

21 de dezembro de 2025. O anúncio de um bloqueio petrolífero “total e completo” contra a Venezuela, feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acendeu um novo alerta sobre os impactos econômicos e humanitários no país sul-americano. Analistas ouvidos pela BBC avaliam que a medida pode não apenas aprofundar a crise venezuelana, como também gerar consequências negativas para Washington, incluindo aumento da migração e desgaste político interno.
Para a Venezuela, o petróleo é o eixo central da economia e a principal fonte de divisas usadas para importar alimentos, medicamentos e bens essenciais. Qualquer restrição severa à exportação do produto tende a atingir não apenas o governo de Nicolás Maduro, mas também milhões de cidadãos que já convivem com escassez e inflação elevada.
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Com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, a Venezuela produz atualmente cerca de 1 milhão de barris por dia — número muito inferior aos mais de 3 milhões registrados no fim da década de 1990. A queda é atribuída à má gestão, falta de investimentos, corrupção, evasão de mão de obra qualificada e sanções internacionais.
Segundo especialistas, o impacto global do bloqueio tende a ser limitado no curto prazo, mas seus efeitos internos podem ser profundos. Parte significativa das exportações venezuelanas ocorre por meio de petroleiros sancionados, conhecidos como “navios fantasmas”. Relatórios apontam que mais de 40% das embarcações que operavam na costa do país estavam sob sanções internacionais.
Economistas alertam que a restrição à exportação forçará o governo Maduro a vender petróleo com descontos ainda maiores em mercados paralelos, reduzindo a arrecadação. A consequência direta tende a ser a desvalorização do bolívar, aumento da inflação e retração do Produto Interno Bruto (PIB).
De acordo com projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), a inflação venezuelana deve fechar 2025 em torno de 269,9%. Um bloqueio prolongado pode elevar ainda mais esses índices e comprometer a já frágil recuperação econômica observada nos últimos anos.
Embora Trump afirme que o objetivo da ação é combater o narcotráfico e enfraquecer o governo Maduro, analistas avaliam que a estratégia pode não resultar em mudança de regime. Caso a população venezuelana passe a associar o agravamento da crise às sanções externas, a oposição interna também pode ser enfraquecida.
Especialistas destacam ainda que o aumento da pobreza tende a impulsionar novas ondas migratórias. Dados da ONU indicam que quase sete milhões de venezuelanos já deixaram o país, configurando uma das maiores crises migratórias do mundo.
O possível crescimento do fluxo migratório para países vizinhos e para os próprios Estados Unidos é visto como um risco político para Trump. Economistas apontam que, se a imigração venezuelana aumentar de forma significativa, o tema pode pesar nas eleições de meio de mandato, afetando o apoio eleitoral ao governo norte-americano.
Nesse cenário, o bloqueio petrolífero surge como uma medida de alto impacto, mas de resultados incertos, com potencial para aprofundar a crise humanitária na Venezuela e criar desafios diplomáticos e políticos adicionais para Washington.
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