

A Neoin oferecia aos investidores um modelo de negócio que previa pagamento de rendimento mensal de 2% até a conclusão dos empreendimentos | Foto: reprodução/Fantástico/TV Globo
10 de novembro de 2025 — A Polícia Civil de São Paulo investiga uma grande fraude envolvendo a incorporadora Neoin, acusada de montar uma pirâmide financeira que teria causado um prejuízo estimado em R$ 200 milhões. A empresa prometia lucros mensais de até 2% e entrega de apartamentos que, em muitos casos, nunca saíram do papel. Segundo as investigações, mais de 1.200 investidores foram vítimas do esquema.
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A Neoin se apresentava como uma incorporadora imobiliária tradicional, oferecendo aos clientes a chance de investir em empreendimentos na planta com promessa de rendimentos mensais bem acima do mercado. Segundo a polícia, o golpe combinava promessas de retorno financeiro com a garantia de imóveis prontos — que nunca foram entregues.
O casal Gilberto Alves de Melo e sua esposa investiu R$ 410 mil após acreditar nas promessas da empresa. Já Letícia Ferrari, que desembolsou R$ 60 mil na compra de um imóvel, relatou que o sonho da casa própria se transformou em frustração. Outra vítima, Maria, continuou pagando suas parcelas mesmo durante o tratamento de um câncer de mama. “Moro no fundo de quintal porque não consigo pagar aluguel”, contou emocionada.
O empresário Daniel Bernal, fundador da Neoin, costumava afirmar nas redes sociais que a empresa tinha o propósito de “construir moradias que fazem a diferença na vida das pessoas”. No entanto, as investigações apontam que muitos empreendimentos sequer foram iniciados.
A Neoin oferecia aos investidores um modelo de negócio que previa pagamento de rendimento mensal de 2% até a conclusão dos empreendimentos. O atrativo principal era a promessa de que, se o negócio não prosperasse, o cliente receberia um imóvel como compensação.
Nos primeiros meses, os rendimentos eram pagos, o que gerou confiança e estimulou novos aportes. Mas, com o tempo, os pagamentos cessaram, e as obras pararam. Imagens obtidas pelo Fantástico mostram prédios inacabados e estruturas abandonadas.
“O que nos fez investir foi a garantia de um imóvel. No começo, tudo parecia certo. Depois, o dinheiro sumiu e os imóveis nunca ficaram prontos”, disse Gilberto.
A empresa usava um marketing digital agressivo, promovendo eventos e palestras para atrair novos investidores. No entanto, as denúncias começaram a surgir no início deste ano, quando os pagamentos pararam. “Pagaram até abril, depois começaram a alegar má gestão”, relatou uma das vítimas.
De acordo com o advogado Jorge Calazans, mais de mil pessoas foram prejudicadas. “Notamos indícios claros de crime financeiro e levamos o caso à autoridade policial”, afirmou.
O delegado Rodrigo Costa, responsável pela investigação, explicou que o esquema tinha características típicas de uma pirâmide financeira. “Esses sistemas funcionam até que novos investidores parem de entrar. Quando isso acontece, a estrutura colapsa. Os produtos oferecidos, como os imóveis da Neoin, eram apenas fachada”, disse.
Em setembro, a Polícia Civil realizou a operação “Prédios de Areia”, que cumpriu mandados de busca e apreensão nas sedes da empresa e residências dos envolvidos. Foram apreendidos documentos, computadores e os passaportes de Daniel Bernal e quatro sócios, que são investigados por crime contra a economia popular, estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Os imóveis visitados pela reportagem estão em estado de abandono, com infiltrações, sujeira e até moradores improvisados. A Justiça determinou o bloqueio dos bens e a quebra de sigilo bancário dos investigados.
A defesa de Daniel Bernal alegou que não houve fraude, apenas má gestão financeira, e afirmou que os clientes serão reembolsados conforme decisão do juízo de recuperação judicial. “Existe patrimônio para pagar. Essa dívida certamente será quitada”, declarou o advogado do empresário.
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