

O relatório reforça a necessidade de políticas globais e regionais para equilibrar a produção de alimentos, a proteção ambiental e a segurança econômica | Foto: reprodução
21 de outubro de 2025 — Um novo estudo da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, líder mundial em seguro de crédito, aponta que os desastres naturais causaram perdas estimadas em US$ 3,8 trilhões na produção agrícola e pecuária global nas últimas três décadas, o equivalente a um revés médio de US$ 123 bilhões por ano, cerca de 5% do PIB agrícola global.
O relatório Feeding a Warming World: Securing Food and Economic Stability in a Changing Climate destaca que o Brasil se sobressai no cenário global, não apenas pelo desmatamento na Amazônia, mas também pela dinâmica das commodities agrícolas, especialmente a soja. A produção brasileira cresceu de cerca de 100 milhões de toneladas em 2015 para quase 120 milhões de toneladas, enquanto o desmatamento relacionado diminuiu pela metade, reflexo da Moratória da Soja na Amazônia.
No entanto, essa redução direta criou um efeito de “vazamento” (spill-over) para outros ecossistemas, particularmente o Cerrado, uma savana de alta biodiversidade ameaçada pela expansão agrícola. Modelos indicam que estender moratórias ao Cerrado poderia preservar mais de 3,6 milhões de hectares de vegetação nativa até 2050.
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A pesquisa evidencia que a expansão agrícola tem sido o principal motor de mudanças no uso da terra ao longo do último século. Pastagens e terras cultiváveis aumentaram significativamente, especialmente com a demanda global por alimentos e produtos pecuários. O Brasil, junto com Canadá, Rússia e EUA, figura entre os maiores contribuintes para a perda anual de cobertura arbórea, influenciada por ciclos de incêndios e colheitas.
O estudo também ressalta a contradição da agricultura moderna: essencial para alimentar o mundo, mas simultaneamente prejudicial aos sistemas ecológicos.
O relatório reforça a necessidade de políticas globais e regionais para equilibrar a produção de alimentos, a proteção ambiental e a segurança econômica.
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