Foto: Ricardo Stuckert/PR
Durante sua visita oficial ao Japão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Justiça brasileira está cumprindo seu papel ao aceitar a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados, no caso envolvendo a tentativa de golpe de Estado no Brasil.
A declaração foi dada na noite desta quarta-feira (26), manhã de quinta-feira (27) no Japão, após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidir, por unanimidade, tornar réus Bolsonaro e mais sete pessoas pelos crimes de golpe de Estado e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito.
“O que é correto é que a Suprema Corte está se baseando e se manifestando nos autos do processo, depois de meses e meses de investigação muito bem feita pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Houve muitas delações de pessoas importantes, apontando o que tentou acontecer no Brasil”, afirmou Lula em coletiva de imprensa em Tóquio.
O presidente também reiterou sua posição sobre a gravidade dos atos investigados. “É visível que o ex-presidente tentou dar um golpe no país. Há provas concretas de que ele contribuiu para ameaças à minha vida, à vida do vice-presidente e do ex-presidente da Justiça Eleitoral brasileira. Todo mundo sabe o que aconteceu”, declarou.
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Lula criticou os pedidos de anistia feitos por Bolsonaro e setores da oposição, alegando que o ex-presidente deveria buscar provar sua inocência antes de pleitear qualquer perdão.
“Não adianta ele ficar fazendo bravata, dizendo que está sendo perseguido. Só ele sabe o que fez e que não é correto. Pedir anistia antes do julgamento é admitir culpa. Ele deveria provar sua inocência, e não tentar se antecipar ao processo”, pontuou.
A coletiva em Tóquio foi o último compromisso do presidente no Japão. Durante a viagem, Lula se reuniu com o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, e com o imperador Nahurito. Agora, o presidente segue para visita oficial ao Vietnã antes de retornar ao Brasil.
Na entrevista, Lula destacou a importância da visita ao Japão, reforçando a cooperação entre os dois países em temas como democracia e multilateralismo. “Foi uma viagem essencial para estreitar relações com o Japão em um momento em que a democracia enfrenta desafios globais, com a ascensão da extrema-direita e de movimentos negacionistas em várias partes do mundo”, afirmou.
Além das reuniões com líderes políticos, Lula participou de encontros com empresários, representantes sindicais e pesquisadores brasileiros residentes no Japão. Ele também enfatizou a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU, buscando uma representatividade geopolítica mais equilibrada.
Em 2025, Brasil e Japão celebram 130 anos de relações diplomáticas, e a visita oficial de Lula marcou o retorno desse tipo de evento desde 2019, após a pandemia.
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