

Imagens feitas com veículo não tripulado mostram cânion que corta Elevação do Rio Grande | Foto: Luigi Jovane/USP
08 de julho de 2025 — O Brasil busca junto à Organização das Nações Unidas (ONU) o reconhecimento da Elevação do Rio Grande (ERG) como parte do território nacional. A formação geológica submersa tem dimensões semelhantes às da Espanha e está localizada a cerca de 1.200 km da costa do Rio Grande do Sul, submersa a 5 mil metros de profundidade no Oceano Atlântico.
Estudos indicam que a ERG é uma continuação natural do território continental brasileiro. Análises feitas pela Universidade de São Paulo (USP) mostram que o solo da região tem composição geológica semelhante à do interior paulista. A área abriga ainda reservas de minerais estratégicos, como as terras raras, essenciais para setores como energia renovável, tecnologia médica e defesa.
>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<
A reivindicação foi feita com base na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), que permite a ampliação da plataforma continental dos países além das 200 milhas náuticas da costa, desde que haja comprovação de continuidade geológica.
Desde fevereiro de 2025, o pedido brasileiro está em análise na Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC). Se aprovado, o Brasil poderá exercer soberania sobre os recursos minerais do leito marinho e do subsolo da região, mesmo estando em águas internacionais.
Segundo o pesquisador Luigi Jovane (USP), há indícios de que a área foi uma ilha ligada ao continente em um passado geológico recente, o que reforça a tese da continuidade territorial.
A CNUDM estabelece que todos os países litorâneos têm direito a uma Zona Econômica Exclusiva (ZEE) de até 200 milhas náuticas. No entanto, é possível requerer a ampliação da plataforma continental além dessa faixa — exatamente o que o Brasil faz no caso da ERG.
Embora a ONU não decida sobre soberania territorial, ela pode reconhecer o direito exclusivo de exploração econômica da região. Com a aprovação da CLPC, apenas o Brasil poderá explorar os recursos da Elevação do Rio Grande.
A ERG é considerada uma das áreas mais promissoras para a exploração de terras raras, um grupo de 17 minerais essenciais para a transição energética e a indústria de alta tecnologia. Esses elementos estão presentes em baterias de carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos e sistemas de defesa.
O Brasil já possui a segunda maior reserva global de terras raras, com cerca de 21 milhões de toneladas. No entanto, ainda depende de tecnologia estrangeira para o beneficiamento e a industrialização desses materiais.
Segundo a pesquisadora Carina Ulsen, da USP, a ERG apresenta “concentrações anômalas” desses minerais, o que pode transformar a região em uma nova fronteira econômica. A exploração, porém, demandará tecnologia de mineração em grandes profundidades, ainda em desenvolvimento no país.
Leia também | Brasil e China firmam parceria para ferrovia que ligará Atlântico ao Pacífico via porto no Peru
Tags: elevação do rio grande, ilha submersa, plataforma continental brasileira, minerais estratégicos, terras raras, direito do mar, onu, cnumd, soberania marítima, recursos naturais, oceano atlântico, usp, transição energética, tecnologia brasileira, mineração em profundidade