

Espetáculo “Só Para Não Esquecer” chega a Fortaleza como ato de resistência e memória | Fotos: Joakim Fotografias / Nilo Rocha
03 de junho de 2025 — No dia 06 de junho, às 19 horas, o Centro Cultural Arte de Viver, no bairro Montese, em Fortaleza, receberá o espetáculo “Só Para Não Esquecer”, da Companhia Teatro Movimento em parceria com o Teatro da Solidão Solidária (TSS). A apresentação será seguida por uma roda de conversa com a defensora pública Aline Miranda e a psicóloga clínica Grasieli Lustosa.
Com dramaturgia de John White, a peça é um grito contra o esquecimento e a transfobia, evocando a memória de Dandara dos Santos, mulher trans brutalmente assassinada em 2017. Mais do que um espetáculo, trata-se de um ato político e poético de denúncia e resistência.
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“Só Para Não Esquecer” apresenta a trajetória de Dandara, assassinada por seus algozes e também pela omissão social. Espancada, apedrejada e arrastada pelas ruas, sua morte se tornou símbolo de uma sociedade que ainda se recusa a reconhecer a humanidade de pessoas trans.
O espetáculo é interpretado pelos atores John White, Alec Bessa e Cléber Morais e se transforma em um lamento coletivo, uma denúncia em forma de arte. Dandara não é apenas uma estatística — ela é rosto, memória e resistência. “Em cena, Dandara vive. E nos obriga a lembrar. Porque esquecer será repetir”, afirma a equipe criadora.

Antes da pandemia, o espetáculo já havia passado por cidades como Brasília, São Paulo e Simões Filho (BA). E em 2025, a montagem conquistou destaque em diversos festivais:

Criado nos anos 1990 pelo dramaturgo Ivan Antonio, o Teatro da Solidão Solidária é um método artístico-social com base em pesquisas sobre a solidão humana feitas com pessoas em situação de rua. Desde 2017, o projeto tem atuação contínua em Fortaleza, sob coordenação da atriz e diretora Mharcia Ribeiro, com apoio de Aline Miranda e Creusimar Lima.
A apresentação do dia 06 de junho também celebra o aniversário de Ivan Antonio (05 de junho) e o Dia Municipal do Teatro da Solidão Solidária, data oficializada pela Câmara de Camaçari (BA).
Para Mharcia Ribeiro, a apresentação da peça é mais do que arte: “Refletimos sobre transfobia, desprezo, arrogância e, principalmente, sobre respeito. O teatro é linguagem de resistência, é cultura de paz, é amor em movimento.”
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