

Conselho de Segurança da ONU debate ataques a usinas nucleares iranianas | Foto: REUTERS/Eduardo Munoz
22 de junho de 2025 — A reunião emergencial do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada neste sábado, expôs a tensão diplomática entre Irã, Israel e Estados Unidos, após os ataques norte-americanos a três usinas nucleares iranianas — Fordow, Natanz e Isfahan — ocorridos no mesmo dia.
O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, foi direto ao afirmar que os ataques mudaram a história. Para ele, os Estados Unidos eliminaram a maior ameaça existencial ao mundo livre ao bombardear as instalações nucleares iranianas.
“Os EUA, líderes do mundo livre, eliminaram a maior ameaça existencial para o mundo livre”, disse Danon.
O representante israelense criticou a comunidade internacional por silenciar enquanto o Irã enriquecia urânio além do permitido para fins civis e construía instalações subterrâneas.
“Vocês não disseram nada. Foram cúmplices, tiveram medo. Foram meros expectadores.”
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Em contraponto, o embaixador do Irã, Amir Saeid Iravani, declarou que Teerã dará uma resposta proporcional aos ataques dos EUA e Israel, afirmando que o país tem o direito de se defender diante do que chamou de agressão flagrante.
“A magnitude da resposta será determinada por nossas Forças Armadas”, afirmou o diplomata.
Iravani acusou os EUA de colocar sua segurança em risco para proteger o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e reiterou que o Irã não possui armas nucleares.
O embaixador ainda solicitou que o Conselho condene os ataques e responsabilize os envolvidos, mas nenhuma resolução foi aprovada ao fim da reunião.
O atual conflito ganhou proporções globais após Israel lançar um ataque surpresa ao Irã no dia 13 de junho, alegando que o país estava próximo de desenvolver uma arma nuclear. A resposta veio neste sábado, com os EUA bombardeando instalações nucleares estratégicas no Irã.
O governo iraniano, por sua vez, afirma que o programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos e que negociações estavam em andamento com os EUA para garantir o cumprimento do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, do qual o Irã é signatário.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) acusa Teerã de descumprir obrigações do tratado, embora reconheça não haver provas de que o país esteja fabricando bombas nucleares. O Irã responde que a AIEA age sob influência política das potências ocidentais.
Em março, a inteligência dos EUA declarou que o Irã não estava construindo armas nucleares, informação agora colocada em dúvida pelo presidente Donald Trump, que defende ações preventivas.
Por outro lado, Israel nunca reconheceu oficialmente possuir armas nucleares, mas relatos históricos sugerem que o país mantém um programa secreto desde os anos 1950, com estimativas de até 90 ogivas atômicas.
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