

Vice-presidente do governo chavista na Venezuela, Delcy Rodríguez, discursa na Assembleia da ONU nesta sexta-feira (27) | Foto: Eduardo Munoz/Reuters
03 de janeiro de 2026 – O governo da Venezuela afirmou neste sábado (3) que ainda não foi informado sobre o paradeiro do presidente Nicolás Maduro após a ofensiva militar anunciada pelos Estados Unidos. Em pronunciamento oficial, a vice-presidente Delcy Rodríguez declarou desconhecer onde estão Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, e exigiu que o governo do presidente americano Donald Trump apresente uma prova de vida do líder venezuelano.
A declaração ocorre poucas horas depois de Trump afirmar que forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram Maduro, que teria sido retirado do país por via aérea, juntamente com a esposa.
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Em discurso transmitido por rádio, Delcy Rodríguez classificou a operação americana como uma ação “brutal” e afirmou que o país ativou todos os mecanismos de defesa previstos pelo governo chavista. Segundo ela, o presidente Maduro já havia alertado a população sobre a possibilidade de uma ofensiva desse tipo.
De acordo com a vice-presidente, foram acionados planos de defesa integral da nação, incluindo a mobilização das Forças Armadas, milícias e estruturas de segurança interna. Rodríguez não detalhou como ficará a condução do governo venezuelano diante do desaparecimento do presidente.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a ação foi conduzida em conjunto com forças de segurança americanas. Ele não informou o destino de Maduro e da primeira-dama, mas afirmou que novos detalhes sobre a operação serão apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para a tarde deste sábado.
Durante a madrugada, uma série de explosões foi registrada em Caracas. Segundo a agência Associated Press, ao menos sete explosões ocorreram em um intervalo de cerca de 30 minutos. Moradores relataram tremores, barulho de aeronaves voando em baixa altitude e correria nas ruas.
Partes da capital venezuelana ficaram sem energia elétrica, especialmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul da cidade. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves sobrevoando Caracas.
Após o início da ofensiva, o governo venezuelano divulgou um comunicado afirmando que o país está sob ataque estrangeiro. Caracas não confirmou oficialmente a captura de Maduro, mas informou que foi decretado estado de Comoção Exterior em todo o território nacional.
No texto, o governo acusa os Estados Unidos de promover uma “agressão imperialista” com o objetivo de impor uma mudança de regime e tomar recursos estratégicos do país, especialmente petróleo e minerais. A Venezuela declarou ainda que se reserva ao direito de exercer legítima defesa e convocou governos da América Latina e do Caribe a se mobilizarem em solidariedade.
A escalada de tensão entre Washington e Caracas se intensificou desde agosto, quando os Estados Unidos elevaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Nicolás Maduro. Na ocasião, o governo americano reforçou a presença militar no Mar do Caribe.
Inicialmente, a Casa Branca afirmou que as operações tinham como foco o combate ao narcotráfico. Com o passar dos meses, autoridades americanas passaram a indicar que o objetivo seria a derrubada do governo chavista. Em novembro, Trump e Maduro chegaram a conversar por telefone, mas as negociações não avançaram.
No mesmo período, os EUA classificaram o Cartel de los Soles como organização terrorista, acusando Maduro de liderar o grupo. Nas últimas semanas, navios petroleiros venezuelanos foram apreendidos, e Washington ampliou o bloqueio contra embarcações alvos de sanções internacionais.
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