

O Projeto Baleia Jubarte registrou 59 encalhes de baleias-jubarte no litoral brasileiro até outubro de 2026. O monitoramento também identificou redução na proporção de filhotes e queda de aproximadamente 38% na taxa de avistamentos em relação ao mesmo período de 2025 | Foto: Projeto Baleia Jubarte
17 de outubro de 2026 – O Brasil registrou 59 encalhes de baleias-jubarte entre janeiro e outubro de 2026, segundo levantamento divulgado pelo Projeto Baleia Jubarte, instituição dedicada à pesquisa e à conservação da espécie. Mais de 90% dos animais foram encontrados já sem vida, levados pelas correntes marítimas até as praias. O balanço também revela um cenário preocupante para a reprodução desses mamíferos: a proporção de filhotes observados caiu significativamente em relação à média histórica.
A temporada de baleias-jubarte no litoral brasileiro, que ocorre principalmente entre junho e novembro, apresenta números inferiores aos de anos anteriores, tanto na quantidade de animais avistados quanto no registro de filhotes.
Até setembro, a taxa bruta de natalidade observada foi de 3,35%, diante de uma média histórica de 9,89% para o mesmo período. A diferença representa uma redução relativa de aproximadamente 66%, indicador que chama a atenção dos pesquisadores.
Santa Catarina, São Paulo e Espírito Santo concentram os maiores números de encalhes registrados neste ano. No Nordeste, foram identificadas ocorrências na Bahia, em Pernambuco e no Ceará.
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A diminuição na proporção de filhotes é um dos principais pontos de atenção da temporada reprodutiva de 2026.
Segundo o Projeto Baleia Jubarte, a taxa bruta de natalidade corresponde à participação dos filhotes no total de baleias observadas durante as atividades de monitoramento.
Neste ano, o índice de 3,35% ficou bem abaixo da média histórica de 9,89%. Em algumas temporadas anteriores, a proporção chegou a alcançar entre 15% e 16%.
Os números indicam uma redução expressiva na presença de filhotes durante as observações realizadas no litoral brasileiro.
Entretanto, os pesquisadores ressaltam que os dados ainda são parciais e não representam necessariamente uma diminuição definitiva da população de baleias-jubarte.
A análise completa dependerá da continuidade do monitoramento e da comparação dos resultados com informações obtidas em outras regiões do Hemisfério Sul.
A diminuição no número de filhotes não está restrita ao Brasil.
Pesquisadores que acompanham populações de baleias-jubarte na Austrália, no Equador e em outras regiões do Hemisfério Sul também identificaram redução nos indicadores reprodutivos durante a temporada.
O comportamento semelhante em diferentes populações sugere a necessidade de investigar fatores ambientais capazes de afetar os animais em suas áreas de alimentação e reprodução.
Até o momento, não existe uma explicação definitiva para o fenômeno.
Entre as hipóteses analisadas estão alterações na disponibilidade de alimento, mudanças nas condições do gelo marinho e o aumento das temperaturas oceânicas associado a fenômenos climáticos como o El Niño.
Essas mudanças podem influenciar a disponibilidade de energia necessária para a reprodução, a gestação e a amamentação dos filhotes.
No entanto, ainda são necessários estudos para estabelecer uma relação direta entre esses fatores e a redução observada em 2026.
Além da menor proporção de filhotes, o Projeto Baleia Jubarte identificou redução expressiva na quantidade de animais avistados durante as atividades de monitoramento.
Em 2026, a média registrada foi de 4,199 baleias por hora de observação, contra 6,8207 no mesmo período de 2025.
O resultado representa uma diminuição de aproximadamente 38% na taxa de avistamentos.
Esse indicador permite comparar diferentes temporadas considerando o tempo dedicado à observação, tornando a análise menos dependente da duração das expedições.
O trabalho é realizado a bordo de uma embarcação que percorre trechos do litoral entre Belmonte, na Bahia, e o Espírito Santo, incluindo a região do Banco dos Abrolhos.
Conhecida pela concentração de baleias-jubarte durante o período reprodutivo, a região é considerada uma das principais áreas de reprodução e cuidado dos filhotes da espécie no Atlântico Sul.
O monitoramento continuará até o fim de novembro, quando se encerra a temporada desses animais no Brasil.
Além das observações realizadas por embarcações, pesquisadores promoveram neste ano um levantamento aéreo entre o Rio Grande do Norte e o litoral de São Paulo.
A iniciativa busca atualizar as estimativas sobre o tamanho da população de baleias-jubarte que utiliza a costa brasileira durante a temporada reprodutiva.
O último levantamento semelhante havia sido realizado em 2022, quando a população foi estimada em aproximadamente 34.500 animais.
Durante os sobrevoos de 2026, os pesquisadores observaram menos baleias e filhotes em comparação com campanhas anteriores.
Entretanto, o cálculo populacional ainda está em andamento.
Por essa razão, não é possível afirmar, neste momento, que o número total de baleias-jubarte no Brasil tenha diminuído na mesma proporção dos avistamentos registrados.
A conclusão dependerá do processamento dos dados e da aplicação dos métodos científicos utilizados para estimar a população.
O levantamento do Projeto Baleia Jubarte aponta que 59 animais encalharam no litoral brasileiro entre janeiro e outubro.
Mais de 90% dos registros correspondem a baleias encontradas mortas, cujos corpos foram transportados pelas correntes marítimas até a faixa de areia.
O maior número de ocorrências foi registrado em agosto, com 16 encalhes, seguido por junho, com 14, e julho, com dez.
A distribuição mensal mostra uma concentração dos registros durante o período de maior presença das baleias-jubarte na costa brasileira.
ENCALHES REGISTRADOS POR MÊS EM 2026

Os registros de encalhe não significam necessariamente que os animais morreram próximos às praias onde foram encontrados. Em muitos casos, as carcaças percorrem grandes distâncias até alcançar o litoral.
A identificação das causas de mortalidade exige exames especializados e análise das condições em que cada animal foi encontrado.
Santa Catarina aparece como o estado com maior número de ocorrências em 2026, com 13 encalhes.
Na sequência estão São Paulo, com 12 registros, e Espírito Santo, com 11.
Rio de Janeiro e Bahia contabilizaram nove ocorrências cada. O Rio Grande do Sul registrou duas, enquanto Paraná, Pernambuco e Ceará tiveram um caso cada.
| Estado | Encalhes |
|---|---|
| Santa Catarina | 13 |
| São Paulo | 12 |
| Espírito Santo | 11 |
| Rio de Janeiro | 9 |
| Bahia | 9 |
| Rio Grande do Sul | 2 |
| Paraná | 1 |
| Pernambuco | 1 |
| Ceará | 1 |
| Total | 59 |
Os dados demonstram que os registros estão distribuídos por diferentes áreas da costa brasileira, embora exista maior concentração nas regiões Sul e Sudeste.
O Ceará integra o levantamento nacional com uma ocorrência registrada até outubro, reforçando a presença desses mamíferos marinhos também no litoral nordestino.
A redução nos avistamentos e na proporção de filhotes amplia a preocupação científica com os impactos das transformações ambientais sobre os oceanos.
As baleias-jubarte realizam longas migrações entre áreas de alimentação, localizadas principalmente em águas frias, e regiões tropicais e subtropicais utilizadas para reprodução.
Durante o período de alimentação, esses animais acumulam reservas energéticas importantes para sustentar a migração, a gestação e a amamentação.
Mudanças na disponibilidade de alimento podem afetar essas reservas e, potencialmente, influenciar o sucesso reprodutivo.
O aquecimento dos oceanos e as alterações no gelo marinho também são fatores considerados nas pesquisas.
Entretanto, os especialistas ainda não estabeleceram qual combinação de elementos ambientais estaria relacionada aos números observados nesta temporada.
A identificação das causas exigirá análises de longo prazo, reunindo informações sobre alimentação, comportamento, condições climáticas e dinâmica populacional.
Criado em 1988, o Projeto Baleia Jubarte desenvolve pesquisas e ações de conservação voltadas à proteção desses mamíferos marinhos no litoral brasileiro.
A iniciativa surgiu em um período no qual a população da espécie ainda apresentava os efeitos da caça comercial, atividade que provocou uma redução drástica no número de indivíduos ao longo do século passado.
Desde então, o projeto contribui para o acompanhamento da recuperação populacional e para a produção de conhecimento científico.
Entre suas atividades estão monitoramento de avistamentos, identificação fotográfica dos animais, pesquisas genéticas, estudos de comportamento, bioacústica e atendimento a ocorrências de encalhe.
O projeto também desenvolve ações de educação ambiental e orientação sobre a observação responsável de baleias.
Apesar da redução nos indicadores observados em 2026, os pesquisadores ressaltam a necessidade de analisar os dados dentro de uma série histórica mais ampla.
A população brasileira de baleias-jubarte apresentou recuperação expressiva nas últimas décadas, resultado de medidas de proteção e esforços de conservação.
Os registros atuais, entretanto, demonstram que a espécie continua sujeita a pressões ambientais e mudanças nas condições dos oceanos.
O monitoramento até novembro e a conclusão do levantamento populacional realizado neste ano deverão fornecer informações adicionais para compreender o comportamento das jubartes na costa brasileira.
A continuidade das pesquisas será fundamental para avaliar se a redução dos avistamentos e da proporção de filhotes representa uma variação temporária ou um sinal de mudanças mais duradouras na dinâmica reprodutiva da espécie.
Projeto Baleia Jubarte
Atuação: Pesquisa, monitoramento, educação ambiental e conservação das baleias-jubarte.
Temporada de observação no Brasil: Principalmente de junho a novembro.
Área de destaque: Banco dos Abrolhos, litoral da Bahia e do Espírito Santo.
Site oficial: www.baleiajubarte.org.br
Registro de encalhes: O projeto orienta que ocorrências envolvendo baleias e outros mamíferos marinhos sejam comunicadas às equipes especializadas.
Contato da base de Caravelas (BA): (73) 98802-1874, WhatsApp, ou (73) 3297-1340. A equipe também presta orientação para ocorrências em outras regiões do país.
Orientação: Ao encontrar uma baleia encalhada, não toque no animal nem tente devolvê-lo ao mar sem orientação técnica. Mantenha distância, afaste animais domésticos e comunique a ocorrência aos órgãos ambientais ou equipes especializadas.
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