logocombalaoadireita-peqlogocombalaoadireita-peqlogocombalaoadireita-peqlogocombalaoadireita-peq
  • Página Inicial
  • Notícias
  • Economia & Negócios
  • Turismo
  • Destaques
  • Artigos
  • Contato
✕
Saúde: Anvisa libera venda de 930 pomadas para trançar ou modelar cabelos
Saúde Anvisa libera venda de 930 pomadas para trançar ou modelar cabelos
20/03/2023
Suspeita: Embratur pede que PF investigue suposto crime de turismo sexual em SP
Suspeita Embratur pede que PF investigue suposto crime de turismo sexual em SP
20/03/2023
Exibir tudo

Repressão Estudo mostra que governo Bolsonaro atuou para reprimir servidores Pesquisadores comprovaram que várias estratégias foram testadas

Repressão: Estudo mostra que governo Bolsonaro atuou para reprimir servidores

Entre as táticas do presidente da República e indicados havia as estratégias chamadas informais e coletivas, como são classificadas, entre outras atitudes, as críticas públicas a servidores | Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom

Um grupo de seis pesquisadores da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP) e da Universidade de Brasília (UnB) divulgou nesta segunda-feira (20/03) pesquisa sobre a resistência de servidores federais às iniciativas antidemocráticas do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. As ações tiveram uma série de implicações para os órgãos públicos e, portanto, para o atendimento à população. Segundo o estudo, o governo aumentou o uso de instrumentos formais de repressão aos funcionários públicos e testou estratégias em certas organizações para replicá-las em outras, em caso de sucesso.

Publicado na Revista Brasileira de Ciência Política, o documento diz que os servidores saíram à frente, em um primeiro momento, pois contavam com a vantagem de conhecer a máquina pública. Nessa fase, o presidente da República e indicados agiam a partir das estratégias chamadas informais e coletivas, como são classificadas, entre outras atitudes, as críticas públicas a servidores.

>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<

Já entre os instrumentos formais de repressão estão os processos administrativos disciplinares (PAD). Com dados obtidos na Controladoria-Geral da União (CGU), os pesquisadores demonstram que, entre 2019 e 2021, foram abertos 171 PADs, uma média de 57 por ano. De 2014 a 2018, antes do governo Bolsonaro, o total foi de 128, uma média de 25,6 por ano.

O governo também fortaleceu o processo de militarização das instituições, que começou em órgãos ambientais, e diminuiu a autonomia dos servidores, com ferramentas como a Nota Técnica 1.556/2020, da CGU. A nota permitia que a administração pública federal adotasse punições contra servidores que fizessem, em redes sociais ou outros meios virtuais, críticas ao órgão ao qual estivessem subordinados. O entendimento é de que tinham de cumprir um “dever de lealdade”. O Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o Partido Verde (PV) contestaram a medida, levando a questão ao Supremo Tribunal Federal.

Outro instrumento de repressão foi transformar servidores em “bodes expiatórios”, uma vez que serviam de exemplo para mostrar o que aconteceria com os colegas caso se opusessem às ordens. Em relação a experimentos que o governo federal fez para verificar se obteria êxito com determinadas estratégias, os pesquisadores citam a restrição ao acesso do Sistema Eletrônico de Informações (SEI), de gestão de documentos e processos.

As estratégias formais são aquelas ligadas à prática institucional, ao uso de mecanismos oficiais e legais, como decretos e instruções normativas. Segundo uma das pesquisadoras do estudo, a professora da FGV Gabriella Lotta, são usados os aparatos da burocracia contra a própria burocracia. “Seja porque você acaba com os instrumentos, seja porque dá outra interpretação para eles e os reverte contra o servidor. Foi isso que a gente acabou identificando: o uso da máquina pública, ou tentando destruí-la, ou tentando reverter sua tônica de atuação em prol desse projeto autoritário que o presidente Bolsonaro estava buscando fazer”.

Por outro lado, existem as estratégias informais, que estão em interações cotidianas, como discursos, mensagens de texto e conversas informais. As estratégias também se dividem entre coletivas, quando atingem uma equipe, um setor ou organização, ou individuais. No início dos embates, os servidores optaram mais por manobras individuais, “especialmente de sabotagem e modificação do ritmo de trabalho (shirking). Essas prejudicavam as pautas governamentais de forma silenciosa e escondida, fora do radar da alta administração”, destacam os autores do estudo. Os servidores também se organizaram coletivamente a fim de levar as denúncias para fora dos órgãos públicos, por meio de depoimentos, cartas e abaixo-assinados, o que também consiste em estratégia informal.

Leia também | Caixa começa a pagar Bolsa Família com adicional de R$ 150

Assédio

A pesquisadora Michelle Morais de Sá e Silva, da Universidade de Oklahoma, dos Estados Unidos, é autora de um estudo publicado no livro Assédio institucional no Brasil: avanço do autoritarismo e desconstrução do Estado no qual reuniu relatos de servidores da administração federal. Em entrevista, ela explicou que seu trabalho não tinha a meta de destrinchar o assédio cometido pelo governo, e sim identificar os valores pessoais dos servidores da administração pública federal, mas acabou tomando esse rumo.

“Ao contar sobre suas trajetórias e atuação em temas de direitos humanos, as pessoas iam relatando situações muito difíceis, de depressão, perseguição, relatavam muito medo. Isso fez com que a gente buscasse uma reflexão sobre a necessidade de registrar esses processos”, destaca.

Segundo ela, somente o fato de ver a instituição em que trabalhavam ser alvo de ataque foi motivo para servidores sentirem medo.

Afronta à educação

Um servidor da área técnica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) conversou, sob a condição de anonimato, com a reportagem e relatou o que vivenciou no local. Ele afirma que os servidores, por terem estabilidade na função, impediram a prática de muitos abusos. “Isso era explícito. Aquela pessoa comissionada, que não era servidora, que estava ali de passagem, fazia tudo para implementar as diretrizes do presidente do Inep e, no limite, do governo federal. Toda a resistência que houve ali dentro foi do servidor estável, que tentava barrar essas decisões. E isso era feito em nível de reunião, de nota técnica, instrumentos em que a gente conseguia expor, com mais detalhes, as consequências do que estavam fazendo”, diz.

O Inep é ligado ao Ministério da Educação e responsável pelo Enem. Durante o seu governo, o então presidente da República Jair Bolsonaro chegou a dizer que iria mexer nas provas do exame. Diante das ameaças, servidores do instituto chegaram a entregar cargos e buscar transferência ou licenças.

Para se proteger dos chefes, os servidores de carreira do Inep procuravam se amparar na Associação dos Servidores (Assinep). A reportagem procurou a Assinep para obter mais detalhes sobre possíveis ações movidas pelos funcionários, a fim de responsabilizar chefias do período Bolsonaro. A entidade não respondeu ao contato.

Leia também | Como as buscas refletem nos interesses das pessoas?

Conflitos na segurança pública

Embora não seja servidor federal, o policial civil Pedro Paulo Chaves Mattos, conhecido como Pedro Chê, diz que ele mesmo não teve chefias em seu encalço, mas percebeu como as relações se modificaram com Bolsonaro no Palácio do Planalto. Petista, ele comenta que colegas sofreram perseguições, inclusive institucionais, e chegaram a ser mandados para outros setores, contra sua vontade. Como resultado, atingiram muitos deles a autocensura, citada pelos pesquisadores no estudo, ou o adoecimento mental, segundo Mattos.

“Teve caso de delegado dizendo para uma escrivã que ela teria que chegar uma hora mais cedo do que os outros, porque votava em Lula. Claro que ela não poderia chegar uma hora mais cedo, porque a delegacia estaria fechada, mas isso faz parte de um jogo de chantagem e abuso. Tem outros colegas que são remanejados no olho do furacão, em delegacias que a gente sabe que não têm nenhuma simpatia, porque são de esquerda”, exemplifica Mattos, que integra o Conselho Nacional de Policiais Antifascismo e atua no Rio Grande do Norte.

Uma colega transexual, servidora federal de uma das polícias, foi tirada do trabalho de campo e reposicionada em um cargo de setor administrativo, com a função de realizar atendimentos por telefone. Isso provocava constrangimento na policial, já que não era chamada pelo seu nome social, do gênero feminino. “Causou um dano emocional muito pesado, Ela era continuamente chamada de senhor, sistematicamente, todo dia. Há esse tipo de ataque, de pegar seu ponto fraco”, frisa o agente.

Polarização e recuperação

Especialista em estudos sobre a burocracia, Gabriela Lotta argumenta que o objetivo agora deve ser o de reaver o que foi perdido, “desde documentos, informação, memória, procedimento”, durante a última gestão do governo federal. “Acho que pouca coisa foi institucionalizada, que não permita uma reversão. Até porque o governo Bolsonaro, em termos de construção, fez muito pouco. A grande pauta foi a destruição”, diz.

Para ela, há outra questão “muito delicada, muito sensível”. “O governo Bolsonaro explicitou uma polarização, que talvez sempre estivesse ali e a gente não sabia, dentro da burocracia, mas que virou uma polarização quase inconciliável, neste momento. Acho que os ânimos estão muito aflorados, os servidores não conseguem mais trabalhar uns com os outros, tem muitas gente com problema de saúde mental, afastamento do trabalho por essas questões, desmotivada em ser engajada. Há um trabalho muito difícil aí, de reconstrução ou construção de uma unidade, que seja pró-missão organizacional, de construção de uma capacidade de trabalhar junto, que tem mais a ver com a dimensão de gestão de pessoas.”

A pesquisadora, porém, não sugere uma solução. “Mas não tenho dúvida de que essa é uma coisa que tem que ser feita. Acho que o que é mais perigoso é a polarização dentro da burocracia, e menos ao projeto bolsonarista”, complementa.

Outro lado

Procurada, a assessoria de imprensa do ex-presidente Jair Bolsonaro disse, em nota, que os ministérios eram comandados por quadros técnicos.  “Diretores e altos cargos das empresas públicas e mistas eram ocupados por renomados executivos de mercado. A Secom [Secretaria Especial de Comunicação Social do Governo Federal] era liderada por um técnico com mais de 20 anos de atuação em mídia”.

Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secom, que responde atualmente pela assessoria de Bolsonaro, disse ainda que “em todo processo de mudanças drásticas, grupos saem em defesa do seu espaço”.

Por Letycia Bond – Repórter da Agência Brasil – São Paulo

Leia também | Polícia Federal desmobiliza garimpos em Canaã dos Carajás/PA

Operação Polícia Federal desmobiliza garimpos em Canaã dos Carajás/PA
Compartilhar

Artigos Relacionados

Política: Brasil mantém segunda pior nota histórica em índice global de percepção da corrupção

Relatório da Transparência Internacional aponta estagnação do Brasil no combate à corrupção e alerta para avanço do crime organizado no Estado | Foto: reprodução

10/02/2026

Política: Brasil mantém segunda pior nota histórica em índice global de percepção da corrupção País soma 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção 2025, ocupa a 107ª posição entre 182 países e segue abaixo da média mundial, aponta Transparência Internacional


Leia mais

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Portal Terra da Luz

Aqui você encontra o que precisa saber sobre a Economia, Turismo, Saúde, Educação, Pesquisa e Inovação, Cidadania e Política.

Redes Sociais

Siga o Portal Terra da Luz

https://portalterradaluz.com.br/wp-content/uploads/2025/11/WhatsApp-Video-2025-11-12-at-10.08.45.mp4

Slide Slide

Parceiros

Slide Slide Slide Slide Slide

Navegue

  • Artigos
  • Curtas
  • Destaques
  • Economia & Negócios
  • Notícias
  • Principal
  • Turismo, Esporte e Eventos
Portal Terra da Luz
✕

Tags

Alexandre de Moraes Banco Central Brasil Ceará Congresso Nacional Covid-19 Cultura Câmara dos deputados Donald Trump Economia economia brasileira Educação Esporte Estados Unidos Fortaleza Futebol governo do Ceará Governo Federal inflação Jair Bolsonaro José Sarto Justiça Lula Meio Ambiente Mercado financeiro Ministério da Saúde Música Negócios Operação pandemia Polícia Federal Portal terra da luz Prefeitura de Fortaleza presidente Programação Rio de Janeiro SAUDE saúde Segurança Segurança Pública STF sustentabilidade São Paulo Tecnologia Turismo

www.facebook.com/portalterradaluz

PORTAL TERRA DA LUZ

Portal Terra da Luz

Portal Terra da Luz

O Portal Terra da Luz é um site de notícias que reúne as informações mais relevantes de tudo o que acontece no Ceará, no Brasil e no Mundo. Aqui você encontra o que precisa saber sobre a Economia, Turismo, Saúde, Educação, Pesquisa e Inovação, Cidadania, Política, Segurança Pública, além dos principais encontros de negócios, capacitação profissional, eventos sociais, culturais e esportivos.

Siga as nossas Redes Sociais.

Editor Responsável

O editor responsável pelo Portal Terra da Luz é o jornalista Hermann Hesse, profissional reconhecido pela atuação na imprensa cearense desde 1990. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC), atuou durante quase 20 anos na TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo, como repórter, produtor, editor, apresentador, editor-chefe do jornal mais importante e de maior audiência do Ceará, o CETV. Em 2011, assumiu a Coordenadoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e, dois anos depois, foi Coordenador de Comunicação Institucional da Prefeitura de Fortaleza. Em janeiro de 2019, assumiu a direção de Jornalismo do Grupo Cidade de Comunicação, onde atuou por 2 anos e meio. No dia 12 julho de 2021 colocou no ar a primeira notícia e, desde então, é o responsável por todos os conteúdos publicados no Portal Terra da Luz. Entre agosto de 2022 e agosto de 2025 atuou, paralelamente, como diretor de Jornalismo da Band Ceará, emissora ligada diretamente à cabeça de rede, em São Paulo.

Últimos comentários

  • 17/01/2026

    Davi Santiago – Sonho & Negócios Comentado em Empreendedorismo Empresário mirim fundou sua primeira empresa aos 11 anos e já está de olho no mercado global

  • 11/01/2026

    Mari Santos Comentado em Negócios: Estação Fashion promove Feirão com ofertas a partir de R$ 5 para impulsionar vendas no Centro de Fortaleza

  • 10/01/2026

    Maria lima da Cunha Comentado em Negócios: Estação Fashion promove Feirão com ofertas a partir de R$ 5 para impulsionar vendas no Centro de Fortaleza

  • 07/01/2026

    NATANAEL RIBEIRO JUNIOR Comentado em Finanças: Aposentados têm até 14 de fevereiro para pedir ressarcimento de descontos indevidos do INSS

  • 30/12/2025

    14 barraqueiros são investigados por agressão a turistas em disputa de R$ 30 | Mundo Libertário (dezembro 30, 2025) Comentado em Violência: Polícia intima agressores e interdita barraca após espancamento de turistas em Porto de Galinhas

  • 11/12/2025

    Vasco e Fluminense: a histórica rivalidade que promete pegar fogo nas semifinais da Copa do Brasil - Portal da Curiosidade Comentado em Futebol: Fluminense e Vasco duelam por vaga na final da Copa do Brasil 2025; relembre confrontos históricos

Últimas Notícias

  • Política: Brasil mantém segunda pior nota histórica em índice global de percepção da corrupção0
    Política: Brasil mantém segunda pior nota histórica em índice global de percepção da corrupção País soma 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção 2025, ocupa a 107ª posição entre 182 países e segue abaixo da média mundial, aponta Transparência Internacional
    10/02/2026
  • Saúde: Anvisa investiga pancreatite em usuários de canetas emagrecedoras e alerta para riscos do uso sem prescrição0
    Saúde: Anvisa investiga pancreatite em usuários de canetas emagrecedoras e alerta para riscos do uso sem prescrição Casos suspeitos incluem seis mortes no Brasil; especialistas apontam fatores como obesidade, perda rápida de peso, uso irregular e circulação de produtos falsificados
    10/02/2026
  • Política: Elmano anuncia Cid Gomes e Camilo Santana como coordenadores de campanha à reeleição0
    Política: Elmano anuncia Cid Gomes e Camilo Santana como coordenadores de campanha à reeleição Governador faz declaração durante entrega de escola profissionalizante em Missão Velha, no Cariri
    10/02/2026
  • Saúde: Governo inicia vacinação nacional contra dengue com imunizante do Butantan0
    Saúde: Governo inicia vacinação nacional contra dengue com imunizante do Butantan Campanha começa com profissionais da atenção primária do SUS e marca a entrada da primeira vacina de dose única contra os quatro sorotipos da dengue no sistema público
    09/02/2026
  • Estética e saúde mental: quando o espelho vira pressão0
    Saúde: Estética e saúde mental: quando o espelho vira pressão Especialistas alertam para impactos de padrões irreais de beleza e defendem procedimentos estéticos aliados ao equilíbrio emocional
    09/02/2026
  • Resgate: Advogada que sobreviveu a incêndio fala sobre recuperação após alta0
    Resgate: Advogada que sobreviveu a incêndio fala sobre recuperação após alta Com 63% do corpo queimado, Juliane Vieira relembra resgate da família, desafios da reabilitação e planos para voltar a advogar
    09/02/2026
© Portal Terra da Luz | Orgulhosamente desenvolvido por NAWEB Sistemas