

Sem medo de serem flagrados, integrantes de grupos de Whatsapp negociam ilícitos abertamente, como se fosse um mercado legal | Foto: reprodução/InfoMoney
28 de dezembro de 2025 — Investigações obtidas por autoridades policiais revelam como o crime organizado no Rio de Janeiro passou a utilizar o WhatsApp como uma verdadeira plataforma de negócios ilegais. Em grupos no aplicativo, traficantes negociam armas, munições e drogas, planejam roubos e administram bocas de fumo com naturalidade, como se estivessem em um mercado formal.
Segundo os inquéritos, criminosos atuam sem receio de vigilância, aproveitando a comunicação rápida e a sensação de segurança proporcionada pela criptografia do aplicativo. As apurações mostram ainda que a tecnologia tem ampliado os lucros e facilitado a integração entre diferentes facções.
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Em uma das investigações, que apurou a atuação de traficantes do Espírito Santo no Rio, a polícia teve acesso a uma rede paralela de negociações que operava abertamente em grupos de WhatsApp. A quebra de sigilo telefônico de um criminoso revelou ao menos seis grupos distintos, usados exclusivamente para a compra e venda de produtos ilícitos.
Entre eles estavam grupos com nomes como “Desapegando do Complexo”, “Bom Negócio da Maré” e “Mercado Negro Zona Norte”, que reuniam centenas de integrantes. Nessas comunidades virtuais, anúncios de drogas, armas e equipamentos bélicos eram publicados diariamente.
Relatórios indicam que os produtos anunciados eram revendidos para organizações como Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP) e Amigos dos Amigos (ADA). Em mensagens obtidas pela polícia, administradores dos grupos chegaram a estabelecer regras para garantir a segurança das transações, permitindo negociações inclusive entre facções rivais.
Para os investigadores, esse tipo de orientação contribui para o fortalecimento do crime organizado ao reduzir conflitos internos e ampliar o alcance das atividades ilícitas.
Conversas analisadas mostram criminosos oferecendo armas, munições e acessórios militares, como coletes, rádios, lunetas, granadas e roupas táticas. As mensagens, muitas vezes acompanhadas de emojis e linguagem informal, indicam a banalização do comércio ilegal.
As drogas também eram anunciadas com fotos e descrições detalhadas. Em um dos grupos, o quilo da maconha chegou a ser ofertado por cerca de R$ 1.200, com divulgação para mais de mil integrantes. Segundo a polícia, alguns desses grupos acumulavam dezenas de milhares de mensagens voltadas exclusivamente ao abastecimento de drogas e armamentos.
Outra investigação revelou que lideranças do crime continuam comandando o tráfico mesmo quando foragidas. A análise do celular de um dos chefes do Comando Vermelho mostrou a existência de uma rede de grupos usados para monitorar a movimentação policial e gerenciar pontos de venda de drogas em diferentes comunidades.
Por meio dessas conversas, criminosos acompanham operações das forças de segurança e mantêm o controle das atividades ilícitas em tempo real.
O uso do aplicativo não se restringe ao tráfico. Investigações apontaram que quadrilhas especializadas em roubos de joias e relógios de luxo também utilizavam grupos no WhatsApp para planejar crimes. Em um dos casos, criminosos monitoraram a vítima antes de um assalto, apagando as mensagens após a execução do roubo para dificultar a identificação.
Especialistas destacam que o avanço tecnológico transformou a dinâmica da criminalidade. Para pesquisadores, as ferramentas digitais tornaram a gestão do crime mais eficiente, ao mesmo tempo em que impõem desafios às autoridades.
O debate sobre privacidade e quebra de sigilo permanece em discussão no Supremo Tribunal Federal, que avalia se empresas de tecnologia devem ser obrigadas a fornecer dados criptografados às autoridades em investigações criminais. O impasse envolve o equilíbrio entre repressão ao crime e garantia das liberdades individuais.
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Tags: crime organizado, WhatsApp, tráfico de drogas, venda de armas, facções criminosas, segurança pública, investigação policial, Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro, Amigos dos Amigos, tecnologia e crime, criptografia, privacidade digital, roubos planejados, mercado ilegal, Rio de Janeiro, Portal Terra Da Luz