
Glitter evidencia o impacto ambiental causado pelo uso de microplásticos na folia | Foto: divulgação
13 de fevereiro de 2026 – O brilho que toma conta do Carnaval brasileiro esconde um impacto ambiental que pode durar gerações. O glitter convencional, formado por partículas de microplástico e alumínio, leva até 400 anos para se decompor e já é classificado como um poluente persistente no meio ambiente.
O alerta, que durante anos ficou restrito a especialistas ambientais, ganhou força em outubro de 2025, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou a fiscalização contra o uso de microplásticos disfarçados de produtos para confeitaria, chamando atenção também para os riscos do material presente em cosméticos e itens usados na folia.
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Produzido a partir de polímeros plásticos, o glitter tradicional não se dissolve no meio ambiente. Ao contrário, ele se fragmenta em partículas microscópicas que passam pelos sistemas de tratamento de esgoto e acabam nos rios e oceanos.
No ambiente marinho, esses resíduos são ingeridos por peixes e outros organismos, entrando novamente na cadeia alimentar humana. O problema é silencioso, cumulativo e de longo prazo, o que torna seus efeitos ainda mais difíceis de controlar.
Para a engenheira ambiental Ingrid Botelho, gerente da Regenera Cariri, há uma contradição evidente no comportamento do consumidor. “Quando a Anvisa alertou sobre o uso de glitter com microplástico em alimentos, houve grande comoção. Mas, no Carnaval, o mesmo material é aplicado no corpo sem questionamento”, observa. “É a mesma partícula poluente, mas que parece perder importância quando o impacto é ambiental”, completa.
Enquanto marcas de bioglitter ganham espaço nos grandes centros do Sudeste, o interior do Nordeste ainda enfrenta escassez de alternativas sustentáveis. A biotecnologista Amanda Moura, proprietária da Canto da Jandaia, destaca que o mercado regional ainda é limitado.
“No Ceará, conheço pouquíssimas iniciativas de produção local. No Sul e Sudeste, há mais oferta e incentivo à troca de produtos convencionais”, afirma. Para ela, o principal entrave é a falta de debate público. “O microplástico é invisível, mas já foi detectado até no leite materno. O preço pesa, mas a ausência de informação é decisiva”, alerta.
Empresárias do setor de cosméticos sustentáveis tentam quebrar o mito de que o bioglitter tem desempenho inferior. Segundo Fabiana Gonzalez, da loja Make A, o desafio é conscientizar o consumidor.
“O bioglitter feito de celulose vegetal ou mica natural tem aparência praticamente idêntica ao convencional. Quando as pessoas entendem que o plástico é poluente e até cortante, a migração acontece”, explica.
Apesar disso, enquanto os produtos biodegradáveis permanecerem restritos a nichos e e-commerces especializados, o glitter plástico seguirá predominando nas prateleiras de supermercados e farmácias, impulsionado pelo menor preço e pela ampla disponibilidade.
Especialistas apontam que uma mudança efetiva passa pela priorização de materiais biodegradáveis, como celulose de eucalipto, mica natural ou sintética e algas, capazes de retornar à natureza sem deixar resíduos persistentes.
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