Estamos no comando”, declarou Trump a jornalistas.
Nicolás Maduro chegou a um centro de detenção em Nova York no fim da noite de sábado (3), após ser capturado por forças americanas em Caracas. Ele foi levado inicialmente à sede da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), onde passou por procedimentos de custódia.
A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou que Maduro e sua esposa responderão a acusações formais de narcotráfico e outros crimes federais. A primeira audiência do ex-presidente venezuelano está marcada para esta segunda-feira (5), às 14h (horário de Brasília), no Tribunal Distrital Federal de Manhattan, sob condução do juiz Alvin K. Hellerstein.
Ainda nesta segunda-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas deve se reunir para discutir a legalidade da captura de Maduro e os desdobramentos internacionais da ação americana. O encontro ocorre em meio a crescentes tensões diplomáticas e questionamentos sobre soberania e direito internacional.
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