

Bad Bunny no intervalo do Super Bowl | Foto: Mike Blake/Reuters
09 de fevereiro de 2026 – Bad Bunny protagonizou, neste domingo (8), um dos shows de intervalo mais comentados da história do Super Bowl. Em uma apresentação marcada por forte carga simbólica, política e cultural, o artista porto-riquenho exaltou a identidade latina, cantou majoritariamente em espanhol e levou mensagens diretas sobre pertencimento, imigração e diversidade ao evento de maior audiência da televisão norte-americana.
Mesmo antes do fim do espetáculo, a repercussão ganhou contornos políticos. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o show como “repugnante”, “terrível” e “uma afronta à grandeza da América”, acirrando ainda mais o debate nas redes sociais e na imprensa internacional.
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Desde os primeiros minutos, Bad Bunny deixou claro que o palco seria ocupado pela cultura porto-riquenha. A abertura trouxe o nome oficial do show traduzido para o espanhol — “el espectáculo de medio tiempo del Súper Tazón” — e cenários que remetiam ao cotidiano da ilha, como trabalhadores rurais, partidas de dominó e salões de beleza populares.
Ao longo da apresentação, o cantor se apresentou quase inteiramente em espanhol, invertendo a lógica tradicional do evento. Em um dos momentos mais emocionantes, ele declarou: “Meu nome é Benito Antonio Martínez Ocasio, e se estou aqui hoje é porque nunca deixei de acreditar em mim. Você também deveria acreditar em você”.
Um dos cenários centrais foi a famosa “casita”, já conhecida dos shows do artista, simbolizando uma casa típica porto-riquenha. Nela, participaram celebridades latinas ou de ascendência latina, como Cardi B, Karol G, Pedro Pascal e Jessica Alba.
As coreografias destacaram o perreo, dança sensual originária de Porto Rico, frequentemente associada a resistência cultural e identidade periférica, ampliando o tom provocativo do espetáculo.

Em um dos momentos mais inusitados da noite, Bad Bunny incluiu um casamento real no palco. A cerimônia, confirmada pela equipe do cantor, aconteceu durante o espetáculo, com celebrante, casal, testemunhas e até bolo de verdade. O próprio artista assinou a certidão como testemunha.
Lady Gaga foi uma das convidadas especiais e apareceu acompanhada da banda porto-riquenha Los Sobrinos, interpretando “Die With a Smile”. Logo depois, a cantora foi puxada para dançar por Bad Bunny em “Baile Inolvidable”, em uma cena que misturou romantismo, humor e integração cultural.
Ao cantar “Nuevayol”, Bad Bunny destacou a conexão histórica entre Porto Rico e Nova York, cidade considerada o maior polo cultural porto-riquenho fora da ilha. O cenário reproduziu bodegas típicas e contou com a participação especial de Toñita, dona do tradicional Caribbean Social Club.
Nesse momento, o artista entregou simbolicamente um Grammy a uma criança que o assistia pela televisão, usando roupas inspiradas em uma foto de sua própria infância.
Outro ponto alto foi a participação de Ricky Martin, que cantou “Lo que le pasó a Hawaii”, uma das músicas mais políticas do repertório de Bad Bunny. A canção faz referência ao impacto do imperialismo norte-americano sobre o Havaí e traça um alerta sobre o futuro de Porto Rico.
Na reta final, Bad Bunny surgiu com a bandeira de Porto Rico em azul-claro, símbolo associado ao movimento pró-independência. Ao cantar “El Apagón”, o artista simulou um apagão no estádio, em referência à crise energética enfrentada pela ilha desde o furacão Maria, em 2017.



O encerramento trouxe a mensagem mais direta. Segurando uma bola com a frase “Juntos, somos a América”, Bad Bunny apareceu cercado por bandeiras de países de todo o continente, incluindo o Brasil. Em inglês, disse “Deus abençoe a América” e, em seguida, listou todos os países americanos, redefinindo o conceito de América como um continente plural e diverso.
No telão, a frase final resumiu o espírito do espetáculo: “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”.
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