

Cenário de instabilidade impacta brasileiros na academia norte-americana | Foto: Reuters/Yichuan Cao
12 de julho de 2025 — Estudantes e pesquisadores brasileiros que já estão nos Estados Unidos ou que pretendem desenvolver pesquisas em universidades norte-americanas vivem um momento de incerteza. Sob o governo de Donald Trump, as áreas de humanidades vêm sendo afetadas por cortes de financiamento, restrições de programas e uma atmosfera de hostilidade tanto contra universidades quanto contra imigrantes.
Mesmo instituições renomadas como Harvard, Stanford e Columbia não escapam dos efeitos das medidas. A presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho, chegou a aconselhar que os interessados em estudar nos EUA tenham um plano B. Segundo dados da Capes, ao menos 96 brasileiros desistiram do doutorado no país este ano.

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Marco Aurélio Sousa Alves, professor de filosofia na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), está nos Estados Unidos com uma bolsa de pós-doutorado na Rutgers University, em Nova Jersey. Apesar do apoio da universidade, relata sensação de insegurança nas ruas.
“Tenho receio de falar português em público. A sensação é de que querem expulsar os estrangeiros. Virou uma caça às bruxas”, afirma. Para ele, o clima atual representa um retrocesso em comparação com suas experiências anteriores no país.

O mestrando em filosofia Victor Angelucci, da UFMG, planejava realizar seu doutorado nos EUA por meio do programa Fulbright. No entanto, foi surpreendido com a suspensão das bolsas para doutorado pleno. “É uma perda tremenda para o Brasil. Os Estados Unidos são líderes em filosofia e pesquisa de ponta nessa área”, lamenta.
Segundo a Fulbright Brasil, a suspensão se deu por “mudanças no ambiente acadêmico” e pela preferência por bolsas de doutorado sanduíche, mais procuradas atualmente.

Augusto Jobim, professor de direito da PUC-RS, teve a aprovação para ser professor visitante revogada após a posse de Trump. Ele pesquisaria a ascensão da extrema direita e fenômenos do fascismo.
Apesar de já ter recebido uma pré-aprovação da Fulbright, o processo foi interrompido com base em novas diretrizes do governo norte-americano. “Tem que ter plano B mesmo”, disse Jobim, que orientou seus alunos a buscarem países como Reino Unido e Itália.
A professora da UnB Laura de Oliveira Sangiovanni teme ter o visto negado para desenvolver um pós-doutorado nos EUA. Sua pesquisa envolve temas sensíveis, como o financiamento de editoras anticomunistas durante a Guerra Fria e possíveis testes de armas biológicas na Amazônia.
Apesar do receio, Laura segue com o projeto. “Essas barreiras limitam, mas não interrompem nossas pesquisas. Podem até fortalecer as narrativas latino-americanas”, avalia.
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Tags: pesquisadores brasileiros nos EUA, bolsas de estudo suspensas, governo Donald Trump, Fulbright Brasil, Capes, filosofia, pesquisa acadêmica, universidades dos EUA, insegurança para imigrantes, guerra fria, humanidades, ciência e política