

África formará um novo mar: fenda visível no Rift Africano revela a separação gradual das placas tectônicas no continente | Foto: reprodução/YouTube
31 de dezembro de 2025 – A ideia de que a África formará um novo mar não pertence ao campo da ficção científica. Ela é resultado de décadas de observação geológica no leste do continente, onde forças internas da Terra atuam de forma lenta, porém contínua, remodelando a paisagem. Embora imperceptível no cotidiano das populações locais, o processo já está em curso e indica a formação de um novo oceano em um futuro distante.
O fenômeno ocorre no Sistema de Rift da África Oriental, uma das regiões geologicamente mais ativas do planeta, onde a crosta terrestre está literalmente se abrindo.
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O processo que explica por que a África formará um novo mar acontece ao longo de uma extensa fratura que atravessa países como Etiópia, Quênia, Tanzânia e Moçambique. Nessa área, a Placa Africana está se dividindo em duas grandes estruturas: a Placa Núbia, maior, e a Placa Somali, que se desloca lentamente em direção ao leste.
Essa separação ocorre a um ritmo de poucos centímetros por ano — quase imperceptível em escala humana, mas extremamente significativo ao longo de milhões de anos. A origem do fenômeno remonta à região de Afar, no norte da Etiópia, onde a atividade tectônica começou há cerca de 30 milhões de anos e, desde então, avança gradualmente para o sul.
Esse movimento vem moldando o relevo, criando vales profundos, lagos alongados e áreas de instabilidade no solo. Estudos publicados na revista científica Nature Geoscience apontam que esses sinais são fundamentais para compreender como continentes se fragmentam e oceanos se formam ao longo da história da Terra.
Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em 2005, quando uma fenda de aproximadamente 60 quilômetros se abriu no oeste da Etiópia em questão de dias, com deslocamentos do solo que chegaram a dois metros. O evento ganhou repercussão internacional por tornar visível um processo geológico que normalmente acontece fora do alcance da percepção humana.
Segundo a geóloga Lucia Pérez Díaz, do Royal Holloway College, episódios como esse evidenciam a atividade constante ao longo do vale do Rift Africano. À medida que a separação entre as placas se aprofunda, a água do mar poderá invadir a fenda. Com o passar de dezenas de milhões de anos, esse avanço contínuo dará origem a um novo braço oceânico — um fenômeno já observado em outras regiões do planeta.
Mesmo distante na escala do tempo humano, o processo pelo qual a África formará um novo mar oferece uma oportunidade única de observar a Terra em transformação. Cada fissura, lago ou terremoto moderado reforça que o planeta permanece ativo, revelando como continentes se reorganizam e novos oceanos surgem ao longo das eras geológicas.
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