

Bandeira do Brasil em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, onde parlamentares retomam o debate sobre o fim dos penduricalhos no serviço público | Foto: REUTERS/Adriano Machado
05 de fevereiro de 2026 – A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que determinou a revisão e a suspensão de “penduricalhos” sem previsão legal em todos os Poderes, reacendeu no Congresso Nacional a discussão sobre o teto constitucional de remuneração no serviço público. No Senado, o tema voltou ao centro do debate legislativo, com articulações para unificar propostas que tratam de supersalários, benefícios e exceções ao limite constitucional.
Relator do projeto que busca restringir pagamentos acima do teto, o senador Eduardo Gomes (PL-TO) defendeu que o assunto seja discutido de forma ampla e conjunta, envolvendo diferentes matérias em tramitação. Segundo ele, a decisão do STF cria um ambiente favorável para avançar na regulamentação do extrateto, sem retirar do Legislativo o protagonismo do debate.
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Para Eduardo Gomes, a discussão isolada de um único projeto não resolve um problema estrutural que se arrasta há anos no Congresso. O senador afirmou que pretende procurar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para sugerir a construção de uma agenda integrada sobre remuneração no serviço público.
“Acho importante que a gente discuta de maneira plural. Não adianta votar um projeto que tenha consequência sem um debate mais amplo. Precisamos reunir todas as matérias que versam sobre o tema para debatermos. Não é um assunto simples”, destacou o parlamentar.
Na avaliação do relator, a liminar do STF contribui para que o Congresso encontre uma solução legislativa consistente. “A decisão está vigente até que se tome uma decisão legislativa. Não é conflito entre Poderes, mas uma oportunidade legítima de debater e buscar um resultado melhor”, afirmou.
A decisão de Dino ocorre em meio a um cenário de pressões contraditórias sobre a folha de pagamento do setor público. Nesta semana, o Congresso aprovou reajustes e a ampliação de gratificações para servidores da Câmara e do Senado, com impacto estimado em R$ 790 milhões no Orçamento de 2026. As medidas incluem aumentos lineares próximos de 9% ao ano e bônus de desempenho que podem chegar a 100% do salário-base.
Esse contexto reforçou o debate sobre a coerência das políticas de contenção de gastos e o avanço de benefícios que podem ampliar remunerações acima do teto constitucional, hoje equivalente ao salário de um ministro do STF.
Parlamentares da oposição elogiaram a iniciativa do ministro Flávio Dino, mas direcionaram críticas principalmente ao Poder Judiciário, apontado como o principal foco de pagamentos acima do teto.
“Onde existe mais penduricalho é no Judiciário. Parabéns ao ministro. Sempre debatemos sobre isso, e nada impede que continuemos”, afirmou o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ).
Na mesma linha, o deputado Alberto Fraga (PL-DF) avaliou que a medida pode atingir magistrados que recebem remunerações superiores ao limite constitucional. “Se essa decisão alcançar juízes que recebem bem acima do teto, eu aprovo perfeitamente. Que ao menos seja para acabar com os penduricalhos”, declarou.
A discussão sobre supersalários e penduricalhos se arrasta há quase uma década no Legislativo. O principal projeto sobre o tema foi aprovado pelo Senado em 2016, alterado pela Câmara dos Deputados e devolvido à Casa Alta, onde segue sem votação final.
Paralelamente, propostas que ampliam benefícios a carreiras do Judiciário, como a criação do chamado quinquênio, avançaram em diferentes momentos, evidenciando a dificuldade política de conciliar contenção de gastos com pressões corporativas.
No próprio Senado, atos administrativos assinados em 2025 ampliaram gratificações por desempenho e autorizaram a conversão de folgas em indenizações, abrindo margem para pagamentos acima do teto e gerando questionamentos no Tribunal de Contas da União (TCU).
Na decisão, Flávio Dino determinou que órgãos de todos os níveis da Federação revisem, em até 60 dias, as verbas pagas a servidores e suspendam aquelas sem base legal. O ministro destacou que benefícios classificados como indenizatórios vêm sendo utilizados para driblar o teto constitucional e cobrou do Congresso a edição de uma lei que defina claramente quais parcelas podem extrapolar o limite.
Para Eduardo Gomes, o avanço do tema depende de negociação política e enfrentamento de resistências internas. Nos bastidores, senadores avaliam que a pressão do Judiciário pode acelerar a discussão, mas reconhecem que o impacto fiscal e a força corporativa de algumas carreiras continuam sendo obstáculos relevantes.
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Tags: STF, Flávio Dino, penduricalhos, supersalários, teto constitucional, Congresso Nacional, Senado Federal, Câmara dos Deputados, Eduardo Gomes, Davi Alcolumbre, extrateto, serviço público, remuneração de servidores, Judiciário, Orçamento 2026, política nacional, Portal Terra Da Luz