

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master | Foto: reprodução
30 de janeiro de 2026 – O banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, apresentaram versões contraditórias durante acareação realizada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), no dia 30 de dezembro do ano passado. O procedimento integra o inquérito que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master e a tentativa de compra de ativos da instituição pelo BRB.
A acareação foi determinada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da investigação, que passou a tramitar na Corte em razão da citação de parlamentar com foro privilegiado.
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Durante o depoimento, Daniel Vorcaro afirmou que as carteiras de crédito da empresa Tirreno — ligada ao Banco Master — tinham origem em investimentos de terceiros e não pertenciam ao banco. Segundo ele, essa condição teria sido informada ao BRB durante as negociações para a venda dos ativos.
“A gente anunciou que faria a venda de originadores terceiros. A gente chegou a conversar que começaria um novo formato de comercialização, que seria originada de terceiros, não mais originação própria”, declarou Vorcaro.
Na sequência, Paulo Henrique Costa apresentou entendimento oposto. O ex-presidente do BRB afirmou que foi informado de que os créditos eram próprios do Banco Master, ainda que tivessem sido negociados anteriormente com terceiros.
“No meu entendimento, eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas ou negociadas com terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente”, disse.
De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Federal, a Tirreno funcionaria como uma “empresa de fachada”, utilizada para simular operações de compra e venda de créditos. A suspeita é de que o mecanismo tenha sido usado para inflar ativos e viabilizar negociações irregulares.
Em novembro de 2025, Daniel Vorcaro e outros investigados foram alvos da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para apurar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de venda da instituição ao BRB, banco público vinculado ao Governo do Distrito Federal.
Em dezembro do ano passado, o ministro Dias Toffoli decidiu que o inquérito deveria tramitar no STF, diante da menção a um deputado federal nas apurações. Segundo a Polícia Federal, o volume das fraudes investigadas pode chegar a R$ 17 bilhões.
Diante dos indícios de irregularidades, o Banco Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central, encerrando suas atividades no sistema financeiro nacional.
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