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Economia: Economistas defendem taxar os mais ricos Manifesto assinado por 50 especialistas propõe mudanças na política fiscal, redução dos juros e tributação das altas rendas como alternativa aos cortes de despesas sociais defendidos por setores do mercado financeiro

Economia: Economistas defendem taxar os mais ricos

Economistas e especialistas defendem a ampliação da tributação sobre as altas rendas, a redução dos juros e mudanças nas regras fiscais como alternativas aos cortes de despesas sociais. Manifesto assinado por 50 profissionais critica a pressão de setores do mercado financeiro sobre a política econômica do próximo governo Lula | Foto: Ilustração/Portal Terra da Luz

31 de outubro de 2026 – Um grupo de 50 economistas e especialistas divulgou, na sexta-feira (30), um manifesto contrário à pressão de setores do mercado financeiro para que o governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adote um programa de cortes de gastos públicos como estratégia para estabilizar a dívida brasileira.

O documento defende a criação de um novo regime fiscal, menos restritivo que o atual arcabouço, a revisão da meta de inflação e a ampliação da tributação sobre as altas rendas, como alternativa à redução de despesas sociais.

Os signatários criticam a influência da chamada Faria Lima, região de São Paulo que concentra bancos de investimento, corretoras e instituições financeiras, sobre a definição das políticas econômicas do próximo mandato presidencial.

Segundo o manifesto, setores do mercado tentam impor um “terceiro turno” eleitoral para levar Lula a adotar medidas de austeridade semelhantes às defendidas pelo candidato derrotado Flávio Bolsonaro.

“Em 25 de outubro, a maioria do eleitorado reelegeu Lula e recusou o programa de Flávio Bolsonaro, que prometia cortar R$ 190 bilhões do gasto público. Um governo eleito por um levante popular contra a ameaça bolsonarista não pode escolher a via defendida pelos mais ricos”, afirma o documento.

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Economistas apontam juros como principal pressão sobre a dívida

Os especialistas argumentam que o crescimento da dívida pública brasileira está relacionado principalmente ao elevado custo dos juros, e não exclusivamente às despesas do governo federal.

Em agosto de 2026, a dívida bruta do Brasil alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2022, o indicador estava em 71,7%.

Segundo dados do Banco Central citados no manifesto, as despesas com juros ultrapassaram R$ 1,1 trilhão nos últimos 12 meses, equivalentes a 8,9% do PIB.

Os economistas destacam que o Brasil mantém uma das maiores taxas de juros reais do mundo, conforme levantamento da Moneyou.

“O gasto com juros é mais de catorze vezes o déficit primário de R$ 82 bilhões. A inflação de doze meses, de 4,58% em setembro, passou do teto por causa da energia e dos alimentos, choques que a Selic [taxa de juros definida pelo BC] não corrige”, sustenta o manifesto.

O Banco Central, por sua vez, justifica a manutenção de juros elevados com base em fatores como pressões inflacionárias e déficits primários nas contas públicas.

Na avaliação da autoridade monetária, despesas primárias superiores à arrecadação podem ampliar as pressões sobre a inflação, exigindo uma política monetária restritiva.

Manifesto propõe ampliar tributação sobre altas rendas

Como alternativa aos cortes de gastos públicos, especialmente nas áreas sociais, os economistas defendem antecipar e ampliar a tributação sobre pessoas de alta renda.

Uma das propostas é antecipar para 2027 a cobrança mínima de 10% para contribuintes com rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil, conforme as regras estabelecidas pela Lei nº 15.270/2025.

O manifesto argumenta que o calendário de implementação e as disposições relacionadas à distribuição de lucros acumulados permitem que determinados rendimentos continuem recebendo tratamento tributário favorecido durante a transição.

Por isso, os especialistas sugerem a aprovação de uma nova legislação até o encerramento de 2026.

“Se aprovada por lei até 31 de dezembro, uma nova tributação do topo vale já em janeiro. Ela deve alcançar dividendos, juros sobre capital próprio e aplicações isentas. É preciso também rever isenções, regimes especiais e incentivos, que somam R$ 612,8 bilhões em gastos tributários”, afirma o comunicado.

O grupo propõe ainda uma revisão dos benefícios tributários concedidos a determinados setores e modalidades de rendimento.

Para os signatários, a ampliação da tributação sobre o topo da distribuição de renda permitiria aumentar a arrecadação sem comprometer diretamente políticas públicas destinadas à população de menor renda.

Especialistas defendem redução dos juros e nova meta de inflação

O manifesto também pede ao Banco Central que evite novas elevações da taxa básica de juros, a Selic, apontada no documento em 13,75% ao ano.

Os autores defendem medidas para que uma eventual redução dos juros chegue às famílias e às pequenas e médias empresas endividadas.

Outra proposta envolve a revisão da meta de inflação, atualmente estabelecida em 3% ao ano pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Os economistas sugerem elevar o centro da meta para 4,5%, percentual que vigorou no Brasil entre 2005 e 2018.

“Um novo decreto deve suprimir a carência de 36 meses criada em 2024 para mudar a meta. Propomos retomar o centro de 4,5%, vigente de 2005 a 2018, alongar o horizonte de convergência e dar peso efetivo ao pleno emprego, que a lei já inclui entre os objetivos do Banco Central”, diz o manifesto.

Na avaliação do grupo, o regime de metas deve considerar de maneira mais ampla os efeitos da política monetária sobre a atividade econômica, o emprego e a capacidade de investimento.

Nova regra fiscal poderia proteger investimentos e políticas sociais

Os signatários também defendem que o Congresso Nacional aprove, ainda em 2026, uma nova regra fiscal para substituir o arcabouço atualmente em vigor.

A legislação vigente estabelece limites para o crescimento real das despesas públicas, com teto de 2,5% ao ano e vinculação de até 70% da variação das receitas.

Segundo os economistas, essas restrições dificultam a expansão de investimentos e o cumprimento de compromissos constitucionais nas áreas sociais.

“O limite atrelado a 70% da receita é incompatível com pisos de saúde e educação que crescem com a receita. As regras fiscais atuais também inibem os desafios do próximo mandato, como a reindustrialização com transição ecológica, que depende de investimento público, de aportes nas estatais e do crédito do BNDES”, afirma o documento.

A proposta prevê que uma nova lei complementar retire dos limites fiscais determinadas despesas consideradas estratégicas.

Entre elas estão investimentos públicos, recursos destinados ao Bolsa Família, pisos constitucionais da saúde e da educação, aportes nas empresas estatais e financiamentos relacionados ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Para os autores, a alteração permitiria ampliar a capacidade do Estado de investir em infraestrutura, políticas sociais e desenvolvimento produtivo.

Manifesto critica propostas de ajuste fiscal do governo

Os economistas também direcionam críticas a integrantes da equipe econômica do governo federal que passaram a defender medidas de ajuste fiscal após as eleições presidenciais.

Entre os citados está o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Na avaliação dos signatários, a adoção de um programa de austeridade poderia contrariar expectativas de parte do eleitorado que reelegeu Lula.

“O programa derrotado volta pela porta da Fazenda. Já vimos esse filme. Em 2024 e 2025, a Fazenda apertou o orçamento enquanto o Banco Central elevava a Selic de 10,5% para 15%. A avaliação positiva do governo caiu de 36% para 24%”, afirma o texto.

Os autores estabelecem ainda uma relação entre o ajuste fiscal adotado durante o governo de Dilma Rousseff, em 2015, a recessão econômica daquele período e o posterior processo de impeachment da então presidente.

Essa interpretação integra o posicionamento político e econômico do manifesto.

Composição do Congresso preocupa signatários

O documento também destaca as dificuldades que o governo Lula poderá enfrentar no próximo mandato diante da composição do Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2027.

Os especialistas mencionam a eleição de 121 deputados federais do Partido Liberal (PL) e de 49 senadores identificados com a direita.

Para o grupo, o cenário político exigirá cautela na condução das políticas econômicas.

“Diante de um Congresso mais hostil, com 121 deputados do PL e 49 senadores de direita a partir de fevereiro, repetir a receita pode enfraquecer o apoio obtido nas ruas para a reeleição de Lula e tornar seu governo vulnerável a um novo golpe parlamentar”, diz o manifesto.

O posicionamento representa a avaliação dos signatários sobre os possíveis efeitos políticos da adoção de políticas de contenção de despesas.

Professores de universidades brasileiras e estrangeiras assinam documento

O manifesto reúne 50 profissionais de diferentes instituições acadêmicas e áreas de atuação.

Entre os signatários estão Pedro Paulo Zahluth Bastos e Simone Deos, professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Maria de Lourdes Rollemberg Mollo, da Universidade de Brasília (UnB); Alfredo Saad Filho, da Queen’s University Belfast; e Juliane Furno, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

O grupo defende que a estabilidade das contas públicas seja buscada por meio de mudanças tributárias, redução do custo dos juros e revisão das regras fiscais, preservando os investimentos e as despesas sociais.

O debate ocorre no momento em que o governo federal e o Congresso Nacional começam a discutir os rumos da política econômica para o próximo mandato presidencial, que terá início em janeiro de 2027.

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Tags: Economia brasileira, Economistas, Manifesto dos economistas, Tributação dos ricos, Taxação das grandes fortunas, Tributação das altas rendas, Imposto de Renda, Justiça tributária, Reforma tributária, Política fiscal, Arcabouço fiscal, Regime fiscal, Ajuste fiscal, Corte de gastos, Gastos públicos, Despesas sociais, Investimento público, Dívida pública, Dívida bruta, PIB, Taxa Selic, Banco Central, Juros reais, Inflação, Meta de inflação, Conselho Monetário Nacional, CMN, Ministério da Fazenda, Dario Durigan, Lula, Governo Lula, Flávio Bolsonaro, Eleições 2026, Faria Lima, Mercado financeiro, Dividendos, Juros sobre capital próprio, Benefícios fiscais, Incentivos tributários, Bolsa Família, Saúde pública, Educação pública, BNDES, Reindustrialização, Transição ecológica, Unicamp, Universidade de Brasília, Universidade Federal Fluminense, Pedro Paulo Zahluth Bastos, Simone Deos, Maria de Lourdes Rollemberg Mollo, Alfredo Saad Filho, Juliane Furno, Agência Brasil, Política econômica, Desenvolvimento econômico, Distribuição de renda, Desigualdade social, Brasil, Portal Terra Da Luz

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O editor responsável pelo Portal Terra da Luz é o jornalista Hermann Hesse, profissional reconhecido pela atuação na imprensa cearense desde 1990. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC), atuou durante quase 20 anos na TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo, como repórter, produtor, editor, apresentador, editor-chefe do jornal mais importante e de maior audiência do Ceará, o CETV. Em 2011, assumiu a Coordenadoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e, dois anos depois, foi Coordenador de Comunicação Institucional da Prefeitura de Fortaleza. Em janeiro de 2019, assumiu a direção de Jornalismo do Grupo Cidade de Comunicação, onde atuou por 2 anos e meio. No dia 12 julho de 2021 colocou no ar a primeira notícia e, desde então, é o responsável por todos os conteúdos publicados no Portal Terra da Luz. Entre agosto de 2022 e agosto de 2025 atuou, paralelamente, como diretor de Jornalismo da Band Ceará, emissora ligada diretamente à cabeça de rede, em São Paulo.

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