

Navio com 22 mil carros da BYD atraca em Itajaí e acende alerta sobre indústria automotiva brasileira | Foto: REUTERS/Anderson Cohelo
19 de junho de 2025 — O maior navio de transporte de veículos do mundo completou sua viagem inaugural ao Brasil no fim de maio, atracando no Porto de Itajaí (SC) com um carregamento da chinesa BYD. A bordo, cerca de 22 mil carros elétricos, o equivalente a 20 campos de futebol lotados de veículos, reforçando a ofensiva da marca no mercado brasileiro.
Apesar da inovação logística, a chegada da embarcação despertou preocupações em setores da indústria e sindicatos, que temem o impacto da enxurrada de importações na produção nacional e no emprego.
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A BYD, maior fabricante global de veículos eletrificados, tem ampliado sua frota de navios próprios para acelerar sua expansão internacional. O Brasil tornou-se alvo prioritário da empresa, que já realizou quatro grandes carregamentos este ano, de acordo com levantamento da Reuters.
Representantes da indústria e do setor trabalhista criticam o modelo de expansão baseado na importação em massa e cobram do governo a antecipação da tarifa de importação de carros elétricos dos atuais 10% para 35%, ainda em 2025.
“Países do mundo todo começaram a fechar as portas para os chineses, mas o Brasil não o fez”, afirmou Aroaldo da Silva, presidente da IndustriALL Brasil.
A ofensiva chinesa é global. Com um excedente de veículos, a China superou o Japão como maior exportador de carros do mundo em 2023, impulsionada principalmente pela produção de elétricos. Mercados como Europa e Estados Unidos reagiram com tarifas elevadas: 45,3% na UE e mais de 100% nos EUA.
No Brasil, a resposta tem sido mais lenta. Embora o país tenha reintroduzido a tarifa de 10% sobre elétricos em 2024, o governo ainda estuda pedidos da Anfavea para antecipar o aumento para 35%, previsto apenas para 2026.
Embora a BYD esteja construindo uma fábrica em Camaçari (BA), a produção foi adiada para dezembro de 2026 por conta de investigações sobre irregularidades trabalhistas no canteiro de obras.
Outra montadora chinesa, a GWM, também adiou o início da produção em São Paulo, mas deve começar a fabricar o modelo Haval H6 em julho deste ano, com contratos sendo fechados com cerca de 100 fornecedores nacionais.
Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o problema não é a chegada de novas marcas, mas o risco de que a importação excessiva desestimule a produção local e desloque investimentos para fora do país.
“Mesmo que a fábrica esteja aqui – que valor ela realmente agrega se os componentes, o desenvolvimento e a tecnologia são todos estrangeiros?”, questionou Aroaldo da Silva.
Mais de 80% das vendas de carros elétricos no Brasil são de veículos importados da China, segundo a Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE). O país possui riquezas minerais essenciais, como o lítio, mas ainda carece de infraestrutura para fabricar baterias e outros componentes.
A GWM, que comprou a fábrica da Mercedes-Benz em 2021, será a primeira montadora chinesa a produzir nacionalmente em larga escala. Já a BYD ainda não confirmou contratos com fornecedores brasileiros.
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