

A nova apresentação será de uso diário e ainda não tem preço definido para venda nas farmácias brasileiras. | Foto: Novo Nordisk
04 de novembro de 2026 – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a versão em comprimido do Wegovy, medicamento produzido pela farmacêutica Novo Nordisk e que utiliza a semaglutida como princípio ativo. A autorização representa a chegada da primeira versão oral dessa classe de medicamentos, os agonistas do receptor GLP-1, aprovada no Brasil para o tratamento da obesidade e do sobrepeso.
Diferentemente da apresentação tradicional, aplicada por meio de uma caneta injetável uma vez por semana, a nova versão será administrada por via oral, em dose diária de 25 miligramas.
A aprovação foi publicada em resolução da Anvisa no Diário Oficial da União. O pedido de registro havia sido apresentado pela fabricante em 30 de janeiro de 2026.
Apesar da autorização sanitária, o medicamento ainda não tem preço definido para comercialização no Brasil. Segundo a Novo Nordisk, a previsão é que o comprimido chegue às farmácias brasileiras no próximo trimestre.
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A semaglutida é uma substância que imita a ação do GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo intestino após as refeições.
Esse mecanismo atua no controle do apetite, enviando sinais ao cérebro que aumentam a sensação de saciedade e reduzem a fome. Além disso, retarda o esvaziamento do estômago, prolongando a sensação de estar satisfeito depois de comer.
O princípio ativo do comprimido é o mesmo utilizado na versão injetável do Wegovy. A diferença está na forma de administração e na quantidade necessária para alcançar resultados semelhantes.
Na apresentação oral, a dose é de 25 mg por dia. Já a dose semanal de manutenção da versão injetável é de 2,4 mg.
A diferença ocorre porque a semaglutida enfrenta obstáculos para ser absorvida pelo organismo quando administrada por via oral. Parte da substância é degradada no trato digestivo antes de alcançar a circulação sanguínea, exigindo uma concentração maior no comprimido.
A aprovação do medicamento foi sustentada por resultados de estudos clínicos que avaliaram a eficácia da semaglutida oral no tratamento da obesidade.
No principal estudo utilizado como referência, publicado na revista científica The New England Journal of Medicine, os participantes que receberam o comprimido perderam, em média, 13,6% do peso corporal ao longo de 64 semanas.
No grupo que recebeu placebo, a redução média foi de 2,2% no mesmo período.
Segundo os pesquisadores, os resultados se aproximam daqueles observados com a versão injetável do medicamento. A fabricante destaca que a formulação oral representa um avanço por oferecer uma alternativa de administração diária para pacientes que precisam de tratamento contra o excesso de peso.
Os resultados, entretanto, não significam que todos os pacientes terão a mesma resposta ao medicamento. A perda de peso pode variar conforme as características individuais e a adesão ao tratamento.
A Novo Nordisk já comercializa no Brasil outro medicamento à base de semaglutida em comprimidos: o Rybelsus.
Apesar de utilizar o mesmo princípio ativo, os medicamentos possuem indicações e apresentações diferentes.
O Rybelsus é indicado para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2, enquanto o Wegovy tem indicação específica para o controle do peso em pessoas com obesidade ou sobrepeso, conforme os critérios previstos em sua bula.
Até a nova aprovação, a apresentação do Wegovy disponível para o tratamento da obesidade era a injetável, administrada semanalmente.
Com a liberação da versão oral, pacientes e profissionais de saúde passam a contar com uma nova alternativa terapêutica. A utilização deve ocorrer com acompanhamento médico, considerando as indicações, contraindicações e possíveis efeitos adversos.
A aprovação da Anvisa permite o registro sanitário do medicamento no Brasil, mas a comercialização depende da definição de preço e da organização da distribuição pela fabricante.
Até o momento, a Novo Nordisk não divulgou o valor do Wegovy em comprimido. A previsão informada pela empresa é iniciar a chegada do produto às farmácias brasileiras no próximo trimestre.
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