

Contrato assinado pelo Ministério da Saúde e o Instituto Butantan garante a chegada das primeiras doses | Foto: reprodução
27 de dezembro de 2025 — O Instituto Butantan iniciou a entrega das primeiras doses da vacina contra a dengue ao Ministério da Saúde, marcando um avanço histórico no enfrentamento da doença no Brasil. O primeiro lote é composto por 300 mil doses do imunizante Butantan-DV, a primeira vacina de dose única contra a dengue desenvolvida no mundo.
A vacina foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pessoas de 12 a 59 anos e será ofertada exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os estudos clínicos indicam eficácia de quase 75% contra casos gerais, mais de 91% contra casos graves e 100% de proteção contra hospitalizações.
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O contrato de aquisição das primeiras doses foi assinado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e garante um investimento inicial de R$ 368 milhões para o fornecimento de 3,9 milhões de doses à rede pública. Até o fim de janeiro de 2026, mais 1 milhão de doses devem ser entregues ao Programa Nacional de Imunizações (PNI).
No momento da assinatura, 300 mil doses já estavam embaladas e prontas para entrega. Esse quantitativo faz parte de um total de 1,3 milhão de doses fabricadas, que serão destinadas prioritariamente aos profissionais da Atenção Primária à Saúde, que atuam na linha de frente do SUS.
Segundo o Ministério da Saúde, as primeiras doses serão direcionadas a profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e equipes que realizam visitas domiciliares. Estão incluídos agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias, enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos.
A estratégia de vacinação deve começar no fim de janeiro de 2026 e será utilizada para avaliar o impacto do imunizante na dinâmica da dengue no país.
“Hoje é um dia de grande vitória para o Brasil. Este contrato é essencial para garantir que as vacinas cheguem ao Ministério da Saúde e sejam distribuídas em todo o país”, afirmou o ministro Alexandre Padilha, ao destacar o trabalho conjunto de pesquisadores e servidores do Instituto Butantan.
O registro da vacina foi publicado pela Anvisa em 8 de dezembro, oficializando a conclusão do processo regulatório e autorizando a produção e comercialização do imunizante. A Butantan-DV protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue e apresenta esquema vacinal simples, o que facilita a adesão da população.
Estudos clínicos de fase três apontaram 89% de proteção contra dengue grave e com sinais de alarme, além de eficácia prolongada por até cinco anos. O Instituto Butantan também estuda a ampliação da faixa etária, incluindo idosos acima de 60 anos e crianças de 2 a 11 anos.
Para avaliar o impacto populacional da vacina, o Ministério da Saúde realizará uma ação de aceleração da vacinação em municípios-piloto, como Botucatu (SP) e Maranguape (CE). Uma terceira cidade, Nova Lima (MG), também poderá integrar a estratégia.
Nessas localidades, o público-alvo inicial será composto por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, conforme recomendação da Câmara Técnica de Assessoramento de Imunização (CTAI).
A ampliação da vacinação em larga escala dependerá do aumento da produção do imunizante, que será viabilizado por uma parceria estratégica entre Brasil e China. A tecnologia desenvolvida pelo Instituto Butantan será transferida para a empresa chinesa WuXi Vaccines, permitindo que a produção aumente em até 30 vezes.
O desenvolvimento da vacina contou com investimento de R$ 130 milhões do BNDES, além de aportes contínuos do Ministério da Saúde. Com a parceria internacional, os investimentos em produção nacional de imunizantes estratégicos podem chegar a R$ 15 bilhões.
Em 2025, o Brasil registrou uma redução de 75% nos casos prováveis de dengue e de 72% nos óbitos, em comparação com 2024. Apesar da melhora no cenário epidemiológico, o Ministério da Saúde reforça que o combate ao Aedes aegypti e as ações de prevenção seguem sendo fundamentais.
Atualmente, o SUS também oferece a vacina contra a dengue do laboratório japonês, indicada para adolescentes de 10 a 14 anos, aplicada em duas doses. Desde a incorporação ao PNI, mais de 7,4 milhões de doses já foram aplicadas em todo o país.
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