

Imagem do planeta Marte, onde pesquisas da Nasa identificaram compostos orgânicos que podem indicar condições favoráveis à vida no passado | Foto: Nasa
07 de fevereiro de 2026 – A Nasa divulgou dados de uma pesquisa recente que não conseguiu apontar explicações conclusivas para a origem de matéria orgânica identificada em Marte. As substâncias foram coletadas pelo robô Curiosity durante a exploração do planeta vermelho e reacendem o debate científico sobre a possibilidade de vida no passado marciano.
Em março de 2025, o laboratório químico a bordo do Curiosity detectou pequenas quantidades de decano, undecano e dodecano em uma amostra de rocha sedimentar analisada na Cratera Gale, região que já foi considerada um antigo leito de lago.
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De acordo com os pesquisadores, as moléculas encontradas podem ser fragmentos de ácidos graxos preservados na rocha. Na Terra, esse tipo de composto é produzido, em grande parte, por organismos vivos, embora também possa surgir por processos geológicos não biológicos.
O novo estudo avaliou possíveis explicações não biológicas, como a entrega de compostos orgânicos por meteoritos que atingem a superfície marciana. No entanto, os cientistas concluíram que esses mecanismos não seriam suficientes para justificar a quantidade de material orgânico detectada.
Publicado em 4 de fevereiro na revista científica Astrobiology, o estudo indica que os dados disponíveis não explicam a abundância dos compostos orgânicos apenas por processos naturais conhecidos. A pesquisa combinou experimentos laboratoriais de radiação, modelagens matemáticas e informações coletadas pelo Curiosity.
O objetivo foi reconstruir as condições da rocha há cerca de 80 milhões de anos, período estimado em que o material ficou exposto à superfície marciana e à radiação cósmica. A partir dessa simulação, os cientistas estimaram quanto material orgânico existiria antes de sofrer degradação ao longo do tempo.
Os resultados sugerem que a quantidade original de matéria orgânica seria significativamente maior do que aquela normalmente produzida por processos não biológicos, tornando plausível a hipótese de que organismos vivos tenham contribuído para a formação dessas moléculas no passado de Marte.
O estudo se soma a outras pesquisas que indicam que Marte já foi um planeta muito mais úmido do que se imaginava. Evidências geológicas apontam que o planeta vermelho pode ter abrigado oceanos, rios e grandes corpos de água, em um cenário semelhante ao da Terra primitiva.
Análises recentes de imagens de alta resolução do Valles Marineris, o maior sistema de cânions de Marte, revelaram redes de canais ramificados semelhantes a rios terrestres. Esses canais terminam em grandes depósitos de sedimentos com características típicas de deltas, formações criadas quando rios deságuam em mares ou lagos.
Segundo os cientistas, esses dados indicam que a água fluía de forma contínua e encontrava corpos de água estáveis, criando condições que, no passado, poderiam ter sido favoráveis ao surgimento de vida microbiana.
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