

A festa, que mistura espiritualidade, arte e alegria, tomou as ruas de cidades como Cidade do México | Foto: Tomas Bravo/Reuters
02 de novembro de 2025 — O México viveu neste fim de semana uma das celebrações mais emblemáticas de sua cultura: o Dia de los Muertos, que ocorre entre 31 de outubro e 2 de novembro. A festa, que mistura espiritualidade, arte e alegria, tomou as ruas de cidades como Cidade do México, com desfiles repletos de cores, flores e símbolos tradicionais como a La Catrina, a caveira elegante que se tornou ícone da data no início do século XX.
Na avenida Paseo de la Reforma, milhares de pessoas se reuniram para acompanhar o espetáculo, que trouxe referências pré-hispânicas, fantasias com plumas, carros alegóricos e até grupos inclusivos com cadeirantes. A atmosfera de celebração e reverência aos ancestrais reforça o caráter único dessa tradição mexicana.
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Embora seja uma data de profundo simbolismo, o Dia de los Muertos também exerce grande impacto na economia mexicana. Segundo levantamento da Concanaco-Servytur, a edição de 2025 deve gerar cerca de 49,5 bilhões de pesos — o equivalente a R$ 14,5 bilhões — em atividade comercial, representando um crescimento de 9,2% em relação ao ano anterior.
O turismo, responsável por cerca de 9% do PIB do México e por 4,5 milhões de empregos diretos, é um dos setores mais impulsionados. Além disso, a festa movimenta segmentos como floricultura, especialmente o cultivo da cempasúchil (a “flor dos mortos”), gastronomia tradicional, artesanato, comércio de fantasias e decoração, hospedagem e transporte.
A origem do Dia de los Muertos combina rituais indígenas de colheita e culto aos ancestrais com as celebrações católicas de Todos os Santos e Finados. A figura da Catrina, criada pelo gravurista José Guadalupe Posada e batizada por Diego Rivera, surgiu como uma crítica social, satirizando a elite mexicana que rejeitava suas raízes indígenas.
Atualmente, o evento transcende fronteiras e se consolidou como um patrimônio cultural imaterial da humanidade, projetando o México no turismo internacional. Pesquisas apontam que o gasto médio das famílias com a celebração varia entre 1.100 e 1.500 pesos, e que os preços de velas, flores e decorações aumentaram até 30% em 2025.
Entretanto, o setor enfrenta desafios, como os efeitos da mudança climática sobre o cultivo da flor cempasúchil, que registrou perdas de até 50% nas plantações neste ano, ameaçando uma das cadeias produtivas mais simbólicas da festividade.
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