

As vítimas estavam na lancha "Jesus", de cor branca, no lado esquerdo da foto, que foi atingida em em cheio pela rocha | Foto: reprodução/Internet
A Polícia Civil de Minas Gerais (PC-MG) anunciou, nesta sexta-feira (04/03), o resultado das investigações sobre a tragédia que ocorreu no lago de Furnas, na cidade mineira de Capitólio, no dia 8 de janeiro deste ano. Chovia bastante na região e uma pedra gigante se desprendeu de um canyon atingindo em cheio e a lancha “Jesus”. Os dez ocupantes da embarcação morreram.
Após dois meses de investigações, o inquérito não apontou culpados porque não encontrou evidências de ação humana que possa ter provocado a queda do paredão.
A polícia concluiu que a tragédia ocorreu em consequência de um evento natural. O delegado responsável pelo caso, Marcos Pimenta, pediu o arquivamento do inquérito.
O pedido de arquivamento do inquérito será analisado agora pelo Ministério Público, que pode concordar, requisitar novas diligências ou optar por denunciar alguém.

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Na manhã da segunda-feira (9/01), o programa da Rede Globo Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga exibiu um vídeo enviado ao programa pelo empresário Jesus Sebastião dos Santos, que é dono do rancho em que a maior parte das vítimas estava hospedado e também da lancha que foi esmagada pela rocha que se desprendeu do canyon do Lago de Furnas.

Na gravação, o empresário apresentou uma hipótese para o acidente em tom de denúncia: “Provavelmente, tudo se indica a uma construção em cima do mirante dos cânions, que há um ano vem trabalhando várias máquinas pesadas, vários bate-estaca fazendo perfurações em cima do cânion. Isso tudo leva a se desgrudar aquela rocha, com o tempo. Várias máquinas mexeram no ambiente natural lá em cima, então, impactou bastante ali em cima, né?”, disse o Jesus dos Santos.
Das dez vítimas, seis eram familiares do empresário, outros três eram amigos e a décima vítima era o marinheiro da embarcação.
Segundo as empresas, uma empresa que atua na região de Capitólio tinha solicitado ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) autorização para a perfuração de um poço de 80 metros de profundidade, para verificar a disponibilidade de água.
No entanto, segundo o delegado Marcos Pimenta, a perfuração foi feita por outra empresa, com um CNPJ diferente, e com profundidade de 288 metros.
“Quando não se encontra água no poço, tem que fechar e comunicar ao Igam no prazo legal de 30 dias, e não houve por parte das empresas, por nenhum CNPJ, essa comunicação”, disse o delegado Marcos Pimenta.
No entanto, segundo a Polícia Civil, a irregularidade não contribuiu para a queda da rocha.
A polícia também identificou que apenas crianças e idosos utilizavam coletes salva-vidas e que a legislação permitia até 40 embarcações nos cânions, o que, para a instituição, é um número muito elevado. No dia da tragédia, foram contabilizadas oito embarcações e uma moto aquática.
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O bloco de pedra despencou por volta de 12h30 no local onde estavam diversas lanchas que transportavam dezenas de turistas. Duas embarcações afundaram.
Além dos dez mortos, a tragédia deixou 32 pessoas feridas. Pelo menos dois dos feridos tiveram fraturas expostas e passaram por cirurgias em hospitais da região.
Cerca de duas horas antes da tragédia, a Defesa Civil de Minas Gerais chegou a emitir um alerta de cabeça d’água (forte enxurrada em rios provocada por chuvas) para a região. Os passeios turísticos, no entanto, foram mantidos.

Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, todos os mortos estavam em uma única lancha, embora mais uma tenha afundado e outras duas também tenham sido fortemente atingidas pelo impacto da rocha no lago. Os vídeos mostraram o ponto de vista de outras embarcações que, mesmo um pouco mais distantes, foram afetadas pela enxurrada de água que se formou, mas conseguiram deixar o local.
Logo depois do acidente, vídeos divulgados nas redes sociais mostraram o momento do desabamento, no principal ponto turístico do passeio de lancha, com duas cachoeiras na entrada do cânion. As cenas são desesperadoras. Confira no vídeo abaixo!
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Apesar de não apontar culpados, o inquérito da Polícia Civil fez 10 recomendações para tentar evitar novas tragédias como a que ocorreu no canyon de Capitólio.
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