

Especialista diz que custo de produção estadunidense é 5 a 6 vezes maior que na Ásia-| Foto: REUTERS/Charles Mostoller
A decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas a todos os seus parceiros comerciais, anunciada nesta quarta-feira (2), tem como objetivo reverter a perda de competitividade da indústria americana e reduzir os déficits comerciais de bens, que somam cerca de US$ 1 trilhão anualmente. A medida visa recuperar a posição da indústria estadunidense, que tem enfrentado crescente concorrência de mercados asiáticos, mas especialistas alertam que as tarifas não são suficientes para reverter a situação.
O economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala, avalia que as tarifas representam “um choque brutal” para a economia global, comparando-o ao impacto da crise de 1930. Segundo Gala, o tarifaço pode desestruturar o comércio mundial, afetar investimentos e desorganizar o tecido produtivo global. Além disso, ele observa que o custo de produção nos EUA é significativamente mais alto do que em países asiáticos, como China, Índia e Vietnã, o que dificulta a recuperação da competitividade industrial do país.
Gala também aponta que a medida causará uma pressão inflacionária interna nos EUA, já que produtos asiáticos se tornarão mais caros, afetando diretamente a população americana. “Todos os produtos asiáticos ficam 30% mais caros. Equipamentos, máquinas, tratores, computadores, chips, tudo isso”, alertou o economista.
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O governo dos EUA justifica a imposição das tarifas com base na alegação de que seus parceiros comerciais, como Brasil e Indonésia, impõem tarifas superiores às americanas sobre produtos estadunidenses. Porém, Paulo Gala argumenta que não se trata de uma tarifa recíproca, como originalmente prometido. Para ele, a medida foi uma resposta à persistência dos déficits comerciais e não uma tentativa de equilíbrio nas relações comerciais.
O Brasil, apesar de ter sido um dos países com as tarifas mais baixas — 10% sobre as exportações — também será afetado pelo impacto global da guerra tarifária. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou que os EUA são o principal destino das exportações brasileiras, especialmente em setores de maior intensidade tecnológica.
Paulo Gala acredita que a fabricante brasileira de aeronaves Embraer será uma das mais impactadas pelas novas tarifas, já que sua dependência dos EUA é significativa. Contudo, ele também aponta que o Brasil pode ter oportunidades no comércio internacional, já que os importadores podem buscar alternativas aos produtos americanos devido à alta das tarifas.
Especialistas destacam que, apesar dos desafios, o Brasil pode aproveitar o momento para expandir suas exportações. Volnei Eyng, CEO da Multiplike, sugere que o Brasil tem a chance de conquistar uma maior fatia do mercado global, especialmente se souber aproveitar a reconfiguração das relações comerciais que a crise tarifária pode gerar.
Embora a guerra de tarifas represente um grande risco para a economia global, ela também pode acelerar mudanças significativas no comércio internacional. O Brasil, ao diversificar suas parcerias comerciais e se posicionar como uma alternativa em determinados setores, pode mitigar os efeitos negativos da guerra tarifária e explorar novas oportunidades de crescimento no mercado externo.
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