

Mercado automotivo reacende dúvida entre carro novo e seminovo | Foto: Shutterstock
13 de dezembro de 2025 — Comprar um carro zero quilômetro ou investir em um seminovo completo voltou a ser uma das principais dúvidas dos brasileiros que pretendem trocar de automóvel. A recente redução nos preços dos veículos novos reacendeu o debate sobre o que compensa mais: um modelo novo, porém básico, ou um usado mais equipado, com mais tecnologia, conforto e segurança.
Um levantamento da consultoria MegaDealer, em parceria com a plataforma Auto Avaliar, aponta que o mercado automotivo brasileiro passa por uma reconfiguração. Após meses de dificuldade de acesso ao carro zero, os descontos médios nos veículos novos chegaram a 7,3% entre janeiro e agosto e ficaram em 7% em outubro, devolvendo competitividade às concessionárias.
Segundo o Estudo de Preços de Veículos Zero Km (PVZ), o preço médio real de venda caiu para R$ 157.785, abaixo dos R$ 169.580 sugeridos pelas montadoras. Nos hatches compactos, os descontos chegam a 7,5%, estimulando principalmente quem busca o primeiro carro novo.
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O impacto da redução de preços já aparece no giro das concessionárias, que registram reposição média de 38 dias, conforme explica o country manager da MegaDealer, Fábio Braga. “A redução no preço dos modelos de entrada tornou o carro novo mais competitivo e voltou a atrair o consumidor”, avalia.
Apesar disso, o cenário não enfraqueceu o segmento de usados, que segue aquecido e, em muitos casos, ainda oferece vantagens claras para o comprador.
Dados do estudo Performance de Veículos Usados (PVU) mostram que os seminovos, especialmente os de 1 a 3 anos de uso, continuam entre os mais procurados. Eles combinam tecnologia atual, menor quilometragem e preços mais acessíveis.
O preço médio dos usados em outubro ficou em R$ 89.654, com giro médio também de 38 dias, segundo o CEO da Auto Avaliar, J. R. Caporal. “Um seminovo pode custar de 20% a 30% menos que o zero equivalente, sem sofrer a forte desvalorização inicial dos primeiros meses”, explica.
Além do valor de compra mais baixo, o seminovo tende a ter custos menores com IPVA e seguro, reduzindo o gasto total anual do proprietário.
O carro zero, mesmo em versões mais simples, oferece vantagens como garantia de fábrica, menor manutenção nos primeiros anos, facilidade de financiamento e possibilidade de personalização gradual.
Já o seminovo completo entrega mais itens de conforto, tecnologia e segurança, além de melhor relação custo-benefício por equipamento. Por outro lado, exige maior atenção à procedência, histórico de manutenção e possíveis custos futuros.
Segundo Braga, o consumidor brasileiro está cada vez mais racional. “Muitos abrem mão do zero se o seminovo estiver em bom estado e com preço justo”, afirma.
Especialistas recomendam cautela na decisão. Para quem opta por um seminovo, é fundamental verificar o histórico do veículo, checar documentação e recalls, realizar test drive e contar com a avaliação de um mecânico de confiança.
“A escolha não pode ser apenas emocional. É preciso avaliar aceitação do modelo no mercado e a tendência de desvalorização futura”, alerta Caporal.
No atual cenário, não existe resposta única. A decisão passa menos pelo sonho do carro novo e mais pelo equilíbrio entre preço, tecnologia, manutenção e revenda. A queda nos valores do zero quilômetro ampliou as opções, dando ao consumidor mais poder de escolha. “Hoje, a decisão depende menos da emoção e mais da conta que cabe no bolso”, resume Braga.
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