logocombalaoadireita-peqlogocombalaoadireita-peqlogocombalaoadireita-peqlogocombalaoadireita-peq
  • Página Inicial
  • Notícias
  • Economia & Negócios
  • Turismo
  • Destaques
  • Artigos
  • Contato
✕
Economia: Carga tributária bate recorde no país
Economia: Carga tributária bate recorde no país
08/08/2026
TSE cria conselho para monitorar IA nas eleições
Justiça: TSE cria conselho para monitorar IA nas eleições
08/08/2026
Exibir tudo

Opinião: Caso Buzzi: uma decisão exemplar contra o assédio Por Marcelo Aith, advogado criminalista

Opinião: Caso Buzzi: uma decisão exemplar contra o assédio

Decisão envolvendo o ministro Marco Buzzi reacende o debate sobre responsabilização disciplinar, assédio, vitaliciedade e os limites das garantias institucionais na magistratura brasileira. Foto: reprodução/CNN Brasil

08 de agosto de 2026 – Durante décadas, a aposentadoria compulsória de magistrados envolvidos em infrações gravíssimas simbolizou uma das maiores contradições do sistema disciplinar brasileiro. O juiz era afastado da função, mas permanecia recebendo proventos pagos pela própria sociedade lesada por sua conduta. A sanção, na prática, aproximava-se de um privilégio.

A decisão do Superior Tribunal de Justiça no processo administrativo disciplinar envolvendo o ministro Marco Buzzi rompe com essa lógica. Ao aplicar a pena de disponibilidade com proposta de perda do cargo, o tribunal inaugura um novo paradigma de responsabilização disciplinar da magistratura e sinaliza que garantias institucionais não podem servir de escudo para comportamentos incompatíveis com a dignidade da função.

O Pleno do STJ reconheceu, por unanimidade, a prática de infrações disciplinares relacionadas a assédio sexual, importunação sexual e injúria contra duas mulheres. Apenas quatro ministros divergiram quanto à sanção, sustentando que deveria prevalecer a aposentadoria compulsória em razão da legislação vigente quando o processo foi instaurado. A maioria, contudo, adotou a nova disciplina aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça, que substituiu esse modelo pela disponibilidade acompanhada de proposta de perda do cargo.

>>>SIGA O YOUTUBE DO PORTAL TERRA DA LUZ <<<

É importante distinguir as esferas de responsabilização. O julgamento não foi criminal. Tratou-se de processo administrativo destinado a verificar se a conduta do magistrado era compatível com os deveres funcionais previstos na Lei Orgânica da Magistratura Nacional. A eventual responsabilidade penal permanece sob análise do Supremo Tribunal Federal, observados o devido processo legal, a ampla defesa e a presunção de inocência. Essa separação, entretanto, jamais impediu que o Estado responsabilizasse administrativamente agentes públicos cuja conduta viola os deveres inerentes ao cargo.

A magistratura não se limita ao exercício técnico da jurisdição. O artigo 35 da Loman exige do juiz conduta irrepreensível na vida pública e particular justamente porque o exercício da função pressupõe confiança institucional. Quem decide diariamente sobre liberdade, patrimônio e direitos fundamentais precisa observar padrões éticos mais elevados do que aqueles exigidos do cidadão comum. A toga não representa privilégio, mas responsabilidade acrescida.

Os fatos reconhecidos pelo STJ revelam precisamente a dimensão desse dever. As acusações envolveram episódios distintos, um deles relatado por uma jovem de 18 anos e outro por uma servidora terceirizada que trabalhou diretamente no gabinete do ministro. No segundo caso, a investigação apontou que colegas de trabalho já adotavam medidas para evitar que ela permanecesse sozinha com o magistrado, circunstância considerada relevante na formação do convencimento do tribunal.

Casos dessa natureza desafiam modelos tradicionais de avaliação da prova. Relações marcadas por hierarquia e assimetria de poder frequentemente explicam o silêncio inicial, o receio de denunciar e a demora na formalização das acusações. Isso não significa conferir presunção absoluta de veracidade à palavra da vítima, mas reconhecer que seu relato deve ser analisado em conjunto com os demais elementos produzidos na investigação. Mensagens enviadas logo após os fatos, depoimentos de testemunhas, relatos contemporâneos, providências adotadas por colegas e a coerência do conjunto probatório constituem fatores capazes de conferir credibilidade às acusações.

A defesa exerceu plenamente seu direito de contestar os fatos, produzir provas e apresentar todas as teses que considerou pertinentes. Alegou contradições, sustentou limitações físicas do acusado e questionou a consistência dos relatos. O tribunal, contudo, concluiu que tais argumentos não eram suficientes para afastar a responsabilidade administrativa. Essa conclusão reafirma princípio elementar do Estado de Direito: o devido processo legal existe para impedir condenações arbitrárias, não para assegurar imunidade quando as provas demonstram a ocorrência de infrações funcionais.

A sanção aplicada também merece compreensão precisa. O ministro foi colocado em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de contribuição, acompanhada de proposta de perda do cargo. A demissão não ocorre automaticamente porque a vitaliciedade, prevista no artigo 95 da Constituição, condiciona a perda do cargo de magistrado vitalício à decisão judicial definitiva. A regulamentação aprovada pelo CNJ preserva essa garantia ao determinar o reexame da decisão e, posteriormente, o ajuizamento da ação própria perante o Supremo Tribunal Federal.

A mudança decorre da necessidade de compatibilizar o regime disciplinar da magistratura com a Emenda Constitucional nº 103 de 2019, que extinguiu a aposentadoria compulsória como sanção disciplinar. Tornou-se incompatível com a ordem constitucional manter mecanismo que, na prática, transformava a punição mais grave da carreira em benefício remuneratório permanente. O novo modelo preserva as garantias da magistratura sem converter a vitaliciedade em proteção contra a responsabilização.

Naturalmente, existe espaço para debate jurídico sobre a aplicação imediata da nova disciplina a processos já em andamento, questão levantada pelos ministros vencidos. Trata-se de discussão legítima sobre direito intertemporal. Ainda assim, a solução adotada pela maioria revela-se mais coerente com a evolução constitucional do sistema disciplinar, justamente porque não elimina garantias nem impõe demissão administrativa direta. Apenas substitui uma sanção incompatível com o texto constitucional por procedimento que submete a decisão final ao controle jurisdicional do Supremo.

A importância do precedente, contudo, transcende o aspecto técnico. Assédio sexual praticado por magistrado não representa simples desvio individual. Constitui abuso de poder, compromete o ambiente institucional e afeta diretamente a credibilidade do Poder Judiciário. A confiança social na Justiça depende não apenas da qualidade de suas decisões, mas também da disposição de responsabilizar aqueles que desrespeitam os valores que juraram proteger.

Há ainda um aspecto simbólico que merece destaque. Quando uma trabalhadora terceirizada denuncia integrante de tribunal superior, enfrenta muito mais do que um acusado específico. Confronta uma estrutura marcada por prestígio, autoridade e natural receio de retaliações. A resposta institucional firme transmite mensagem importante: a hierarquia não transforma violência em mal-entendido, nem a posição funcional reduz a credibilidade de quem denuncia.

A independência judicial constitui garantia indispensável ao Estado Democrático de Direito, mas sua finalidade sempre foi proteger o magistrado contra pressões externas no exercício da jurisdição. Nunca pretendeu criar espaço de imunidade para comportamentos incompatíveis com o cargo. Da mesma forma, a vitaliciedade não representa direito patrimonial do juiz, mas instrumento destinado a assegurar sua independência em benefício da sociedade.

O caso Buzzi demonstra que é possível conciliar garantias individuais, devido processo legal e responsabilização institucional. Ao preservar o contraditório, assegurar ampla defesa e, ao mesmo tempo, reconhecer a gravidade das infrações funcionais, o STJ reafirma um princípio essencial de qualquer democracia: quem exerce o poder de julgar os demais deve ser o primeiro a submeter-se às exigências da lei e da ética pública.


Marcelo Aith é advogado criminalista. Doutorando Estado de Derecho y Gobernanza Global pela Universidad de Salamanca – ESP. Mestre em Direito Penal pela PUC-SP. Latin Legum Magister (LL.M) em Direito Penal Econômico pelo Instituto Brasileiro de Ensino e Pesquisa – IDP. Especialista em Blanqueo de Capitales pela Universidad de Salamanca.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Portal Terra da Luz. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, ou um outro artigo com suas ideias, envie sua sugestão de texto para portalterradaluz.


Leia também | Trilha liga história e natureza no Rio

Ecoturismo: Trilha liga história e natureza no Rio

Tags: Marco Buzzi, STJ, Superior Tribunal de Justiça, assédio sexual, importunação sexual, magistratura, Poder Judiciário, Conselho Nacional de Justiça, CNJ, Supremo Tribunal Federal, STF, responsabilização de magistrados, processo administrativo disciplinar, perda do cargo, disponibilidade, aposentadoria compulsória, vitaliciedade, Lei Orgânica da Magistratura, Loman, ética pública, devido processo legal, ampla defesa, assédio no trabalho, violência contra a mulher, abuso de poder, responsabilidade disciplinar, Justiça brasileira, Direito Penal, Direito Constitucional, Marcelo Aith, artigo de opinião, Portal Terra da Luz

Compartilhar

Artigos Relacionados

Expansão: Foodservice avança para além das capitais

Expansão de redes de alimentação para cidades médias e polos regionais acompanha mudanças no consumo e exige análise detalhada das características econômicas e comerciais de cada mercado | Foto: Imagem ilustrativa feita por IA

10/09/2026

Expansão: Foodservice avança para além das capitais Interiorização amplia oportunidades para redes de alimentação e exige análise de consumo, vocação regional e conhecimento de cada mercado. Por Eduardo Guerra


Leia mais

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Portal Terra da Luz

Aqui você encontra o que precisa saber sobre a Economia, Turismo, Saúde, Educação, Pesquisa e Inovação, Cidadania e Política.

Parceiro externo:
Apostas Copa do Mundo

Mais energia para o Brasil

https://portalterradaluz.com.br/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Video-2026-05-15-at-16.56.42-1.mp4
✕

Redes Sociais

Categorias

  • Artigos
  • Curtas
  • Destaques
  • Economia & Negócios
  • Notícias
  • Principal
  • Turismo, Esporte e Eventos

Tags

Alexandre de Moraes Assembleia Legislativa do Ceará Banco Central Brasil Ceará Congresso Nacional Covid-19 Cultura Câmara dos deputados Donald Trump Economia economia brasileira Esporte Estados Unidos Fortaleza Futebol governo do Ceará Governo Federal inflação Jair Bolsonaro Justiça Lula Meio Ambiente Mercado financeiro Ministério da Saúde Música Negócios pandemia Polícia Federal Portal terra da luz Prefeitura de Fortaleza presidente Programação Rio de Janeiro SAUDE saúde Saúde Pública Segurança Pública STF Supremo Tribunal Federal sustentabilidade SÃO PAULO São Paulo Tecnologia Turismo

www.facebook.com/portalterradaluz

PORTAL TERRA DA LUZ

Portal Terra da Luz

Portal Terra da Luz

O Portal Terra da Luz é um site de notícias que reúne as informações mais relevantes de tudo o que acontece no Ceará, no Brasil e no Mundo. Aqui você encontra o que precisa saber sobre a Economia, Turismo, Saúde, Educação, Pesquisa e Inovação, Cidadania, Política, Segurança Pública, além dos principais encontros de negócios, capacitação profissional, eventos sociais, culturais e esportivos.

Siga as nossas Redes Sociais.

Editor Responsável

O editor responsável pelo Portal Terra da Luz é o jornalista Hermann Hesse, profissional reconhecido pela atuação na imprensa cearense desde 1990. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC), atuou durante quase 20 anos na TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo, como repórter, produtor, editor, apresentador, editor-chefe do jornal mais importante e de maior audiência do Ceará, o CETV. Em 2011, assumiu a Coordenadoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e, dois anos depois, foi Coordenador de Comunicação Institucional da Prefeitura de Fortaleza. Em janeiro de 2019, assumiu a direção de Jornalismo do Grupo Cidade de Comunicação, onde atuou por 2 anos e meio. No dia 12 julho de 2021 colocou no ar a primeira notícia e, desde então, é o responsável por todos os conteúdos publicados no Portal Terra da Luz. Entre agosto de 2022 e agosto de 2025 atuou, paralelamente, como diretor de Jornalismo da Band Ceará, emissora ligada diretamente à cabeça de rede, em São Paulo.

Últimos comentários

  • 22/09/2026

    Giovanni Comentado em Justiça: Robinho reduz pena com estudos e leituras

  • 20/09/2026

    Energia: Aneel projeta alta de 9,4% na conta de luz – News Conect Inteligencia Digital Comentado em Energia: Aneel projeta alta de 9,4% na conta de luz

  • 15/09/2026

    Gleison Ferreira de souza Comentado em Apostas: MJSP regulamenta recuperação de mais de R$ 1 bilhão de bets ilegais

  • 11/09/2026

    Hermann Hesse Feitosa Alexandrino Comentado em Leilão: Casas Bahia leiloa 501 lotes de eletrodomésticos

  • 11/09/2026

    Adalberto Comentado em Leilão: Casas Bahia leiloa 501 lotes de eletrodomésticos

  • 11/09/2026

    Justiça: Fachin tira sigilo de investigações do Master – News Conect Inteligencia Digital Comentado em Justiça: Fachin tira sigilo de investigações do Master

Últimas Notícias

  • UFC sedia casamento comunitário de 27 casais em Fortaleza0
    Cerimônia: UFC sedia casamento comunitário de 27 casais em Fortaleza Cerimônia civil será realizada na Reitoria nesta quarta-feira (23), com parte celebrativa nos jardins
    22/09/2026
  • TRE-CE inicia carga de 26 mil urnas para eleições0
    Eleições: TRE-CE inicia carga de 26 mil urnas para eleições Procedimento começou em Fortaleza e segue até 3 de outubro no interior do Ceará
    22/09/2026
  • Buscas por helicóptero com cantor Rick avançam em SC0
    Resgate: Buscas por helicóptero com cantor Rick avançam em SC Equipes do Corpo de Bombeiros e da FAB ampliam operação na Serra Catarinense nesta terça-feira (22)
    22/09/2026
  • Mutirão retira lixo das trilhas do Mirante do Caldas0
    Meio ambiente: Mutirão retira lixo das trilhas do Mirante do Caldas Mais de 40 sacos de resíduos foram recolhidos na Floresta Nacional do Araripe, em Barbalha
    21/09/2026
  • Crefito-6 defende autonomia além das rampas para pessoas com deficiência0
    Inclusão: Crefito-6 defende autonomia além das rampas para pessoas com deficiência Conselho destaca acessibilidade em casa, na sociedade e no trabalho
    21/09/2026
  • Ministério da Justiça demite Eduardo Bolsonaro da PF0
    Polícia: Ministério da Justiça demite Eduardo Bolsonaro da PF Ex-deputado foi desligado por abandono de cargo na Polícia Federal
    21/09/2026
© Portal Terra da Luz | Orgulhosamente desenvolvido por NAWEB Sistemas