

Levantamento nacional aponta crescimento das mortes por intervenção policial em 2025, reacendendo o debate sobre os rumos da segurança pública no Brasil | Foto: Ricardo Moraes/Reuters
07 de fevereiro de 2026 – As mortes cometidas por policiais cresceram em 17 estados brasileiros ao longo de 2025, segundo levantamento baseado em dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O aumento nacional foi de 4,5% em comparação com o ano anterior, revelando uma tendência oposta à queda das mortes violentas no país, que recuaram pelo quinto ano consecutivo.
Os dados, enviados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública, mostram que nove estados registraram redução nos casos e o Distrito Federal manteve os mesmos números de 2024. Ainda assim, o avanço da letalidade policial reacende o debate sobre o modelo de segurança pública adotado no Brasil.
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Enquanto homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões seguidas de morte apresentaram retração, as mortes decorrentes de ações policiais continuam em alta. Em uma década, o aumento acumulado desse tipo de ocorrência chega a 170%, segundo a série histórica analisada.
O caso mais expressivo foi registrado em Rondônia, que passou de oito mortes em 2024 para 47 em 2025, um salto de 488%. Em números absolutos, a Bahia lidera o ranking nacional, com 1.569 mortes, seguida por São Paulo (835) e Rio de Janeiro (798).
No Rio de Janeiro, a alta de 13% em 2025 foi influenciada por grandes operações policiais, como a megaoperação realizada no fim de outubro contra o Comando Vermelho, que resultou em 121 mortes, sendo 117 suspeitos e quatro policiais. A ação teve forte repercussão nacional e contribuiu para o crescimento dos indicadores no estado.
Já as maiores taxas proporcionais de mortes por 100 mil habitantes foram registradas no Amapá (17,11), Bahia (10,55) e Pará (7,28), demonstrando que o problema não se restringe aos grandes centros urbanos.
Para o tenente-coronel aposentado da Polícia Militar de São Paulo, Adilson Paes de Souza, os dados revelam a permanência de uma lógica baseada no confronto letal como estratégia de segurança pública. Segundo ele, a prática atravessa diferentes governos e orientações políticas, sem distinção ideológica clara.
A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, destaca que políticas voltadas ao uso de armas não letais ainda têm pouco impacto prático. De acordo com ela, apesar da existência de projetos e recursos, a redução do uso da força letal não tem sido prioridade para a maioria dos estados.
Em contraste com o aumento da letalidade policial, as mortes de agentes de segurança pública caíram 8% em 2025, totalizando 185 casos. No entanto, o Rio de Janeiro concentrou quase 42% desse total, com 77 policiais mortos, número 35% maior que o registrado em 2024.
Os suicídios de policiais também apresentaram queda nacional, passando de 151 para 131 casos. Ainda assim, os dados indicam que, em média, um agente de segurança tira a própria vida a cada três dias no Brasil. São Paulo teve alta de 65% nesse tipo de ocorrência, enquanto o Rio de Janeiro registrou redução significativa.
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