

A proximidade do Enem pode aumentar a ansiedade e a pressão emocional entre estudantes. Especialistas alertam para a importância de identificar os sinais de sofrimento psicológico e manter uma rotina equilibrada durante a preparação para as provas. | Foto: Angelo Miguel/MEC
07 de novembro de 2026 – A proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode intensificar a ansiedade entre estudantes que se preparam para uma das principais portas de entrada no ensino superior brasileiro. O medo de não alcançar uma boa nota, a pressão familiar e as incertezas sobre o futuro profissional podem transformar os últimos dias de preparação em um período de sobrecarga emocional.

Embora o nervosismo antes de uma prova importante seja uma reação natural, a intensidade e a frequência dos sintomas precisam ser observadas. Quando a ansiedade começa a comprometer o sono, a alimentação, a concentração e outras atividades cotidianas, pode representar um sinal de alerta.
Segundo o médico psiquiatra Alfredo Holanda, a ansiedade em níveis moderados pode contribuir para manter o estudante atento e motivado. Entretanto, o problema surge quando o sentimento deixa de ser pontual e passa a interferir no bem-estar.
“Sentir ansiedade antes de uma prova importante é esperado. O sinal de alerta aparece quando esse sentimento deixa de ser pontual e começa a dominar a rotina do estudante. Insônia frequente, crises de choro, irritabilidade, sensação constante de incapacidade e até sintomas físicos podem indicar que a pressão ultrapassou os limites saudáveis”, explica o psiquiatra.
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Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março de 2026, reforçam a importância dos cuidados com a saúde emocional dos jovens.
O levantamento identificou que 42,9% dos estudantes entre 13 e 17 anos se sentiam irritados, nervosos ou mal-humorados com frequência. Entre as meninas, o percentual chegou a 58,1%, enquanto entre os meninos foi de 27,6%.
A pesquisa também apontou que 28,9% dos adolescentes relataram sentimentos frequentes de tristeza.
Embora os dados não sejam específicos sobre o Enem, os resultados ajudam a dimensionar a importância de discutir a saúde mental nessa faixa etária, especialmente em períodos de grande cobrança acadêmica.
Na reta final de preparação para o Enem, alguns sintomas podem indicar que o nervosismo está ultrapassando os limites esperados.
Entre os principais sinais que merecem atenção estão:
A presença desses sintomas não significa necessariamente que o estudante tenha um transtorno de ansiedade. Entretanto, quando são intensos, frequentes ou persistentes, é importante buscar avaliação de um profissional de saúde.
Com as provas marcadas para os dias 8 e 15 de novembro de 2026, conforme o calendário do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os estudantes precisam equilibrar a preparação acadêmica e os cuidados pessoais.
O psiquiatra Alfredo Holanda recomenda evitar jornadas excessivas de estudo, preservar a qualidade do sono e manter uma rotina equilibrada.
“É importante que o estudante compreenda que seu valor não está condicionado ao resultado de uma prova. O Enem é uma etapa importante, mas não define sozinho o futuro de ninguém. Preservar o sono, manter uma alimentação adequada, fazer pausas e evitar comparações constantes são atitudes que ajudam a reduzir a sobrecarga emocional. Quando a ansiedade se torna incapacitante, procurar ajuda especializada é fundamental”, destaca.
A organização dos horários, os intervalos durante os estudos e a manutenção de atividades que proporcionem bem-estar também podem contribuir para diminuir a tensão nesse período.
O apoio familiar é outro fator importante para preservar a saúde emocional dos candidatos. Cobranças excessivas, comparações com outros estudantes e discursos que associam o desempenho acadêmico ao sucesso pessoal podem aumentar a insegurança e a pressão psicológica.
Por outro lado, o diálogo, o acolhimento e o reconhecimento do esforço durante a preparação ajudam a construir um ambiente mais seguro.
“A família precisa ser uma rede de apoio, não mais uma fonte de pressão. Muitas vezes, o estudante já está se cobrando além do necessário. Nesse momento, oferecer segurança emocional e demonstrar que existem possibilidades de futuro independentemente do resultado é uma das formas mais importantes de cuidado”, conclui Alfredo Holanda.
Quando a ansiedade começa a comprometer a rotina, o rendimento escolar e o bem-estar, o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico pode ser necessário.
A avaliação especializada permite identificar as causas do sofrimento emocional e orientar os cuidados adequados para cada situação.
O alerta é especialmente importante durante períodos de grande expectativa, como o Enem. Mais do que alcançar uma boa pontuação, é fundamental que os estudantes preservem a saúde mental e compreendam que existem diferentes caminhos para construir o futuro profissional.
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