

Canetas emagrecedoras são investigadas pela Anvisa após aumento de notificações de pancreatite e mortes suspeitas no Brasil | Foto: reprodução
10 de fevereiro de 2026 — A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga casos de pancreatite em usuários de canetas emagrecedoras e para diabetes e emitiu um alerta sobre os riscos associados ao uso desses medicamentos fora da indicação médica e sem acompanhamento especializado. No Brasil, são apuradas seis mortes suspeitas e mais de 200 notificações de problemas relacionados ao pâncreas em pacientes que utilizavam fármacos como Ozempic, Saxenda e Mounjaro.
Apesar de os registros ainda serem considerados suspeitos e não haver confirmação de relação direta de causa e efeito, o crescimento no número de notificações motivou a manifestação da vigilância sanitária. Especialistas destacam que os casos estão sob análise e reforçam a importância do uso responsável dessas medicações.
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De acordo com médicos e pesquisadores, diversos fatores podem ajudar a explicar o surgimento de episódios de pancreatite em usuários das chamadas canetas emagrecedoras. Um deles é o perfil dos pacientes: em geral, pessoas com obesidade, diabetes ou ambas as condições, que por si só já elevam o risco de problemas biliares e pancreáticos.
Outro ponto é que os próprios medicamentos trazem em bula o alerta para a possibilidade de formação de cálculos na vesícula biliar, condição que pode desencadear crises de pancreatite. A perda de peso rápida, frequentemente observada com o uso dessas canetas, também é reconhecida como fator de risco para o surgimento desses cálculos.
Os fármacos ainda atuam retardando o esvaziamento do estômago e alterando o metabolismo dos ácidos biliares, o que pode interferir no funcionamento do pâncreas. Esse efeito tende a ser mais relevante em pessoas com obesidade, que já apresentam maior desregulação metabólica.
A pancreatite é uma inflamação do pâncreas, órgão responsável pela produção de enzimas digestivas e hormônios como a insulina. No Brasil, as causas mais comuns continuam sendo o consumo excessivo de álcool e a presença de cálculos na vesícula biliar.
“A pancreatite é uma doença importante, potencialmente grave, e que ao longo do tempo no Brasil chega a cerca de 200 mil casos por ano”, explica Nelton Dornellas, endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
Segundo ele, o risco pode ser agravado quando o paciente utiliza as canetas sem indicação adequada, em doses incorretas ou sem monitoramento médico, o que dificulta a identificação precoce de efeitos adversos.
Além do uso fora da indicação, a Anvisa e especialistas demonstram preocupação com a circulação de canetas falsificadas ou de origem irregular. Como são medicamentos de alta complexidade e efeito prolongado, não saber exatamente qual substância está sendo aplicada — nem em qual dose — aumenta significativamente os riscos à saúde.
“Quando falamos de canetas falsificadas, não sabemos o que há nessas substâncias nem o controle do quanto está sendo aplicado. Isso é ainda mais grave quando a pessoa faz uso sem indicação médica, especialmente se já tem histórico de problemas no pâncreas”, alerta Dornellas.
A pancreatite associada a esses medicamentos também ganhou atenção internacional após um alerta do Reino Unido, onde 19 mortes foram associadas ao uso das canetas. Os casos, embora considerados raros, incluíram quadros graves, como pancreatite necrosante e fatal.
Diante desse cenário, a Anvisa orienta a suspensão imediata do tratamento diante de qualquer suspeita de inflamação no pâncreas e reforça que o uso deve ocorrer apenas dentro das indicações aprovadas em bula, sempre com prescrição e acompanhamento médico.
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