

Para os analistas do mercado, o cenário internacional é um desafio | Foto: reprodução
Mesmo com o aparente arrefecimento da pandemia de covid-19 e a abertura total do comércio, especialistas cearenses não estão otimistas com vários segmentos da economia do País. Foi o que revelou pesquisa do Conselho Regional de Economia (Corecon-Ce) em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE).
Um dos pontos analisados foi a taxa de câmbio. Segundo o conselheiro do Corecon, Ricardo Eleutério, o Brasil adota um regime de câmbio flutuante, estando o preço do dólar submetido às forças de mercado.
“O regime de câmbio flutuante tem várias vantagens, mas uma das desvantagens é que ele pode subir muito num curto espaço de tempo e pode cair muito num curto espaço de tempo, como aconteceu agora, mais recentemente. Nós estamos no acumulado do ano com o real se valorizando frente ao dólar. E mais recentemente, nos últimos dias, tivemos um movimento inverso, o dólar subindo. É possível que daqui a duas, três, quatro semanas o movimento também se comporte de forma inversa, com dólar derretendo”, destaca o conselheiro do Corecon.
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Para Ricardo, essa volatilidade, essa flutuação excessiva, é ruim para aqueles que fazem negócios, exportadores e importadores. “Devemos ter mais volatilidade da taxa de câmbio ao longo deste ano. E se os Estados Unidos elevarem os seus juros de forma mais intensa, mais forte, como agora está previsto para enfrentar a inflação, os capitais financeiros que estão nas economias emergentes como no Brasil, no Chile, Argentina, outros países, saem do mercado financeiro desses países e vão em busca da maior segurança, que são os títulos do tesouro norte-americano, que além de oferecer essa segurança maior, passam a oferecer mais rentabilidade”, destaca.
Ainda conforme o economista, nesse cenário, o fluxo de capitais sai das economias emergentes para os Estados Unidos, para o mercado financeiro norte-americano, para os títulos norte-americanos. “Então, você tem uma pressão para elevação do dólar. E sempre que o dólar sobe, isso pode produzir mais inflação”, avalia Ricardo.
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Profissionais de diversos setores da economia cearense, como a indústria, agricultura, setor público, mercado financeiro, comércio e serviços, não estão confiantes com a oferta de crédito (98,9 pontos); o cenário internacional (79,0 pontos); a taxa de câmbio (73,1 pontos); gastos públicos (48,4 pontos); taxa de inflação (41,9 pontos); taxa de juros (31,2 pontos) e salários reais (27,4 pontos). Com relação à geração de empregos, os dados se mostraram indiferentes (100,0 pontos).
A pesquisa compõe parte do Índice de Expectativas dos Especialistas em Economia (IEE) e é de periodicidade bimestral. Também participaram consultores, executivos de finanças, professores universitários, pesquisadores, analistas e dirigentes de entidades diversas contribuíram com suas percepções.
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De acordo com a metodologia, o estudo pontua de zero a 200 pontos as variáveis analisadas. Abaixo de 100 pontos, configura-se uma situação de pessimismo e acima desse valor, otimismo. Considerando a soma das variáveis, o índice de percepção geral passou de 71,9 pontos para 69,1 pontos, um aumento de 3,9% no pessimismo em relação à pesquisa anterior.
“Cabe destacar que as expectativas movem os agentes econômicos impactando, positivamente ou negativamente, o comportamento das diversas variáveis econômicas como consumo, investimento, poupança, taxa de juros, dentre outras. Ao mesmo tempo, a performance, positiva ou negativa das variáveis, índices e indicadores econômicos interfere na percepção dos diversos agentes econômicos. Assim, as expectativas são a um só tempo causa e consequência do comportamento econômico”, conclui Ricardo Eleutério, autor do estudo e conselheiro do Corecon-CE.
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