

Risco de pandemia por gripe aviária acende alerta global | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Autoridades de saúde em todo o mundo seguem em alerta com o aumento dos casos de gripe aviária e o risco iminente de uma nova pandemia global. Segundo Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), é fundamental acelerar o desenvolvimento de vacinas mais eficazes, incluindo uma vacina universal contra a influenza, que já apresentou resultados promissores em testes com animais.
A vacina é baseada na tecnologia de RNA mensageiro e inclui o sequenciamento genético de todos os subtipos de Influenza A e B. Em estudos realizados com furões e ratos, a imunização induziu a produção de anticorpos contra 20 cepas diferentes, mantendo a resposta imunológica por pelo menos quatro meses.
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Enquanto cerca de 20 países já mantêm estoques de emergência de vacinas específicas contra o H5N1, o Brasil aposta no desenvolvimento do imunizante pelo Instituto Butantan, em parceria com a Fiocruz. Os testes em animais foram bem-sucedidos e, agora, os pesquisadores se preparam para iniciar testes em humanos, aguardando autorização da Anvisa.
“A independência na produção da vacina é crucial para que o Brasil não dependa de empresas estrangeiras em caso de emergência sanitária”, destaca Mônica Levi.
O vírus da gripe aviária já infecta mais de 350 espécies, incluindo mamíferos como gatos domésticos, e possui alta taxa de mortalidade. Segundo Levi, o grande temor é que o vírus sofra mais uma mutação, facilitando a transmissão entre humanos, o que pode acelerar o surgimento de uma pandemia.
De acordo com a OMS, entre 2003 e março de 2025, foram registrados 969 casos humanos de infecção pelo H5N1, com 457 mortes, resultando em uma letalidade superior a 50%. Apesar disso, a taxa de mortalidade vem diminuindo nos últimos anos: em 2025, dos 72 casos registrados nas Américas, apenas dois foram fatais.
O número de surtos entre aves domésticas e silvestres aumentou significativamente. Entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, foram mais de 1.900 surtos registrados, superando o total da temporada anterior. No Brasil, desde o primeiro caso confirmado em maio de 2023, já são 166 focos da doença, sendo 163 em aves silvestres e três em aves de criação.
Diante da escalada dos casos, o Ministério da Agricultura e Pecuária prorrogou por mais 180 dias o estado de emergência zoossanitária no país.
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