

Bombardeios israelenses ao Irã reacendem temor global de guerra nuclear | Foto: Reuters/Dado Ruvic
14 de junho de 2025 — O planeta acompanha com preocupação a escalada de tensões no Oriente Médio. Desde a noite da última quinta-feira (12), no horário de Brasília, Israel lançou ataques aéreos contra instalações nucleares e militares no Irã, reacendendo o temor de um conflito em larga escala com potencial nuclear. Em resposta, Teerã retaliou, aumentando o risco de um confronto regional mais amplo.
Especialistas em geopolítica apontam que a origem do embate está na disputa por influência na região. De um lado, Israel, que enfrenta críticas por sua atuação em territórios palestinos e é acusado de genocídio em Gaza. De outro, o Irã, potência xiita que há décadas apoia grupos armados contrários ao Estado israelense, como o Hamas e o Hezbollah.
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Segundo Ronaldo Carmona, professor de Geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG), o governo de Benjamin Netanyahu está aproveitando uma “janela de oportunidades” para avançar seu projeto expansionista, mesmo enfrentando fragilidade política interna.
“Netanyahu está levando adiante seu plano do ‘Grande Israel’, ampliando o controle territorial e enfraquecendo os adversários regionais”, afirmou.
O especialista lembra que o Irã, apesar de liderar o chamado “eixo de resistência islâmica” contra Israel, sofreu duros golpes nos últimos anos — muitos atribuídos a operações israelenses —, incluindo a morte do presidente iraniano em 2024, em um misterioso acidente de helicóptero.
O estopim mais recente do confronto foi a resolução aprovada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) na última quinta-feira (12), que acusa o Irã de descumprir acordos de inspeção. A AIEA aponta que Teerã estaria enriquecendo urânio a 60%, com um estoque de cerca de 400 quilos — nível considerado próximo ao necessário para fabricação de bombas nucleares.
A resolução foi aprovada com 19 votos a favor, entre os 35 países do Conselho de Governadores da AIEA. No dia seguinte, Israel bombardeou instalações nucleares e militares no Irã, matando cientistas e oficiais de alto escalão.
O Irã nega qualquer plano de produzir armamento atômico, afirmando que seu programa nuclear é pacífico e voltado à produção de energia e à medicina. O país também é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), ao contrário de Israel, que nunca aderiu ao tratado.
“A AIEA visita mais o Irã do que todos os outros países somados. O Irã tem compromisso desde 2015 de não produzir armas nucleares, ao contrário de Israel, que possui cerca de 200 ogivas e nunca foi fiscalizado”, destacou o cientista político Bruno Lima Rocha.
Teerã acusa países ocidentais — como Estados Unidos, França, Alemanha e Reino Unido — de atuarem sob influência israelense dentro da AIEA, tornando o órgão politicamente tendencioso.
O mundo agora observa com apreensão os próximos movimentos dos dois países, em um conflito que pode colocar a segurança global em risco.
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