

Movimentações políticas em Santa Catarina indicam possível isolamento do PL e a formação de um bloco de centro para as eleições de 2026 | Foto: Roosevelt Pinheiro/Agência Brasil
29 de janeiro de 2026 – O cenário político de Santa Catarina começa a se redesenhar para as eleições de 2026 com o avanço de articulações que podem isolar o PL no estado. Insatisfações acumuladas com o governador Jorginho Mello (PL) e com o vereador Carlos Bolsonaro, que pretende disputar uma vaga no Senado por Santa Catarina, têm aproximado partidos de centro em torno de um projeto eleitoral alternativo.
O MDB anunciou oficialmente a saída da base do governo catarinense após ser preterido na definição do candidato a vice-governador. A legenda agora negocia uma aliança com PSD, União Brasil e PP, movimento que tende a reduzir o espaço político do PL na disputa estadual.
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A decisão do governador de escolher o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como candidato a vice gerou forte reação no MDB. O partido esperava ocupar a vaga na chapa majoritária e considerou a escolha uma quebra de acordo político firmado anteriormente.
O presidente do MDB em Santa Catarina, Carlos Chiodini, afirmou que a legenda deve construir um caminho próprio para as eleições. Segundo ele, a união entre os partidos de centro não está descartada e poderá se consolidar nos próximos meses.
Chiodini, que chegou a ser cotado para integrar a chapa governista, deixou o cargo de secretário estadual da Agricultura após a decisão do governador. O MDB também orientou seus filiados a entregarem cargos que ocupavam na administração estadual.
A articulação entre MDB, PSD, União Brasil e PP tem como principal trunfo a força territorial dessas siglas. Juntas, elas comandam 174 das 295 prefeituras catarinenses, o que garante capilaridade política e potencial de mobilização em todo o estado.
Dentro desse arranjo, ganha força a pré-candidatura do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), ao governo de Santa Catarina. O presidente estadual do PSD, Eron Giordani, afirma que há diálogo aberto para a construção de um projeto comum e que a escolha de Jorginho Mello tende a gerar mais desgaste do que benefícios ao atual governador.
Outro ponto de atrito envolve a disputa pelo Senado. O PP busca apoio para a candidatura do senador Esperidião Amin, que concorre diretamente com Carlos Bolsonaro por espaço na chapa governista. A federação União-PP se irritou com o recuo de Jorginho na promessa de apoiar a reeleição de Amin.
Segundo o deputado federal Fabio Schiochet (União-SC), caso o compromisso não seja mantido, a federação deve caminhar com o PSD. Para ele, uma eventual candidatura de João Rodrigues teria maior capacidade de atrair votos no segundo turno, inclusive de eleitores de centro e esquerda.
A consolidação da aliança entre os partidos de centro tende a abrir espaço para que o PL avance com uma chapa mais alinhada ao bolsonarismo. Nesse cenário, a deputada federal Carol de Toni (PL) desponta como possível candidata ao Senado ao lado de Carlos Bolsonaro.
A mudança de rumos contrasta com declarações feitas por Jorginho Mello em outubro do ano passado, quando afirmou que a chapa seria construída em conjunto com o MDB. A escolha por Adriano Silva, reeleito prefeito de Joinville com 78% dos votos em 2024, foi decisiva para o rompimento.
Nos bastidores, interlocutores relatam que a aproximação do MDB com o governo sempre enfrentou resistência dentro do PL, especialmente entre parlamentares mais alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
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Tags: política, Santa Catarina, eleições 2026, Jorginho Mello, Carlos Bolsonaro, PL, MDB, PSD, União Brasil, PP, bloco de centro, governo de Santa Catarina, Senado, disputa eleitoral, alianças partidárias, cenário político, partidos políticos, Portal Terra Da Luz