

Cartões de vale-refeição e vale-alimentação passam a contar com novas regras de aceitação em estabelecimentos comerciais de todo o Brasil. | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
07 de novembro de 2026 – As novas regras do vale-refeição (VR) e do vale-alimentação (VA) entram em vigor neste sábado (7), com a implementação nacional da interoperabilidade entre as operadoras de benefícios. A medida pretende ampliar a rede de estabelecimentos que aceitam os cartões, aumentar a concorrência no setor e facilitar a utilização dos recursos pelos trabalhadores.
A mudança foi estabelecida pelo Decreto nº 12.712, publicado em novembro de 2025, que atualizou as regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).
Na prática, a interoperabilidade permitirá que cartões de diferentes operadoras sejam utilizados em maquininhas habilitadas para processar esse tipo de pagamento, sem a necessidade de equipamentos exclusivos para cada bandeira.
Entre as empresas abrangidas pelas mudanças estão Alelo, Ticket, VR Benefícios, Pluxee, Flash e Swile, conforme o enquadramento de cada benefício nas regras do programa.
A expectativa é que os trabalhadores tenham mais opções para utilizar os recursos em restaurantes, supermercados e outros estabelecimentos do setor de alimentação.
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A principal novidade é a ampliação da aceitação dos cartões. Com a interoperabilidade, diferentes bandeiras poderão funcionar em uma mesma rede de maquininhas habilitadas para receber pagamentos com VR e VA.
A medida, entretanto, não obriga todos os estabelecimentos comerciais a aceitar os benefícios. Cada comerciante continua livre para decidir se deseja trabalhar com essa modalidade de pagamento.
A mudança também não significa que todos os cartões serão aceitos automaticamente em qualquer estabelecimento. O funcionamento depende da habilitação do comércio e da integração dos sistemas das operadoras com as empresas responsáveis pelas maquininhas.
A proposta é ampliar as possibilidades de utilização dos benefícios em estabelecimentos que comercializam alimentos e refeições.
O vale-refeição continua destinado ao pagamento de refeições prontas, como as consumidas em restaurantes e lanchonetes. Já o vale-alimentação permanece voltado à compra de gêneros alimentícios em supermercados e estabelecimentos semelhantes.
Os recursos não podem ser utilizados para adquirir produtos que não estejam relacionados à alimentação.
Também não será permitido sacar o saldo ou transferir valores entre as modalidades de benefício.
Não. As novas regras não estabelecem aumento ou redução automática dos valores pagos pelas empresas aos trabalhadores.
A quantia disponibilizada continua dependendo da política de benefícios de cada empregador e das condições estabelecidas na relação de trabalho.
A principal alteração para os funcionários está relacionada à ampliação da rede de aceitação e à possibilidade de utilizar os cartões em mais estabelecimentos.
A regulamentação do PAT também estabeleceu limites para as tarifas cobradas pelas operadoras aos estabelecimentos comerciais e reduziu o prazo para o recebimento dos valores das vendas.
Entre as principais mudanças estão:
Antes da regulamentação, comerciantes reclamavam de taxas elevadas e de prazos de recebimento que poderiam ultrapassar 30 dias.
Outro ponto importante é a proibição de cobrança de valores adicionais ou da exigência de consumo mínimo para pagamentos realizados com vale-refeição ou vale-alimentação.
Não necessariamente. As regras são direcionadas aos benefícios vinculados ao Programa de Alimentação do Trabalhador, criado em 1976.
Existe uma diferença entre os benefícios concedidos no âmbito do PAT e o auxílio-alimentação previsto na legislação trabalhista.
Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), essa distinção tem provocado dificuldades na identificação das transações e na conciliação financeira dos estabelecimentos.
A entidade aponta que parte das empresas teria migrado operações para a modalidade de auxílio-alimentação, que não está submetida aos mesmos limites de taxas e prazos estabelecidos para os benefícios vinculados ao PAT.
Apesar da previsão de entrada em vigor nacional neste sábado (7), a interoperabilidade ainda enfrenta desafios técnicos.
A Abrasel afirma que os sistemas das operadoras de benefícios e das empresas responsáveis pelas maquininhas precisam estar totalmente integrados para garantir o funcionamento da medida.
Um dos problemas apontados pela entidade envolve os canais específicos utilizados para processar as transações com vale-refeição e vale-alimentação, que ainda apresentariam dificuldades operacionais.
A falta de integração também pode comprometer a identificação das modalidades de pagamento e o controle financeiro dos estabelecimentos comerciais.
As alterações no PAT também são alvo de questionamentos judiciais por empresas do setor.
Entre os pontos contestados estão os limites tarifários e as mudanças estruturais determinadas pelo decreto. Algumas operadoras chegaram a obter decisões provisórias para suspender parte das exigências, mas as liminares foram posteriormente derrubadas, conforme as informações do material de referência.
A Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) também manifestou preocupação com o modelo de arranjo aberto.
A entidade argumenta que a ampliação da aceitação dos cartões pode dificultar o controle e a fiscalização dos estabelecimentos credenciados.
O descumprimento das normas aplicáveis ao Programa de Alimentação do Trabalhador pode resultar em penalidades administrativas e financeiras.
Entre as consequências previstas estão multas, autuações, descredenciamento do programa e cobrança de benefícios fiscais anteriormente utilizados, quando cabível.
As multas previstas na legislação podem variar de R$ 5 mil a R$ 50 mil, conforme a infração e as disposições aplicáveis.
As penalidades podem atingir operadoras, empresas participantes do programa e estabelecimentos comerciais, de acordo com a responsabilidade de cada envolvido.
A implementação da interoperabilidade representa uma mudança importante no funcionamento do mercado de benefícios alimentares no Brasil.
Para os trabalhadores, a expectativa é de maior liberdade para utilizar os cartões em diferentes estabelecimentos. Para os comerciantes, a regulamentação busca reduzir custos e acelerar o recebimento dos pagamentos.
Entretanto, a efetividade das mudanças dependerá da integração dos sistemas e da capacidade das empresas de garantir o funcionamento das operações em todo o país.
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